sexta-feira, 8 de maio de 2026
Centrão

Escândalo com Ciro Nogueira pressiona PP; impacto em Goiás deve ser pequeno

Investigação da PF aponta que presidente do PP teria recebido pagamentos mensais do dono do Master em troca de atuação no Congresso; lideranças do partido evitam comentar o caso

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 8 de maio de 2026
Ciro Nogueira
Segundo a PF, parlamentar teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil de Vorcaro. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Bruno Goulart

O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Progressistas (PP), virou alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) que pode aumentar a crise política dentro do partido. Segundo a PF, o parlamentar teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, além de viagens, hospedagens, voos em jatinhos particulares e uso de imóveis de luxo. Em troca, Ciro teria apresentado propostas no Congresso que beneficiariam diretamente o Banco Master.

As informações fazem parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta que uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à PEC 65, em 2024, teria sido escrita pelo próprio banco. O texto, que ficou conhecido nos bastidores como “Emenda Master”, aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Baixo impacto

Apesar da repercussão nacional, especialistas avaliam que o impacto político em Goiás deve ser pequeno, pelo menos neste primeiro momento. O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé afirma que existe uma grande distância entre os problemas da direção nacional do partido e a realidade do PP em Goiás.

“O impacto disso aqui em Goiás é muito baixo, para não dizer nenhum. O Ciro Nogueira não é de Goiás e existe uma distância muito grande entre o que acontece no partido nacionalmente e o que acontece aqui no Estado”, afirma. Segundo Zancopé, a situação só mudaria caso aparecesse alguma ligação direta entre lideranças goianas e as investigações da PF.

Zancopé também cita a relação do ex-governador Marconi Perillo com o Banco Master. O historiador lembra que Marconi prestou uma consultoria ao banco, mas, segundo o especialista, nunca explicou detalhadamente como o serviço foi realizado. “Isso acabou levantando questionamentos e gerando dúvidas em parte da opinião pública”, diz.

Leia mais:

Fundo Constitucional entra no centro da crise do BRB e amplia tensão política entre GDF e governo federal

Discussão na Alego é sintoma da guerra no PL goiano

Mesmo assim, o analista diz acreditar que o comando do PP em Goiás segue forte nas mãos de lideranças como o ex-ministro Alexandre Baldy. o deputado federal Adriano do Baldy e o secretário de Indústria e Comércio de Goiás (SIC), Joel Sant’Anna Braga Filho. “Eu não vejo muita chance de contaminação política local, a menos que algum desses nomes apareça diretamente nas investigações”, declara.

O HOJE procurou Alexandre Baldy e Adriano do Baldy para comentar o caso, mas os dois preferiram não se manifestar.

Desgaste

Já o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, avalia que o principal efeito agora é o desgaste na imagem do partido. “Na prática, ainda deve haver poucos reflexos na montagem das chapas e na condução do PP em Goiás”, avalia.

Segundo Fulquim, o partido possui uma estrutura interna capaz de continuar a funcionar mesmo com a crise que envolve o presidente nacional. “O PP tem vice-lideranças e uma direção formada. Então, o partido consegue manter suas atividades normalmente”, observa.

O mestre em Comunicação lembra, porém, que o cenário pode mudar, a depender do avanço das investigações. “Existe uma investigação em andamento, mas ainda não há condenação. O desgaste político pode aumentar conforme a Polícia Federal e a Justiça avancem no caso”, diz.

Em nota, a defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que o senador está à disposição da Justiça e criticam as medidas da investigação, ao dizer que elas teriam sido tomadas com base apenas em troca de mensagens entre terceiros. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Veja também