quinta-feira, 14 de maio de 2026
Ajuda financeira

Escândalo do pagamento de Vorcaro a Flávio pode beneficiar Caiado e Zema

Mensagens sobre pedido de dinheiro para filme de Jair Bolsonaro aumentam crise no PL e abrem disputa na direita por espaço na eleição presidencial

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 14 de maio de 2026
Flávio Bolsonaro
Caso atinge diretamente a imagem de Flávio e pode abrir espaço político para outros nomes conservadores. Foto: Jefferson Rudy Agência Senado

Bruno Goulart

As mensagens e áudios divulgados nesta quarta-feira (13) que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enquanto pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a pagar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), provocaram uma nova crise dentro da direita brasileira. O caso atinge diretamente a imagem de Flávio e pode abrir espaço político para outros nomes conservadores, principalmente os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo-MG).

As informações foram divulgadas pelo site Intercept Brasil. O material faz parte do conteúdo encontrado no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades no Banco Master.

Ajuda financeira

Segundo a reportagem, Flávio pediu ajuda financeira para concluir o filme sobre o pai. As conversas falam em um patrocínio de cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 120,7 milhões). Parte do dinheiro já teria sido paga até 2025. Em um dos áudios divulgados, o senador cobra o banqueiro e diz que a equipe do filme estava preocupada com parcelas atrasadas. “Fico sem graça de ficar te cobrando, mas está em um momento decisivo do filme”, afirmou Flávio na gravação. Em outra mensagem, o senador escreveu para Vorcaro: “Estou e estarei contigo sempre”.

O ponto que mais chamou atenção foi a data da conversa. Segundo a investigação, uma das mensagens foi enviada um dia antes da prisão de Vorcaro. Isso aumentou os questionamentos políticos sobre o caso, posto que, no áudio, o senador diz ter consciência do “momento difícil” que Vorcaro vinha passando. Apenas isso anula a narrativa da direita de que o político não sabia de nada.

No início do dia, Flávio negou qualquer ligação financeira com o banqueiro. Ao deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), chamou a informação de “mentira”. Mais tarde, porém, divulgou uma nota para confirmar que procurou Vorcaro para pedir patrocínio privado ao filme. 

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Na nota, Flávio afirmou que não houve uso de dinheiro público nem favorecimento político. O senador também defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master.

Caiado e Zema

Mesmo assim, o desgaste político foi imediato. Para o estrategista político Marcos Marinho, a crise pode ajudar diretamente os ex-governadores Caiado e Zema, que disputam o mesmo espaço político de Flávio Bolsonaro dentro da direita. “Poderia não ser nada demais se fosse apenas uma relação entre um empresário rico e alguém buscando patrocínio para um filme. Mas estamos falando de um pré-candidato à presidência e de um banqueiro investigado. Isso muda tudo”, afirma.

Segundo Marinho, o principal impacto não é jurídico, mas político. Na avaliação do estrategista, Caiado e Zema observam a crise como uma chance de crescer nacionalmente. “Tem muita gente feliz com essa crise e não é o Lula. Caiado e Zema já tentam entender como podem aproveitar essa situação”, diz.

O estrategista avalia que os três nomes disputam o mesmo eleitorado conservador e que uma possível fragilidade de Flávio pode acelerar a corrida pelo chamado espólio bolsonarista. “Não existe terceira via nesse caso. Todos estão no mesmo campo político da direita. O que muda agora é quem vai conseguir herdar os votos do bolsonarismo. A direita terá que fagocitar a própria direita”, afirmou.

Repercussão

Deputada federal e presidente estadual do PT, Adriana Accorsi criticou o senador e disse que o caso enfraquece o discurso do bolsonarismo. “Há poucos dias Flávio dizia que o caso do Banco Master estava ligado ao PT e ao presidente Lula. Antes, tinha negado contato com Daniel Vorcaro. Pego na mentira, o ‘cidadão de bem’ foi flagrado cobrando dinheiro do banqueiro”, declarou.

Já o deputado federal Zacharias Calil (MDB) afirmou ao O HOJE que Flávio se contradiz ao negar inicialmente o caso e depois admitir o contato com Vorcaro. “Achei contraditória a negação inicial e depois a confirmação. Isso deu munição para a esquerda”, afirma.

Por outro lado, o vereador por Aparecida de Goiânia Dieyme Vasconcelos (PL) saiu em defesa de Flávio. Segundo o parlamentar da cidade goiana, o senador não sabia das investigações contra Vorcaro quando buscou o dinheiro do dono do Banco Master. “Foi um patrocínio para o filme, não para ele. Na época, Vorcaro era visto apenas como um grande empresário”, afirma. Mesmo ao defender o senador, Dieyme admite que o episódio tem potencial para causar desgaste político. (Especial para O HOJE)

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