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Delegado é transferido após prisão de advogada em Cocalzinho, em Goiás

Medida ocorre após pressão da OAB-GO e leva Polícia Civil a criar regra que proíbe atuação em casos com envolvimento pessoal

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 23 de abril de 2026
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Delegado é transferido após prisão de advogada em Cocalzinho em Goiás. Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Goiás decidiu, nesta quarta-feira (22), afastar o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos das funções que exercia em Cocalzinho de Goiás. Ele foi transferido para Águas Lindas de Goiás após a repercussão da prisão da advogada Áricka Cunha, ocorrida no último dia 15, dentro do escritório da profissional.

A mudança foi oficializada por meio da Portaria nº 189/2026, que não concedeu período de transição, exigindo apresentação imediata do delegado na nova unidade. O caso também motivou a edição da Portaria nº 323/2026, que estabelece que delegados não podem conduzir investigações ou realizar prisões quando houver envolvimento pessoal ou emocional na ocorrência.

Delegado é transferido

A nova norma busca garantir imparcialidade nas ações policiais, evitando interferências subjetivas quando o agente público for parte interessada ou vítima. A medida foi vista como um avanço institucional pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Goiás (OAB-GO), que havia pressionado por providências após o episódio.

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Delegado é transferido após prisão de advogada em Cocalzinho em Goiás. Foto: Reprodução

Segundo o presidente da entidade, Rafael Lara, a regulamentação reforça a necessidade de isenção no exercício da função pública. Ele destacou que a atuação policial deve ser pautada por critérios técnicos, sem espaço para motivações pessoais.

O caso teve início após a advogada criticar nas redes sociais uma decisão do delegado, que havia arquivado uma denúncia de injúria feita por ela. Na ocasião, ele entendeu que a expressão “loira idiota”, dita por um servidor público, não configurava crime.

Após as críticas, o delegado foi até o escritório da advogada e efetuou a prisão em flagrante por difamação. Áricka foi algemada e liberada posteriormente mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil.

Em resposta às acusações, o delegado afirmou em redes sociais que agiu para defender sua honra e alegou estar sendo alvo de ataques.

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