terça-feira, 12 de maio de 2026
Caso Orelha

Perícia aponta que cão Orelha não sofreu agressão e MP pede arquivamento do caso

Investigação conclui que cão Orelha tinha doença grave e afasta participação de adolescentes

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 12 de maio de 2026
Orelha Cao 1

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou nesta terça-feira (12) que as provas periciais produzidas durante a investigação sobre a morte do cão Orelha afastaram a hipótese de agressão praticada por adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis. Com base nos novos elementos reunidos, as Promotorias de Justiça responsáveis pelo caso solicitaram o arquivamento do procedimento investigatório.

Segundo o órgão, a conclusão ocorreu após a análise de quase dois mil arquivos digitais. Entre eles, vídeos, fotografias, imagens de câmeras de monitoramento, laudos técnicos, depoimentos e dados extraídos de celulares apreendidos durante as investigações.

Orelha

Reanálise das imagens alterou linha do tempo

De acordo com o MPSC, uma nova perícia identificou divergências nos horários registrados pelos sistemas de monitoramento utilizados inicialmente no caso. As câmeras de um condomínio registravam horário cerca de 30 minutos adiantado em relação ao sistema público Bem-Te-Vi, utilizado para acompanhar os deslocamentos do cão.

Sendo assim, após a correção temporal, a Promotoria concluiu que um dos adolescentes investigados estava a cerca de 600 metros de distância do animal quando passou próximo ao deck da praia. Com isso, o Ministério Público afirmou que não se sustenta a hipótese inicial de que o jovem e o cachorro permaneceram juntos durante aproximadamente 40 minutos.

Além disso, as imagens analisadas pela perícia mostraram que o cão ainda apresentava capacidade motora preservada e padrão normal de deslocamento cerca de uma hora após o horário em que a suposta agressão teria ocorrido.

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Laudos apontam doença grave no animal

Os exames periciais também descartaram sinais de maus-tratos. Conforme o Ministério Público, a perícia realizada após a exumação do corpo não encontrou fraturas ou lesões compatíveis com agressão humana.

Por outro lado, os laudos identificaram sinais de osteomielite na região maxilar esquerda do animal. A doença consiste em uma infecção óssea grave e crônica, possivelmente associada a problemas periodontais avançados.

Segundo o MPSC, o cão apresentava apenas um inchaço na região esquerda da cabeça e do olho, sem cortes, rasgos ou indícios externos de violência física.

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Caso Orelha mobilizou manifestações e repercussão nacional

O caso ganhou repercussão nacional após denúncias sobre uma possível agressão contra o cão na Praia Brava. A situação gerou mobilizações, protestos e debates sobre maus-tratos a animais.

Ainda conforme o Ministério Público, a morte da cadela Pretinha, companheira do cão Orelha, poucos dias depois, em decorrência da doença do carrapato, reforçou o cenário de vulnerabilidade sanitária dos animais.

Por fim, o órgão destacou que todas as conclusões do caso Orelha foram fundamentadas em laudos periciais e na reconstituição detalhada da linha do tempo dos fatos investigados.

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