Terceirização da merenda escolar gera debate e mobiliza trabalhadores da Educação em Goiânia
Audiência pública reúne sindicato, gestores e entidades contrários à medida, enquanto SME afirma que não há definição e destaca aumento nos investimentos
A discussão sobre a possível terceirização da merenda escolar na rede municipal de Goiânia tem mobilizado trabalhadores da educação, entidades representativas e o poder público. O tema foi debatido em audiência pública na Câmara Municipal e integra a agenda de mobilização de profissionais da área, que demonstram preocupação com os impactos da medida sobre a qualidade da alimentação oferecida aos estudantes.
Durante o debate, representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), junto a professores, merendeiros e gestores escolares, manifestaram posição contrária à terceirização. A presidente em exercício da entidade, Ludmylla Morais, reforçou o posicionamento unificado do grupo em não apoiar esta medida. Segundo os participantes, a alimentação escolar está diretamente ligada ao processo de aprendizagem, o que exige atenção à qualidade dos alimentos e à forma como são preparados e distribuídos.
Entre os argumentos apresentados, está a preocupação com possíveis mudanças no padrão nutricional das refeições. Experiências de outros municípios foram citadas durante a audiência como exemplos que, segundo relatos, não atenderam de forma adequada às necessidades dos estudantes após a adoção de modelos terceirizados. A avaliação dos profissionais é de que a gestão direta permite maior controle sobre a qualidade, a procedência dos alimentos e o atendimento às especificidades de cada unidade escolar.
Outro ponto levantado diz respeito à relação com a agricultura familiar. Representantes de cooperativas apontaram que alterações nos modelos de contratação podem impactar a compra de produtos locais. A presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Ihasminy Teixeira, criticou a inclusão de itens sem produção regional nas chamadas públicas recentes e defendeu maior valorização de alimentos produzidos localmente.
“Na próxima reunião que marcamos na Secretaria Municipal de Educação, vamos garantir que sejam incluídas mais frutas e verduras produzidas de forma agroecológica na nossa região. Assim, vamos garantir segurança alimentar de verdade para as crianças, pois sabemos dos malefícios da alimentação industrializada”, afirmou.
Gestores escolares também participaram do debate e questionaram argumentos favoráveis à terceirização. O diretor Paulo de Tarso Leda Filho contestou a ideia de que a gestão da merenda compromete o trabalho administrativo nas escolas. “Se eu assumi a função de diretor, é para ser um gestor que controla tudo da melhor forma possível para que servidores, alunos, pais e toda comunidade escolar sejam bem atendidos. Nenhum diretor está pedindo terceirização. Na verdade, todos estão chateados com essa situação”, declarou.
Como encaminhamento da audiência pública, foi definida a criação de uma comissão formada por merendeiras para elaborar uma carta de conscientização sobre o tema. Também estão previstas ações de mobilização nas unidades escolares, produção de materiais informativos para a comunidade e articulação com vereadores para apresentar os impactos apontados pela categoria.
Apesar da mobilização e do debate público, a Secretaria Municipal de Educação informou que não há definição sobre a terceirização da merenda escolar. Em nota, a pasta destacou os investimentos realizados na área e os resultados obtidos pela rede municipal. “A Secretaria Municipal de Educação (SME) informa que não há definição para terceirização de merenda escolar”, diz o posicionamento oficial.
A SME também ressaltou que houve aumento nos recursos destinados à alimentação escolar. Segundo a secretaria, foram investidos R$ 55,7 milhões na merenda, com ampliação de 58% nas unidades de tempo integral e de 20% nas escolas de tempo parcial. A pasta ainda destacou indicadores educacionais, como a conquista do Selo Ouro de Alfabetização pelo segundo ano consecutivo e o índice de 80% das crianças alfabetizadas na idade certa.
O tema segue em discussão, sem decisão formal até o momento. Enquanto isso, trabalhadores da educação mantêm a mobilização e defendem a manutenção do modelo atual, com gestão direta da alimentação escolar pelas unidades da rede municipal.
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