quarta-feira, 29 de abril de 2026
saúde municipal

Denúncias na saúde levam a pedido de afastamento de secretário de Saúde de Goiânia

Abaixo-assinado com milhares de assinaturas pede reabertura de serviços e responsabilização, enquanto representação ao Ministério Público aponta falhas na gestão

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 29 de abril de 2026
saúde
Divulgação/SMS

Lideranças comunitárias e integrantes de conselhos de saúde de Goiânia intensificaram a pressão sobre a gestão municipal e formalizaram um pedido ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) para o afastamento imediato do secretário municipal de Saúde, Luiz Gaspar Machado Pellizzer. 

A representação aponta possíveis falhas graves na condução da pasta, incluindo suspeitas de prevaricação, omissão de socorro e improbidade administrativa, em meio a um cenário de insatisfação crescente com os serviços oferecidos à população.

O documento foi encaminhado à 88ª Promotoria de Justiça e solicita, além do afastamento, a realização de uma audiência pública para discutir a situação da saúde na Capital. Também pede que o MP avalie a abertura de uma Ação Civil Pública (ACP), caso sejam constatadas irregularidades. 

O requerimento é acompanhado por um abaixo-assinado que já reúne cerca de 8 mil assinaturas de moradores da região, demonstrando a insatisfação da população com a situação da saúde na em Goiânia. O movimento ganhou força principalmente após as mudanças no atendimento do Cais Amendoeiras.  

De acordo com a presidente do Conselho Local de Saúde da região do Cais Amendoeiras, Roqsânia Teixeira de Faria, a iniciativa surge como resposta direta às dificuldades enfrentadas pela população. “Nós apresentamos o requerimento, agora cabe ao promotor de justiça analisar e, diante da situação enfrentada pela população goianiense quanto à má prestação do serviço público de saúde, ajuizar a Ação Civil Pública, caso não haja o cumprimento da recomendação”, afirmou.

Além disso, ela destaca a expectativa por uma resposta mais firme das autoridades. “Estamos confiantes. Caso não haja o cumprimento da recomendação pela Prefeitura, o Ministério Público deverá avançar com a ACP e avaliar o nosso pedido de afastamento para garantir justiça e proteger a população”, completou.

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Cais Amendoeiras expõe fragilidades da rede

A mobilização ocorre em um contexto mais amplo de questionamentos sobre a estrutura e o funcionamento da rede municipal de saúde. Um dos principais pontos de tensão é a situação do Cais Amendoeiras, onde o atendimento de urgência e emergência foi suspenso há cerca de seis meses. 

Desde então, moradores relatam dificuldades para conseguir atendimento, sendo obrigados a se deslocar para unidades mais distantes, como a UPA do Jardim Novo Mundo e outros Cais da Capital, o que tem provocado sobrecarga e ampliado o tempo de espera.

Durante audiência extrajudicial no Ministério Público, representantes da comunidade relataram problemas como falta de insumos, superlotação e estrutura precária nas unidades de saúde. Segundo os depoimentos, mais de 40 mil moradores são afetados pela ausência do atendimento de urgência, além das dificuldades de deslocamento, especialmente entre idosos. 

Outro ponto que chama atenção é a situação dos equipamentos da unidade. Há relatos de aparelhos de raio-X inoperantes, o que compromete a realização de exames básicos e impacta diretamente a qualidade do atendimento. Além disso, moradores afirmam que a farmácia não funciona em tempo integral e que há déficit de profissionais, fatores que agravam ainda mais o cenário.

Apesar das críticas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou, em nota, que o Cais Amendoeiras não foi fechado, mas passou por uma reorganização do perfil assistencial. Segundo a pasta, a unidade atualmente concentra atendimentos ambulatoriais especializados em diversas áreas e já realizou mais de 5 mil atendimentos apenas em 2026. A secretaria também afirma que as decisões seguem critérios técnicos e fazem parte de um planejamento para reorganizar a rede de saúde.

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Apuração em andamento e cobrança por respostas

Procurado, o Ministério Público de Goiás confirmou que a demanda foi recebida e está em fase de apuração, sem prazo definido para uma manifestação oficial. A expectativa das lideranças é que o órgão avalie a consistência das denúncias e adote medidas cabíveis, caso identifique irregularidades na gestão.

Enquanto isso, a pressão por respostas concretas segue aumentando. Para os representantes da comunidade, o debate ultrapassa questões administrativas e envolve diretamente o direito fundamental à saúde. A cobrança é por ações efetivas que garantam atendimento digno, acesso facilitado e uma rede pública capaz de atender às necessidades da população.

Nesse cenário, a possível abertura de uma Ação Civil Pública e o pedido de afastamento do secretário passam a representar não apenas um movimento político, mas uma tentativa de reverter um quadro que, segundo moradores, já impacta diretamente o dia a dia de milhares de pessoas na Capital.

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