Disputa no STF pode redefinir fronteira e mudar controle de área na Chapada dos Veadeiros
Goiás e Tocantins brigam por área turística de 129 km²; processo está suspenso para estudos técnicos conjuntos até junho
Uma área de grande valor ambiental e turístico no coração do Brasil está no centro de uma disputa judicial entre Goiás e Tocantins. O território, com cerca de 129 quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 13 mil campos de futebol, fica na Chapada dos Veadeiros e é reivindicado pelos dois estados.
O governo de Goiás afirma que a área está sendo ocupada de forma indevida por Tocantins. Já o estado vizinho sustenta que a região faz parte de seu território. Diante do impasse, ambos concordaram, em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), em suspender temporariamente a ação para a realização de estudos técnicos conjuntos. O prazo estabelecido vai até 22 de junho.
A disputa teve início formal em novembro de 2025, quando a Procuradoria-Geral do Estado de Goiás ingressou com uma ação no STF. Segundo o órgão, a área localizada ao norte de Cavalcante, conhecida como Quilombo Kalunga dos Morros, estaria sob atuação administrativa de Tocantins, incluindo a oferta de serviços públicos. A região faz divisa com o município de Paranã (TO).
Disputa no STF
Entre os pontos citados no processo está a instalação de um portal turístico no Complexo do Prata com a mensagem “Bem-vindo ao Tocantins – o turismo começa aqui”, em uma área que Goiás considera sua. O local é um dos mais visitados da Chapada dos Veadeiros, conhecido por suas cachoeiras e águas cristalinas.

Goiás argumenta que a controvérsia teria origem em um erro na Carta Topográfica “São José”, produzida pelo Exército em 1977. Segundo o estado, o documento teria confundido o Rio da Prata com o Córrego Ouro Fino, gerando divergências na definição da divisa. O Exército, no entanto, nega qualquer equívoco e afirma que os dados estão corretos.
Na ação, Goiás pede a definição dos limites territoriais com base em referências naturais e a desocupação da área por parte de Tocantins. O pedido se apoia em estudos técnicos que analisaram mapas e legislações históricas.
Cachoeiras e trilhas
Durante audiência realizada em abril, sob condução do ministro Cristiano Zanin, ficou definida a criação de um grupo de trabalho com representantes dos dois estados para aprofundar a análise técnica e buscar uma solução consensual.
Autoridades locais também se manifestaram. O prefeito de Cavalcante afirma que as famílias da região sempre viveram como goianas, utilizando serviços públicos do município. Já o governo de Tocantins informou que reúne documentos e estudos para comprovar que a área pertence ao estado.
Leia também: Assembleia devolve R$ 550 milhões ao Estado e recursos vão financiar pacote de obras rodoviárias em Goiás
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacou que não é responsável por definir divisas estaduais, mas reconheceu que há lacunas legais na delimitação territorial no Brasil, o que contribui para disputas como essa.
Enquanto não há definição, a área segue como um dos destinos mais procurados do ecoturismo nacional, agora também marcada por uma disputa que pode redesenhar fronteiras estaduais.
Concurso Público
Educação
crime
mandante estaria em São Paulo
recuperação
A CASA CAIU!
prisão
DEVOLUÇÃO DE R$500 MI