quinta-feira, 21 de maio de 2026
SEM REGALIAS

Após delação considerada “fraca”, Vorcaro segue preso e vai para cela comum

Mesmo após a Polícia Federal rejeitar a proposta de colaboração premiada, a defesa do ex-banqueiro mantém negociações com a Procuradoria-Geral da República, que ainda analisa os anexos do acordo

Luma Silveirapor Luma Silveira em 21 de maio de 2026
Vorcaro
Banqueiro Daniel Vorcaro segue preso após fracasso em negociação de delação - Foto: Divulgação

Preso desde o dia 4 de março por suspeita de fraudes financeiras, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta um novo revés nas tentativas de firmar um acordo de delação premiada. A Polícia Federal rejeitou oficialmente a proposta apresentada pela defesa do dono do Banco Master após avaliar que os relatos não trouxeram informações inéditas nem elementos considerados relevantes para o avanço das investigações.

A avaliação dentro da corporação é de que a colaboração apresentada por Vorcaro foi seletiva e insuficiente diante do material já reunido pelos investigadores. Integrantes da PF também demonstraram incômodo com a ausência de nomes e episódios considerados estratégicos para o caso.

Em meio ao desgaste nas negociações, Vorcaro foi transferido nesta semana para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Nos bastidores, a mudança foi interpretada como mais um sinal do descontentamento da corporação com os termos da delação apresentada pela defesa.

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Apesar da rejeição da PF, a Procuradoria-Geral da República ainda mantém abertas as tratativas com os advogados do ex-banqueiro. Como titular da ação penal, a PGR pode conduzir as negociações independentemente da Polícia Federal e segue analisando os anexos entregues pela defesa.

Nos bastidores da Procuradoria, porém, ainda há resistências à proposta. Procuradores avaliam se os fatos apresentados possuem ineditismo suficiente, se há possibilidade de ressarcimento aos cofres públicos e se Vorcaro consegue apresentar provas que sustentem os relatos feitos no acordo.

Caso a PGR também rejeite a colaboração, a tendência é de encerramento das negociações, embora novas conversas possam ocorrer futuramente caso a defesa apresente elementos diferentes dos já analisados.

O caso do Banco Master também ampliou a pressão política em Brasília e impulsionou discussões sobre a instalação de uma CPMI para investigar o esquema. O episódio já provoca preocupação em setores políticos diante da possibilidade de novos desdobramentos envolvendo autoridades e aliados citados nas apurações.

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