Taxa de juros

Corte da Selic pode impulsionar Goiás em meio à pressão da guerra e da energia

Com economia puxada pelo agro e pelo comércio, o Estado de Goiás pode sentir estímulo no crédito e no consumo, mas inflação e cenário externo ainda limitam alívio imediato

Letícia Leitepor Letícia Leite em 1 de maio de 2026
4 abre Taxa Selic Foto Marcello Casal Jr ABr
Mas o impacto no bolso não será imediato: inflação elevada, petróleo mais caro e reajustes na conta de luz em parte do País ainda pressionam o custo de vida. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Mesmo em meio às incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) decidiu seguir com o corte da taxa básica de juros da economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros para 14,5% ao ano, segunda queda consecutiva após um longo período de estabilidade em patamar elevado. A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado financeiro.  

Na prática, a redução da Selic tende a estimular a economia porque barateia o crédito, facilita financiamentos, incentiva o consumo e amplia a capacidade de investimento das empresas. Mas esse efeito não chega de forma imediata ao bolso do consumidor.

A economista Greice Guerra explica que o corte é positivo porque aumenta a circulação de dinheiro na economia e pode fortalecer tanto o consumo das famílias quanto o setor produtivo. Segundo ela, isso tende a favorecer o crescimento econômico de maneira mais ampla.

O reflexo, no entanto, não é instantâneo. Isso porque, apesar da redução dos juros, a inflação segue pressionada. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), prévia da inflação oficial, acelerou para 4,37% no acumulado de 12 meses, muito próximo do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,5%.  

Para Goiás, onde a economia é fortemente sustentada pelo agronegócio, comércio e serviços, a redução da Selic pode representar uma oportunidade de aquecimento econômico. O crédito mais barato tende a beneficiar produtores rurais no custeio da produção, empresários que dependem de capital de giro e consumidores que recorrem ao parcelamento para compras.

Na avaliação da especialista, todos os setores acabam sendo beneficiados quando os juros recuam, justamente porque o dinheiro se torna menos caro. Mas há um fator que pesa contra esse movimento: a guerra no Oriente Médio.

O conflito elevou o preço internacional do petróleo e reacendeu pressões inflacionárias no mundo inteiro. Como consequência, combustíveis mais caros aumentam os custos do transporte, pressionam fretes e encarecem os alimentos, o que impacta diretamente Estados com forte logística rodoviária, como Goiás.

Esse efeito em cadeia preocupa o Banco Central. No comunicado divulgado após a decisão, o Copom deixou claro que os próximos passos dependerão da evolução do cenário externo, da inflação doméstica e do comportamento do câmbio.  A cautela se explica porque, embora juros menores ajudem a economia a crescer, eles também podem dificultar o controle da inflação se os preços seguirem pressionados. Por isso, a orientação dos especialistas segue sendo de prudência.

Conta de luz pressiona inflação, mas Goiás escapa de reajuste

Se a guerra e os combustíveis já acenderam um alerta sobre inflação, outro fator de peso entrou no radar do consumidor: a energia elétrica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajustes tarifários para oito distribuidoras do País, com aumentos médios entre 5% e 15%, impactando mais de 22 milhões de unidades consumidoras. Entre os fatores que pressionaram as revisões estão encargos setoriais, compra e transmissão de energia.  

Apesar disso, Goiás ficou fora dessa rodada de reajustes. O Estado não está entre as distribuidoras que tiveram aumento autorizado neste momento, o que representa um alívio temporário para os consumidores goianos. Ainda assim, o impacto pode chegar de forma indireta. Isso porque produtos fabricados em Estados atingidos pelo reajuste energético podem ficar mais caros e esse custo tende a ser repassado ao longo da cadeia produtiva, inclusive para Goiás.

O setor industrial e de beneficiamento de produtos agrícolas é um dos mais sensíveis a esse movimento, já que a energia é insumo essencial na produção. A própria Aneel projeta que, na média nacional, a conta de luz deve subir cerca de 8% em 2026, percentual acima da inflação estimada para o período, o que amplia a pressão sobre o custo de vida.  

No fim das contas, o cenário econômico para os próximos meses mistura alívio e cautela. De um lado, juros menores podem estimular consumo e produção. De outro, guerra, petróleo caro, inflação persistente e energia mais cara mantêm a pressão sobre o orçamento.

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