quinta-feira, 23 de abril de 2026
preconceito

Pesquisador ligado à UFG e UnB sofre ataques após estudo sobre a comunidade LGBT+ em Goiás

Trabalho com destaque nacional expõe estigmas na imprensa e desencadeia onda de ofensas nas redes; universidades repudiam episódios

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 23 de abril de 2026
LGBTQIA+
Pesquisador ligado à UFG e UnB sofre ataques após estudo sobre LGBTQIA+ em Goiás. Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal/ Foto cedida ao portal Mais Goiás

O jornalista e pesquisador Antônio Guilherme de Lima Santos passou a ser alvo de ataques de ódio e manifestações homofóbicas nas redes sociais após sua pesquisa acadêmica ganhar projeção nacional. O estudo, desenvolvido por um egresso da Universidade Federal de Goiás e atualmente doutorando da Universidade de Brasília, analisa os estigmas e os discursos jornalísticos relacionados à comunidade LGBTQIA+ em veículos de comunicação da Região Norte.

A repercussão do trabalho se intensificou depois que ele foi selecionado para o quadro “Bolsista em Destaque”, promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da Educação. A visibilidade trouxe reconhecimento no meio acadêmico, mas também desencadeou uma onda de ataques nas redes, com tentativas de deslegitimar a pesquisa e ofensas de cunho preconceituoso.

Pesquisador sofre ataques após estudo sobre LGBTQIA+

Em entrevista ao portal Mais Goiás, o pesquisador explicou que as críticas não foram direcionadas diretamente ao seu perfil pessoal, mas surgiram em publicações de terceiros. Ainda assim, ele destacou o impacto da situação, sobretudo por ocorrer em um momento de valorização acadêmica. Para ele, a reação negativa reforça a importância de investigar o tema, especialmente dentro do jornalismo, onde questões subjetivas e estruturais influenciam a produção de conteúdo.

O pesquisador também observa que a abordagem da temática LGBTQIA+ ainda provoca reações intensas e polarizadas. Segundo ele, a simples menção à sigla já altera o tom do debate, evidenciando preconceitos e resistências que, muitas vezes, confirmam as hipóteses de sua pesquisa sobre a persistência de estereótipos.

LGBTQIA+
Pesquisador ligado à UFG e UnB sofre ataques após estudo sobre LGBTQIA+ em Goiás. Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal/ Foto cedida ao portal Mais Goiás

O estudo é um desdobramento de trabalhos anteriores realizados desde a graduação na Universidade Federal do Acre. Ao longo da trajetória acadêmica, ele investigou como padrões heteronormativos influenciam a construção de narrativas jornalísticas e a reprodução de preconceitos. Em uma análise comparativa de veículos digitais, identificou que a presença de profissionais LGBTQIA+ em cargos de decisão pode impactar diretamente na frequência e na abordagem dessas pautas.

Para o pesquisador, o jornalismo exerce papel central na formação da opinião pública e pode contribuir para desconstruir visões discriminatórias. Ele também destacou a importância do apoio institucional recebido, ressaltando que o acolhimento das universidades tem sido fundamental para enfrentar a situação.

Em nota conjunta, UFG e UnB repudiaram os ataques, classificando-os como inaceitáveis e como violação da liberdade científica e dos direitos humanos. As instituições reafirmaram o compromisso com a produção de conhecimento e com a manutenção de um ambiente acadêmico baseado no respeito, no diálogo e na diversidade.

Nota conjunta da UnB e UFG:

“O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Goiás (PPGCOM/UFG) e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (PPGCOM/UnB) expressam publicamente seu mais forte apoio e solidariedade ao jornalista e pesquisador Antônio Guilherme de Lima Santos.

Egresso do mestrado em Comunicação do PPGCOM/UFG e atual doutorando em Comunicação do PPGCOM/UnB, Guilherme Lima tem sido vítima de ataques homofóbicos e manifestações de ódio em redes sociais após a recente e meritória repercussão de sua pesquisa de mestrado, intitulada: “Discursos jornalísticos sobre a comunidade LGBTI+: uma análise comparada nas afiliadas do portal de notícias G1 da Região Norte”.

Após ser publicado pelo Jornal UFG, o estudo ganhou destaque nos canais oficiais da CAPES e em vários veículos jornalísticos, especialmente no Acre. O trabalho é um exemplo de rigor acadêmico e importância social, contribuindo significativamente para o campo da Comunicação e para o progresso da democracia e dos direitos dos grupos minoritários no Brasil.

É inaceitável que a produção de conhecimento científico, voltada para a análise das dinâmicas sociais e midiáticas, seja empregada como justificativa para a prática da violência, incitação do ódio e perpetuação de preconceitos. Os ataques direcionados ao jornalista Guilherme Lima não apenas ferem sua individualidade e dignidade, mas também constituem uma violação direta da liberdade científica e dos direitos humanos.

Os Programas de Pós-Graduação em Comunicação da UFG e da UnB reiteram seu compromisso com uma ciência ética, inclusiva e plural. Não aceitaremos que preconceito e ódio tentem silenciar a produção acadêmica ou intimidar nossos alunos e ex-alunos. As universidades são, acima de tudo, ambientes de diálogo, alteridade e respeito. Manifestamos nossa solidariedade a Guilherme Lima, a seus familiares e a todos os(as) pesquisadores(as) que, de alguma maneira, se sentem ou são ameaçados pelo crescimento da intolerância. Continuamos atentos na defesa firme da ciência, da liberdade de expressão e dos direitos humanos inalienáveis.”

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