Delúbio quer fortalecer Lula em Goiás contra ‘hostilidade’ de Caiado
Pré-candidato a deputado federal, ex-tesoureiro do PT defende maior presença petista no Congresso, cobra unidade política para projetos em Goiás e mira eleitores que votaram em Lula, mas não nos candidatos da legenda
O pré-candidato a deputado federal, ex-tesoureiro do PT e figura histórica do partido, Delúbio Soares, visitou o Grupo O HOJE na última terça-feira (19) para participar do programa Momento Político. Em entrevista aos jornalistas Wilson Silvestre e Bruno Costa, o petista tratou de sua pré-candidatura a deputado federal, dos desafios do PT em Goiás e dos projetos que defenderá para o Estado, caso seja eleito em outubro.
Logo no início do bate-papo, Delúbio afirmou que se colocou à disposição do PT para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, sobretudo, para ajudar Lula no Estado. “Sou pré-candidato para ajudar o presidente Lula em Goiás. Quanto mais pessoas puderem trabalhar na campanha do presidente, divulgar os programas sociais e apresentar novas propostas para o futuro governo, será muito importante”, disse.
Soares também destacou que pretende ser deputado federal para ajudar Lula em um eventual quarto governo. Segundo Delúbio, é necessário que quadros petistas “experientes”, como ele, o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, estejam nas trincheiras do Congresso em um eventual governo Lula 4, sobretudo pela atuação recente do Parlamento.
O pré-candidato deu o exemplo da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Prerrogativas, que exigia autorização prévia da Câmara ou do Senado para que processos penais contra parlamentares fossem abertos. “Foi aprovada na Câmara com uma larga votação, mais de 400 votos. O povo não concordou, foi pra rua, tiveram manifestações em Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, e o Congresso recuou”, disse o petista.
Projetos para Goiás
Delúbio também defendeu que novos projetos para Goiás precisam ser pautados. O petista defendeu a duplicação de rodovias como a BR-153 e a construção do Anel Viário na Região Metropolitana da Capital, para a qual, segundo o petista, é necessário diálogo entre os Executivos municipais.
“Precisamos de uma unidade política dos prefeitos de Goiânia, Aparecida, Senador Canedo, Anápolis, Terezópolis, de toda a região que irá passar pelo Anel Viário. Mas é um puxando para um lado e o outro para o outro. É preciso ter unidade política. As eleições são de quatro em quatro anos. Uma vez eleitos, prefeitos, governadores e presidente precisam trabalhar em sintonia”, ressaltou Soares.
Na esteira da defesa de unidade política, Delúbio criticou a postura do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que deixou o Executivo estadual no fim de março para disputar a Presidência da República. “O ex-governador Ronaldo Caiado, a única coisa que ele tem para anunciar permanentemente é chamar o Lula de ladrão. Qualquer coisa que aconteça, o PT é um partido atrasado. Não tem nada para anunciar, não tem uma obra para entregar, não tem um projeto político e vive de xingar as pessoas. Isso não é construir.”
Governo Lula no Estado
Além de criticar a “hostilidade” da gestão Caiado ao governo federal, o petista destacou a atuação do Executivo federal em Goiás. “O governo tem feito muitos financiamentos aqui. Um exemplo disso é o BRT, que foi concluído com verba do governo federal.” O pré-candidato citou também a destinação de verbas da gestão petista para a Prefeitura de Goiânia e lembrou os investimentos da ex-presidente Dilma Rousseff em Aparecida de Goiânia, quando o município era chefiado por Maguito Vilela.
Questionado sobre a hipótese de disputar o Governo do Estado, Delúbio se classificou como um “militante disciplinado” e que “não nega nenhuma convocação do partido”, porém, ressaltou que existem nomes mais estruturados para disputar o Palácio das Esmeraldas.
“Na minha limitação de quem ficou 20 anos fora, acredito que tem pessoas no partido com mais estrutura para disputar o governo e o Senado. Sei o meu limite. E por isso coloquei meu nome à disposição para ser deputado federal”, destacou Delúbio. “Tem mais pessoas preparadas nesse momento, mas se necessário for, eu nunca neguei um desafio e não vou negar agora aos 70 anos”, concluiu.
Apesar das discussões sobre uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas, o ex-tesoureiro do PT frisou que o foco do partido precisa ser o desempenho eleitoral de Lula em solo goiano e o aumento no número de deputados petistas, tanto na Câmara quanto na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
“O mais importante é a gente trabalhar para melhorar a performance do presidente Lula em Goiás, aumentar nossa bancada no Estado, que hoje nós temos três deputados estaduais, e ampliar nossa representação na bancada federal goiana. Para ampliar a bancada de deputado federal e ajudar o presidente Lula, nós precisamos de candidatos”, afirmou o petista.

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De olhos nos votos de Lula
Delúbio ainda explicou que trabalha na perspectiva de angariar os votos daqueles que votaram em Lula em 2022, mas não em candidatos petistas. “Não serei candidato contra A ou contra B, ou a favor de A ou de B, e sim para aumentar o número de deputados federais do PT”, disse.
“As pessoas que já estão com o deputado A e B, continuem lá, eu preciso de quem votou no Lula e não votou nos petistas. Um milhão e meio de goianos votaram no Lula no primeiro turno e 300 mil votaram nos deputados da esquerda. Nós precisamos trazer esses 1 milhão e 200 mil eleitores para cá”, disse Soares.
Goiás Estado conservador?
Além disso, Delúbio afirmou que discorda da tese de Goiás ser um Estado conservador e isso resultaria em uma rejeição aos candidatos petistas. Segundo Soares, o partido falhou em ampliar sua capilaridade eleitoral entre os goianos.
“Goiânia, que é uma cidade que o Lula teve pouco voto em 2022, já deu oportunidade ao PT três vezes. Tivemos Darci Accorsi, Pedro Wilson e Paulo Garcia na prefeitura. Em Anápolis a mesma coisa, ganhamos a eleição duas vezes. Isso aconteceu em várias cidades. Nós não conseguimos entender, por estar no governo, como ampliar o partido. Foi uma falha nossa aqui em Goiás e do PT como um todo”, observou.