Após delação considerada “fraca”, Vorcaro segue preso e vai para cela comum
Mesmo após a Polícia Federal rejeitar a proposta de colaboração premiada, a defesa do ex-banqueiro mantém negociações com a Procuradoria-Geral da República, que ainda analisa os anexos do acordo
Preso desde o dia 4 de março por suspeita de fraudes financeiras, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta um novo revés nas tentativas de firmar um acordo de delação premiada. A Polícia Federal rejeitou oficialmente a proposta apresentada pela defesa do dono do Banco Master após avaliar que os relatos não trouxeram informações inéditas nem elementos considerados relevantes para o avanço das investigações.
A avaliação dentro da corporação é de que a colaboração apresentada por Vorcaro foi seletiva e insuficiente diante do material já reunido pelos investigadores. Integrantes da PF também demonstraram incômodo com a ausência de nomes e episódios considerados estratégicos para o caso.
Em meio ao desgaste nas negociações, Vorcaro foi transferido nesta semana para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Nos bastidores, a mudança foi interpretada como mais um sinal do descontentamento da corporação com os termos da delação apresentada pela defesa.
Leia também:
PF rejeita delação de Daniel Vorcaro
Apesar da rejeição da PF, a Procuradoria-Geral da República ainda mantém abertas as tratativas com os advogados do ex-banqueiro. Como titular da ação penal, a PGR pode conduzir as negociações independentemente da Polícia Federal e segue analisando os anexos entregues pela defesa.
Nos bastidores da Procuradoria, porém, ainda há resistências à proposta. Procuradores avaliam se os fatos apresentados possuem ineditismo suficiente, se há possibilidade de ressarcimento aos cofres públicos e se Vorcaro consegue apresentar provas que sustentem os relatos feitos no acordo.
Caso a PGR também rejeite a colaboração, a tendência é de encerramento das negociações, embora novas conversas possam ocorrer futuramente caso a defesa apresente elementos diferentes dos já analisados.
O caso do Banco Master também ampliou a pressão política em Brasília e impulsionou discussões sobre a instalação de uma CPMI para investigar o esquema. O episódio já provoca preocupação em setores políticos diante da possibilidade de novos desdobramentos envolvendo autoridades e aliados citados nas apurações.