Daniel quer usar a tecnologia como estratégia para fazer a diferença nas urnas
Goiânia se torna a capital mundial da criatividade, com foco em IA. Para especialistas, isso pode chamar atenção dos jovens e beneficiar a pré-campanha do emedebista
Investimentos em tecnologia e inovação são fatores que colaboram para a formação de uma identidade própria do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Empossado no dia 31 de março, o emedebista completa, nesta segunda-feira (20), 21 dias de gestão e se destaca por ressaltar a importância de dar continuidade ao modelo de gestão do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Ao mesmo tempo, executa novas ações, com o objetivo de deixar sua marca como gestor.
Analistas políticos avaliam que as ações do governador em torno de assuntos voltados à tecnologia e inovação trazem benefícios para a pré-campanha de Daniel em busca da reeleição ao Governo do Estado, uma vez que são áreas que chamam maior atenção ao eleitorado jovem.
Entre as diversas tarefas que Caiado delegou a Daniel, destacam-se, por exemplo, as comitivas internacionais lideradas pelo governador e as iniciativas tecnológicas voltadas principalmente para a infraestrutura e segurança pública, principal mote do governo anterior e que deve seguir assim no atual.

Segundo dados divulgados pelo IBGE em 2025, 94% da população goiana com 10 anos ou mais usou a internet em 2024. Tal resultado coloca Goiás na segunda posição entre os Estados mais conectados do Brasil, atrás apenas do Distrito Federal.
Goiás, destaque em tecnologia
Goiânia se torna a capital mundial da criatividade com festival gratuito e foco em Inteligência Artificial, com o Hub Goiás como palco principal do World Creativity Day (WCD) 2026. O evento une embaixadores, talentos goianos e grandes nomes do mercado em uma celebração descentralizada da criatividade e inovação.
Nesta edição, o foco converge para a Inteligência Artificial (IA) e a Economia Criativa, ao posicionar as áreas como motores essenciais de escala para negócios e transformação social, além de fazer com que ideias resultem em soluções urbanas concretas.
O chefe do Executivo goiano afirmou na última sexta-feira (17), em entrevista à Rádio Difusora Goiânia, que Goiás é um exemplo ao País de como utilizar recursos tecnológicos para potencializar a eficiência da segurança e de outras áreas da gestão pública.
“Demos um passo além e hoje utilizamos a tecnologia a nosso favor. Não existe nada igual no Brasil como o nosso sistema de inteligência artificial”, destacou, ao citar o programa IA Contra o Crime, que é visto como uma política pública que garante maior eficiência e celeridade na elucidação de crimes no Estado.

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De acordo com fontes próximas ao emedebista, inovação é um tema que o governador pretende aprofundar e aplicar em toda a gestão pública. “Vamos discutir ações para melhorar a qualidade do atendimento da saúde, por meio da modernização e utilização de tecnologia”, exemplificou. “A gente precisa modernizar de forma significativa a burocracia do Estado. Isso para facilitar a vida do cidadão, para que ele não perca tempo, que ele tenha facilidade e celeridade”, completou.
Na área da saúde, o governador citou a recente entrega da nova agência do Ipasgo que, além de ampliar os atendimentos, traz modernização aos serviços. Já na educação, o chefe do Executivo mencionou que a tecnologia faz parte da rotina escolar e que tem sido ferramenta para aprimorar o conhecimento dos estudantes da rede estadual. “Nossos alunos têm acesso a Chromebooks, levam para casa, utilizam constantemente”, comentou.
Combinação entre público e privado
O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé aponta medidas que podem favorecer as iniciativas do governo no que tange a investimentos em tecnologia e inovação.
“Do ponto de vista de gestão, Daniel pode dar sequência a esse trabalho de inovação aberta, que é quando o Estado chama a iniciativa privada para resolver uma dor que o Estado não conseguiu solucionar porque não sustentou a mão de obra, porque não existe um recurso disponível.”
Zancopé defende a inserção da iniciativa privada na esfera governamental no fornecimento de serviços oferecidos à população. “Que as ações inovadoras sejam cada vez mais efetivas, eficazes e eficientes para que possamos melhorar a maneira com que o Estado fornece serviços para a população. O Estado tem que ir atrás de inovação aberta na saúde, na segurança, na educação e na infraestrutura. Inovação aberta é uma das coisas que mais vamos falar nesse século XXI”, pontua o especialista. (Especial para O HOJE)