quinta-feira, 23 de abril de 2026
MUNDO DO TRABALHO

Novo Estatuto do Aprendiz é aprovado na Câmara: veja o que pode mudar para jovens trabalhadores

Texto aprovado segue agora para o Senado, onde será analisado antes de possível sanção e implementação das novas regras

Thais Munizpor Thais Muniz em 23 de abril de 2026
Aprendiz
Jovem Aprendiz

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (22), o projeto de lei que cria o Estatuto do Aprendiz, voltado à regulamentação da contratação e formação profissional de jovens no Brasil. O texto segue agora para análise do Senado Federal.

O texto reformula regras do contrato de aprendizagem e amplia direitos para o público-alvo, formado por jovens de 14 a 24 anos e pessoas com deficiência. A matéria é de autoria do ex-deputado André de Paula e foi aprovada na forma de um substitutivo apresentado pela deputada Flávia Morais (PDT-GO).

Segundo a relatora, o estatuto busca fortalecer a política de aprendizagem como ferramenta de inclusão social e combate ao trabalho infantil. Dados do IBGE citados no debate mostram que 22,3% dos jovens entre 15 e 29 anos no Brasil não estudam nem trabalham.

Para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a aprovação do projeto representa um avanço na inserção da juventude no mercado de trabalho.

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Durante a tramitação, houve a apresentação de destaques que propunham alterações relevantes, como a exclusão de funções da base de cálculo da cota de aprendizagem e a redução de penalidades. Essas medidas poderiam impactar significativamente o número de oportunidades disponíveis. No entanto, após intensa articulação institucional e mobilização social, tais propostas foram rejeitadas, garantindo a integridade do projeto aprovado.

A aprovação reflete um esforço coordenado entre entidades, especialistas e parlamentares ao longo de mais de sete anos de discussão. A atuação da Federação Brasileira de Associações Socioeducacionais de Adolescentes (Febraeda) foi central nesse processo, acompanhando a evolução do projeto desde sua origem e contribuindo para a conscientização sobre a importância da aprendizagem como política pública estruturante.

Além da articulação institucional, a mobilização da sociedade teve papel decisivo. A campanha em defesa da aprendizagem gerou mais de 300 mil interações nas redes sociais, ampliando a visibilidade do tema e reforçando a necessidade de preservar oportunidades para jovens em todo o país.

A expectativa é de que o texto seja apreciado no Senado mantendo seus princípios, com foco na ampliação do acesso ao primeiro emprego, na qualificação profissional e na inclusão produtiva de adolescentes e jovens.

Para as entidades envolvidas, o momento é de reconhecimento do avanço, mas também de continuidade da mobilização. A aprovação definitiva do Estatuto do Aprendiz no Senado será fundamental para consolidar uma política pública que impacta diretamente o futuro de milhões de jovens brasileiros.

A decisão histórica vem de encontro ao Dia Internacional do Jovem Trabalhador, que é celebrado no dia 24 de abril. A data foi instituída pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e destaca a importância da inserção de jovens no mercado, promovendo o primeiro emprego, aprendizado profissional e combate ao trabalho infantil, valorizando o desenvolvimento de competências que moldam o futuro do trabalho.

“A aprovação do Estatuto configura um momento histórico e de muita alegria para a aprendizagem profissional brasileira. A proposta deve ampliar de forma relevante a presença de jovens no mercado de trabalho, contribuindo para superar a marca de 1 milhão de contratações em todo o Brasil”, afirma Humberto Casagrande, CEO do Centro de Integração Empresa-Escola- CIEE.

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