quinta-feira, 22 de outubro de 2026
NEGOCIOS

Consórcio vira alternativa para casa própria e dispara em Goiás

Alta da Selic e redução dos recursos da poupança ampliam procura pelo consórcio imobiliário em Goiânia

Otavio Augustopor em
Consórcio vira alternativa para casa própria e dispara em Goiás
Foto: Divulgação

O consórcio imobiliário vive um novo ciclo de crescimento no Brasil e vem ganhando espaço entre consumidores que buscam alternativas ao financiamento tradicional da casa própria. Em Goiás e no Centro-Oeste, o movimento acompanha o aquecimento do mercado imobiliário, a expansão urbana de Goiânia e as mudanças estruturais no sistema de crédito habitacional brasileiro.

Com os juros elevados e o crédito bancário mais caro, muitas famílias passaram a procurar modalidades consideradas mais previsíveis financeiramente. Nesse cenário, o consórcio voltou a ganhar força entre consumidores interessados em imóveis residenciais, apartamentos na planta, lotes urbanos e até imóveis comerciais.

Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o segmento imobiliário segue entre os mais aquecidos do país. Somente no primeiro trimestre de 2026, as vendas de cotas imobiliárias cresceram mais de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume de créditos comercializados ultrapassou R$ 74 bilhões.

Consórcio
Foto: Divulgação

O crescimento acontece em meio à transformação do crédito imobiliário brasileiro. Historicamente sustentado pela poupança, o sistema passou a enfrentar mudanças importantes diante da migração de investidores para aplicações mais rentáveis atreladas à taxa Selic, como títulos públicos e produtos do Tesouro Direto.

Poupança perde espaço no financiamento

A caderneta de poupança sempre foi a principal fonte de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), responsável por grande parte do financiamento habitacional no país. Porém, esse modelo vem perdendo participação nos últimos anos.

Levantamentos do setor apontam que a poupança hoje responde por cerca de 28% do funding imobiliário, enquanto instrumentos do mercado de capitais já representam aproximadamente 39% das operações.

Além disso, o sistema registra retiradas líquidas recorrentes da poupança. Isso reduz a oferta de recursos considerados mais baratos para financiamentos de longo prazo e aumenta a dependência dos bancos de instrumentos financeiros mais caros, como LCIs e CRIs.

Na prática, o movimento torna o crédito imobiliário mais sensível às oscilações da Selic e pode elevar o custo final das parcelas para o consumidor.

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Juros altos impulsionam procura por consórcios

Com a taxa básica de juros em patamar elevado, o financiamento imobiliário passou a exigir parcelas mais altas e maior comprometimento da renda familiar. Em alguns contratos, o valor pago ao longo dos anos pode praticamente dobrar o custo original do imóvel.

Esse cenário ajudou a impulsionar o consórcio imobiliário, modalidade que não possui cobrança de juros bancários tradicionais, embora tenha taxa de administração.

Segundo a ABAC, o sistema de consórcios encerrou 2025 com recorde histórico de participantes ativos, ultrapassando 12,7 milhões de brasileiros. O setor movimentou mais de R$ 500 bilhões em negócios no período.

A expectativa da entidade é de crescimento superior a 25% no consórcio imobiliário ao longo de 2026, impulsionado principalmente pela busca por planejamento financeiro e menor exposição às taxas bancárias.

Especialistas observam que muitos consumidores passaram a enxergar o consórcio não apenas como alternativa de compra, mas também como estratégia de organização financeira e formação de patrimônio.

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Foto: Divulgação

Goiânia acompanha aquecimento do mercado

Em Goiás, o avanço do consórcio acompanha o crescimento do mercado imobiliário regional. Goiânia segue entre as capitais com maior expansão urbana do país e registra alta nas vendas de imóveis residenciais e empreendimentos planejados.

Levantamentos do setor apontam que a capital goiana movimentou mais de R$ 8 bilhões em vendas imobiliárias recentes, consolidando-se como um dos mercados mais aquecidos do Centro-Oeste.

A valorização imobiliária em bairros planejados e regiões de expansão urbana também ampliou a procura por cartas de crédito de maior valor. Além da casa própria, cresce o número de consumidores utilizando consórcios para compra de imóveis destinados a aluguel, revenda ou investimento de longo prazo.

O movimento é percebido principalmente entre consumidores mais jovens. Pesquisa da Kantar Brasil, realizada para a ABAC, aponta que quase metade dos novos consorciados pertence à faixa entre 18 e 35 anos.

O Centro-Oeste aparece entre as regiões de maior crescimento do sistema de consórcios no país. O avanço é impulsionado pela força do agronegócio, pela geração de renda e pela expansão urbana de cidades médias e grandes.

 

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