Justiça argentina ordena confisco de bens da ex-presidente Kirchner
Defesa da ex-presidente havia recorrido da decisão de primeira instância, mas não obteve êxito
Um tribunal de recursos da Argentina confirmou a decisão de primeira instância e manteve o confisco de bens da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, no âmbito da condenação por corrupção que resultou em pena de seis anos de prisão. A informação foi divulgada pelo jornal argentino La Nación nesta sexta-feira (24).
A medida reforça a determinação judicial que obriga Kirchner e outros condenados a pagar cerca de US$ 500 milhões em indenizações. A defesa da ex-presidente havia recorrido da decisão, mas não obteve êxito.
Condenação de Cristina Kirchner
O caso remonta à condenação de 2022, mantida posteriormente pela Suprema Corte argentina, que também determinou a inelegibilidade da ex-presidente. A investigação apura um esquema de fraude na concessão de obras rodoviárias na Patagônia, com suspeitas de direcionamento de contratos a empresas ligadas ao empresário Lázaro Báez durante os mandatos de Kirchner.
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De acordo com o processo, houve irregularidades como superfaturamento e obras não concluídas. Para os promotores, parte dos recursos desviados teria retornado ao círculo da ex-presidente.
Segundo o La Nación, Kirchner transferiu propriedades aos filhos como adiantamento de herança, incluindo hotéis e apartamentos no sul do país, o que também entrou no radar das investigações patrimoniais.
Atualmente, a ex-presidente cumpre a pena em regime domiciliar, em um apartamento em Buenos Aires, de onde segue atuando politicamente à frente do Partido Justicialista. O Código Penal argentino prevê a perda de direitos políticos para condenados por esse tipo de crime.
Durante o julgamento, que teve início em 2019, o promotor Diego Luciani afirmou que esta é provavelmente a maior manobra de corrupção já conhecida no país ao sustentar a acusação.