terça-feira, 28 de abril de 2026
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Crédito de R$ 10 bi em máquinas agrícolas depende de condições viáveis

Anunciado por Geraldo Alckmin na Agrishow, crédito do programa Move Brasil amplia financiamento para máquinas e tecnologias

Anna Salgadopor Anna Salgado em 28 de abril de 2026
Moedas em plantação, analogia ao investimento no agro
Foto: Envato

O agronegócio brasileiro ganhou um novo estímulo com o anúncio feito pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). A medida prevê a criação de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões destinada à modernização de máquinas e implementos agrícolas. Inserida no programa Move Brasil, a iniciativa tem como foco a renovação da frota nacional, com incentivo à inovação, pesquisa e desenvolvimento. Em Goiás, um dos principais polos da produção agrícola do País, a expectativa é de impactos diretos na eficiência produtiva e na economia regional.

 

A nova linha será financiada com recursos do superávit do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), sob gestão da Finep. A proposta amplia o acesso ao crédito ao permitir que cooperativas agrícolas financiem diretamente não apenas máquinas tradicionais, como tratores e colheitadeiras, mas também tecnologias voltadas à agricultura digital. A expectativa é que a modalidade esteja disponível entre 20 e 30 dias.

 

Segundo Alckmin, os recursos serão operacionalizados por instituições como o Banco do Brasil, bancos privados e cooperativas, com a previsão de taxas de juros mais baixas para viabilizar a renovação de equipamentos. Embora os percentuais ainda não tenham sido detalhados, o setor projeta condições mais competitivas diante das restrições de crédito observadas em safras anteriores.

 

Em Goiás, a modernização da frota é considerada estratégica para a manutenção da competitividade no mercado global. O Estado já investe em mecanização por meio de iniciativas como o programa Mecaniza Campo, coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Recentemente, foram entregues 16 máquinas a 15 municípios, em um investimento de R$ 6,1 milhões voltado à melhoria da infraestrutura rural e ao escoamento da produção.

 

Desde 2019, o programa soma a entrega de mais de 1.384 equipamentos em 243 municípios, com investimentos superiores a R$ 281,28 milhões. Esse histórico, aliado ao novo aporte federal, amplia as condições para avanços tecnológicos no campo. A disponibilização de equipamentos como retroescavadeiras, caminhões e tratores contribui para a manutenção de estradas vicinais, reduz custos logísticos e impacta diretamente a rentabilidade da produção.

 

A nova linha de crédito também deve impulsionar a adoção da agricultura de precisão em Goiás. O acesso facilitado a máquinas mais modernas permite otimizar o uso de insumos, reduzir desperdícios e elevar a produtividade. Em 2025, o setor já apresentava sinais de crescimento, com aumento de 18% nas vendas de tratores em relação ao ano anterior, impulsionado pela demanda por renovação da capacidade produtiva.

 

O impacto econômico da modernização é direto: equipamentos mais eficientes reduzem custos de manutenção e ampliam a disponibilidade operacional em períodos críticos, como plantio e colheita. Esse cenário reforça o papel do agronegócio como base da economia estadual, em um contexto em que a renda do setor no Brasil deve atingir R$ 1,6 trilhão em 2026.

 

Apesar das perspectivas positivas, representantes do setor apontam a necessidade de atenção às dívidas rurais. O vice-presidente antecipou que o governo federal prepara um programa de renegociação voltado a produtores adimplentes e inadimplentes, com o objetivo de ampliar a capacidade de investimento.

Geraldo Alckimin
Foto: Cadu Gomes/VPR

 

Condições viáveis

 

Especialistas técnicos em Goiás, como Edson Novaes, gerente técnico da Getec, avaliam que a iniciativa precisa apresentar condições viáveis. Segundo ele, medidas anteriores com juros entre 19% e 23% ao ano foram consideradas incompatíveis com a realidade do campo, especialmente diante da queda nos preços das commodities e da elevação dos custos de produção. Para o setor, a efetividade da nova linha de crédito depende de condições que garantam fôlego financeiro ao produtor.

 

A combinação entre o crédito federal, programas estaduais e a estrutura produtiva goiana tende a fortalecer o desempenho nas próximas safras. Com a previsão de entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia em 1º de maio, a expectativa é de redução tarifária e ampliação das exportações, o que aumenta a demanda por eficiência e qualidade.

 

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Tags:
Agro
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