quarta-feira, 20 de maio de 2026
Desgaste

Áudio com Vorcaro derruba Flávio nas pesquisas; PL teme novas surpresas

Levantamento Atlas/Bloomberg mostra queda de mais de cinco pontos do senador no 1° turno e vantagem de Lula no 2º; reunião do PL teve cobrança por antecipação de crises

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 20 de maio de 2026
Flávio Bolsonaro
Flávio reuniu a imprensa na sede do partido para admitir reunião com banqueiro após vazamento da informação. Foto: Bruno Peres/ABr

Bruno Goulart

A crise que envolve o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou os primeiros efeitos concretos na corrida eleitoral de 2026. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19) apontou queda de mais de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do parlamentar no primeiro turno e recuo de seis pontos em um eventual segundo turno contra o presidente Lula da Silva (PT).

O levantamento aponta Lula com 48,9% em um cenário de segundo turno, contra 41,8% de Flávio. Em abril, os dois apareciam tecnicamente empatados. O desgaste começou após a divulgação de áudios em que o senador pede apoio financeiro a Vorcaro para o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.

Diante da repercussão negativa, o PL convocou uma reunião fechada nesta terça-feira (19), em Brasília, com deputados e senadores da legenda. O encontro reuniu cerca de 70 parlamentares e teve como objetivo tentar conter a crise e avaliar os próximos passos da pré-campanha bolsonarista.

“Não há mais nada”

Nos bastidores, porém, o clima foi de apreensão. Aliados demonstraram preocupação com a possibilidade de novas mensagens, áudios ou informações que envolvam a relação entre Flávio e Vorcaro. Nos últimos dias, parlamentares do partido tinham procurado o senador e também o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para perguntar se ainda existia algo que pudesse surgir sobre o caso.

Foi nesse cenário que Flávio decidiu reunir toda a bancada para tentar encerrar dúvidas internas. Segundo relatos, o senador repetiu diversas vezes aos aliados que “não há mais nada” além do que já foi divulgado. Mesmo assim, parte do partido deixou a reunião ainda desconfiada.

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Durante o encontro, o senador admitiu aos colegas que voltou a se reunir pessoalmente com Daniel Vorcaro em São Paulo, mesmo depois de o banqueiro ter sido preso e passar a usar tornozeleira eletrônica. A revelação provocou desconforto em parte da bancada porque parlamentares avaliaram que a informação poderia abrir uma nova frente de desgaste político.

Segundo Flávio, a reunião ocorreu apenas para tratar do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O pré-candidato a presidente afirmou que Vorcaro havia deixado de cumprir compromissos financeiros assumidos com a produção e que precisou buscar novos investidores para evitar a paralisação do projeto.

Nova revelação

Após o encontro com os parlamentares, Flávio reuniu a imprensa na sede do partido, em Brasília, para admitir publicamente a reunião com o banqueiro. Antes de iniciar a fala, porém, avisou aos jornalistas que faria apenas um “comunicado” e que não abriria espaço para perguntas. A informação sobre o encontro havia sido vazada momentos antes da coletiva.

“Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final na história”, declarou o senador. Segundo Flávio, o objetivo era encerrar as tratativas ligadas ao filme e cobrar explicações sobre a interrupção dos investimentos.

Na conversa reservada com os aliados, Flávio também tentou convencer a bancada de que jamais teria deixado registros tão explícitos em mensagens e áudios caso acreditasse estar diante de algo ilegal. A principal linha de defesa construída pelo entorno bolsonarista passou a ser a de que houve imprudência política, mas não participação consciente em irregularidades.

Crise mal administrada

Apesar do discurso de unidade, integrantes do PL reconheceram reservadamente que a crise foi mal administrada desde o início. Parlamentares reclamam de versões desencontradas, respostas improvisadas e demora para o senador se antecipar aos fatos.

Mesmo sob pressão, o partido decidiu manter apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo relatos de participantes, não houve qualquer discussão sobre recuo. Pelo contrário: dirigentes orientaram o senador a intensificar os ataques ao governo Lula e reforçar a defesa da abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master. (Especial para O HOJE)

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