Exportação de frutas cresce no Brasil e setor mira Ásia até 2030
País amplia presença global com alta de 38% em valor exportado e busca novos mercados além da Europa
O Brasil vem consolidando sua posição como um dos principais players globais na fruticultura, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela diversificação de mercados. Atualmente, o país ocupa a terceira colocação entre os maiores produtores de frutas do mundo e, nos últimos dez anos, registrou aumento de 38% no valor exportado e de 62% no volume embarcado.
Em 2025, as exportações brasileiras de frutas alcançaram cerca de US$ 1,5 bilhão, com saldo positivo próximo de US$ 400 milhões na balança comercial. O desempenho reflete, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas, um processo de organização da cadeia produtiva iniciado a partir de 2013, aliado à ampliação da presença internacional.
Diversificação e competitividade no campo
A pauta exportadora é liderada por produtos como manga, uva, limão, melão, melancia e mamão. A manga se destaca em valor agregado, enquanto limão e melão lideram em volume. Ao mesmo tempo, frutas consideradas “premium”, como o avocado, ganham espaço, impulsionadas pela demanda global por alimentos saudáveis.

Um dos principais diferenciais do Brasil está na capacidade de produzir ao longo de todo o ano, graças à diversidade climática. Essa característica permite atender mercados internacionais em períodos de entressafra no hemisfério norte, ampliando a competitividade frente a outros países produtores.
Europa lidera, mas Ásia entra no radar
Atualmente, cerca de 60% das exportações brasileiras têm como destino a Europa. No entanto, o setor tem direcionado esforços para expandir sua presença na Ásia, considerada estratégica para o crescimento até 2030.
Países como China e Índia vêm ganhando relevância com a abertura de mercado para frutas brasileiras, incluindo limão, maçã e avocado. A expectativa é de que o aumento da renda e da urbanização nesses países impulsione a demanda por frutas frescas nos próximos anos.
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Logística e desafios estruturais
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios logísticos importantes. A maior parte das exportações ocorre por via marítima, o que exige planejamento rigoroso para garantir qualidade e conservação dos produtos. Frutas mais sensíveis, por outro lado, dependem do transporte aéreo, que eleva os custos operacionais.
Além disso, gargalos em infraestrutura e custos de transporte interno ainda impactam a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, especialmente quando comparado a concorrentes mais próximos dos grandes centros consumidores.
Mercado interno e cenário em Goiás
Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno segue robusto e ainda demanda importação de frutas como pera, pêssego e ameixa. Ainda assim, o saldo comercial permanece positivo, sustentado pela força da produção nacional.
Em Goiás, o comportamento dos preços apresenta dinâmica própria. De acordo com a Ceasa Goiás, frutas como mamão e abacaxi mantêm estabilidade, enquanto a melancia registrou alta de quase 50%, influenciada pela entressafra e pela necessidade de importação de outros estados.

A banana-maçã teve leve queda, ainda em patamar elevado, enquanto a laranja apresentou aumento moderado. Segundo técnicos da central, o mercado de frutas tende a ser mais estável que o de hortaliças, mas sofre influência de fatores sazonais e de consumo, como períodos religiosos.
Pressão climática e impacto nos preços
No segmento de hortaliças, o cenário é mais volátil. Chuvas intensas recentes provocaram alta expressiva nos preços, com destaque para a vagem, que subiu mais de 64% e chegou a R$ 230 a caixa. Produtos como cenoura, beterraba e cebola também registraram elevação.
A expectativa é de que, com a chegada do período mais frio entre maio e junho, haja ajuste na oferta e possível reversão de preços para alguns itens. Ainda assim, as projeções indicam manutenção de pressão no curto prazo.
Com avanço nas exportações, diversificação de mercados e fortalecimento da cadeia produtiva, a fruticultura brasileira segue em trajetória de crescimento. O desafio, agora, passa por ampliar a presença internacional, especialmente na Ásia, ao mesmo tempo em que equilibra custos logísticos e mantém estabilidade no mercado interno – um movimento que impacta diretamente estados produtores e consumidores, como Goiás.