sábado, 10 de outubro de 2026
saúde municipal

Raio-X opera com limitações e impacta atendimento na rede pública de Goiânia

Falta de manutenção, insumos e gestão contratual comprometem exames essenciais e sobrecarregam unidades ativas

Renata Ferrazpor em
Raio-X
Divulgação/SMS

A precariedade do serviço de raio-X na rede municipal de Goiânia levou a Prefeitura a anunciar uma nova licitação como tentativa de reorganizar o atendimento. A medida vem após uma sequência de reclamações de pacientes e denúncias sobre falhas estruturais nas unidades de saúde. 

No entanto, mais do que a abertura de um novo processo de contratação, o cenário levanta questionamentos, um deles seria o por que o serviço chegou a esse nível de instabilidade, quanto tempo a população ficou desassistida e se a nova proposta será suficiente para resolver, de forma definitiva, o problema.

Atualmente, das 11 unidades de saúde que possuem equipamentos de radiologia, apenas sete operam normalmente. As outras quatro enfrentam funcionamento irregular, o que reduz a capacidade da rede e compromete o acesso ao diagnóstico. Diante disso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirma que o novo processo licitatório tem como objetivo ampliar e qualificar a oferta de exames, com previsão de normalização até o fim de maio, caso o cronograma seja cumprido.

Rede reduzida e impacto direto no atendimento da população

Com parte dos equipamentos fora de operação, a rede municipal passou a funcionar de forma limitada, concentrando os exames em poucas unidades. Como consequência, pacientes enfrentam deslocamentos maiores, aumento no tempo de espera e sobrecarga nas unidades que seguem em funcionamento.

Além disso, o exame de raio-X é essencial na rotina médica, especialmente em casos de urgência, como suspeitas de fraturas, infecções pulmonares e outras condições que exigem diagnóstico rápido. Quando o serviço não está disponível, o atendimento perde eficiência e pode atrasar decisões clínicas importantes. Em alguns casos, há relatos de improvisos, como análise de exames de forma precária ou necessidade de encaminhamento para outras unidades, o que prolonga ainda mais o atendimento.

Esse cenário gera um efeito em cadeia. À medida que uma unidade deixa de oferecer o exame, outras passam a receber uma demanda maior do que a capacidade planejada, resultando em filas, demora e desgaste para pacientes e profissionais de saúde. A situação também impacta diretamente quem depende exclusivamente do sistema público e não tem alternativa na rede privada.

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Falhas operacionais e limitações do modelo atual

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De acordo com a própria Secretaria Municipal de Saúde, a limitação do serviço está relacionada a dificuldades da empresa contratada em garantir a execução integral do contrato. A pasta reconhece que o modelo atual apresenta gargalos operacionais, especialmente devido à rigidez contratual, que dificulta a reposição de peças, a manutenção dos equipamentos e a continuidade do serviço.

Na prática, isso significa que, quando um aparelho apresenta problema, o tempo para reparo pode ser longo, já que depende de processos burocráticos. Esse tipo de limitação contribui para que equipamentos fiquem inoperantes por períodos prolongados, afetando diretamente a oferta de exames.

Além disso, especialistas apontam que problemas como falta de insumos e ausência de manutenção preventiva indicam falhas não apenas na execução do contrato, mas também na fiscalização e no planejamento do serviço. O resultado é um sistema que funciona de forma instável, sem conseguir garantir regularidade em um procedimento considerado básico dentro da assistência em saúde.

Esse quadro se soma a outros desafios enfrentados pela rede municipal, como falta de profissionais em determinadas áreas e mudanças estruturais em unidades de atendimento, o que reforça a percepção de fragilidade no sistema como um todo.

Nova licitação tenta corrigir problemas, mas solução será gradual

Diante desse cenário, a Prefeitura estruturou um novo modelo de contratação, com a proposta de tornar o serviço mais eficiente e menos dependente de processos burocráticos. Entre as mudanças previstas está a possibilidade de realizar a substituição de peças e equipamentos diretamente dentro do contrato, sem necessidade de abrir novos processos licitatórios, o que pode reduzir significativamente o tempo de manutenção.

Outro ponto destacado é a ampliação da cobertura. Com o novo contrato, a expectativa é que o serviço de raio-X seja expandido para até 17 unidades de saúde. Além dos equipamentos já existentes, o modelo prevê a locação de novos aparelhos, aumentando a capacidade instalada da rede.

Apesar das mudanças, a própria gestão reconhece que a expansão não será imediata. Fatores como adequação estrutural das unidades, exigências sanitárias e disponibilidade de espaço físico podem limitar a implementação em curto prazo. Ou seja, mesmo com a conclusão da licitação, a normalização completa do serviço deve ocorrer de forma gradual.

Cobrança por respostas e prazo real de normalização

Enquanto o processo licitatório avança, atualmente na fase de recursos, com previsão de decisão até o dia 21 de maio, a população continua enfrentando os impactos da redução no atendimento. A expectativa é que, após a conclusão das etapas administrativas, o novo contrato seja implementado rapidamente, mas ainda não há um prazo totalmente definido para a regularização completa do serviço.

Até a nova empresa assumir e o serviço ser normalizado por completo, a rede municipal permanece com capacidade reduzida, o que mantém a pressão sobre as unidades que ainda conseguem realizar exames. Na prática, isso significa mais tempo de espera, deslocamentos e incertezas para quem depende do atendimento público.

A situação também é refletida no relato de quem vive essa realidade no dia a dia. A aposentada Maria Lino, moradora da região do Cais Amendoeiras há mais de 30 anos, lembra que o atendimento no local já foi referência no passado, com diversos serviços disponíveis na própria unidade. Segundo ela, a realidade atual é bem diferente. “Aqui tinha tudo: raio-X, exame de sangue, atendimento rápido. Hoje, a gente precisa ir para longe e nem sempre consegue. Nem todo mundo tem condição de se deslocar”, afirma.

A percepção de falha estrutural também é compartilhada por representantes dos conselhos de saúde. A presidente do conselho local, Roqsânia Teixeira de Faria, critica a condução dos serviços e cobra mais planejamento por parte da gestão municipal. 

“Esse processo virou uma bagunça, com unidades sem raio-X, sem laboratório. Que tipo de organização é essa?”, questiona. Diante desse cenário, a principal cobrança agora recai sobre o prazo e a efetividade da solução apresentada.

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