“Eu duvidei que era assédio”, diz vítima de ginecologista preso em Goiânia
Paciente afirma que comportamento do médico causava dúvidas e desconforto durante consultas
O ginecologista Marcelo Arantes e Silva foi preso nesta quinta-feira (23), em Goiânia, após ser investigado por uma série de denúncias de abuso sexual contra pacientes. O caso ganhou grande repercussão no estado nos últimos dias e é apurado pela Polícia Civil.
De acordo com as investigações, os supostos crimes teriam ocorrido durante consultas e exames ginecológicos. A polícia trata o caso como prioritário, diante da possibilidade de haver outras vítimas. A divulgação do nome e da imagem do médico foi autorizada com base na legislação, com o objetivo de incentivar novas denúncias.
Após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (23), a Justiça decidiu manter a prisão do investigado.
Uma das vítimas relatou ao jornal O HOJE que conheceu o médico por indicação para a realização de um procedimento cirúrgico, e que, a partir disso, ele passou a acompanhá-la também em consultas ginecológicas de rotina.
Segundo o relato, o comportamento do profissional gerava desconforto e dúvidas. “Ele fazia comentários sobre partes íntimas que não condizem com a postura de um médico. Eram falas que me deixavam sem saber se aquilo era normal ou não”, afirmou.
A paciente também relatou que era chamada para retornos frequentes ao consultório, mesmo quando acreditava que o problema poderia ser resolvido em menos consultas. “Teve mês em que fui até quatro vezes. Hoje eu vejo que isso pode ter sido uma forma de manter contato constante”, disse.
Outro ponto mencionado foi a forma como o médico conduzia atendimentos, com atitudes consideradas inadequadas. “Era um comportamento muito velado. Isso faz com que a gente duvide se está sendo vítima de algo errado”, relatou.
A vítima afirma que só reconheceu a gravidade da situação após outras denúncias virem à tona. “Quando começaram a surgir outros casos, eu tive certeza de que também fui vítima”, declarou.
O caso segue sob investigação, e a polícia reforça a importância de que possíveis vítimas procurem as autoridades para registrar denúncia.