quinta-feira, 1 de outubro de 2026
REJEITOU...

PF rejeita delação de Daniel Vorcaro

Investigadores afirmam que material entregue pela defesa repetia informações já apuradas na Operação Compliance Zero

Thais Munizpor em
Vorcaro
Foto: Divulgação

A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março por suspeita de envolvimento em fraudes financeiras, corrupção e organização criminosa. A decisão já foi comunicada aos advogados de Vorcaro e também ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master.

Apesar da negativa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisa a possibilidade de seguir com as negociações de forma independente. Até o momento, a Procuradoria não anunciou uma decisão oficial sobre o acordo.

Segundo investigadores ligados ao caso, o conteúdo apresentado pela defesa foi considerado insuficiente. A avaliação interna é de que os anexos da colaboração repetiam fatos e diálogos que já estavam sob conhecimento da investigação.

Fontes ouvidas durante as negociações afirmaram que “não houve apresentação de fatos novos relevantes” e que o material entregue “deixava de citar nomes apontados como integrantes do núcleo superior da organização”.

Leia também:

Celulares apreendidos ampliaram linha de investigação

A investigação ganhou novos desdobramentos após a apreensão de mais de oito celulares ligados a Daniel Vorcaro. De acordo com a PF, parte da perícia inicial identificou indícios que ultrapassam suspeitas de fraudes bancárias.

Os investigadores apontam possíveis crimes de corrupção, uso de milícia privada e acesso indevido a dados sigilosos. A apuração também mira relações políticas e financeiras que teriam sido omitidas na proposta de colaboração.

A defesa de Vorcaro entregou os anexos da delação no início de maio, em um pen drive encaminhado à PF e à PGR. O acordo vinha sendo tratado de forma conjunta entre os dois órgãos desde março, quando o banqueiro assinou um termo de confidencialidade e formalizou o interesse em colaborar.

Segundo relatos de pessoas próximas às negociações, a proposta discutia três pontos principais: ressarcimento financeiro, cumprimento da pena e alcance das informações prestadas.

Os investigadores estimam que os valores discutidos para devolução possam chegar a R$ 50 bilhões. Além disso, a defesa do ex-banqueiro teria solicitado prisão domiciliar ao menos até o julgamento do caso.

Transferência para cela comum ocorreu após avanço da investigação

Nesta semana, Daniel Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A mudança ocorreu após pedido da própria PF.

Antes disso, ele permanecia em uma sala adaptada no modelo de “Estado-maior”, espaço semelhante ao utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.

A transferência foi interpretada por investigadores como mais um sinal do desgaste nas negociações da delação. Fontes ligadas ao caso afirmam que a corporação demonstrou insatisfação com a ausência de informações consideradas estratégicas.

Entre os episódios citados nas investigações estão supostas relações de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira e o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo investigadores, Ciro Nogueira teria recebido “vantagens indevidas” relacionadas a uma proposta de ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A medida elevaria o limite de cobertura de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A PF suspeita que integrantes do Banco Master participaram da elaboração da proposta.

Já no caso de Flávio Bolsonaro, documentos e mensagens divulgados pelo site Intercept Brasil apontam negociações envolvendo um possível repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”. Pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos, segundo a publicação.

Os investigadores afirmam que Daniel Vorcaro não mencionou esses episódios nem os encontros relacionados aos parlamentares durante as tratativas da delação.

A negociação agora segue concentrada na Procuradoria-Geral da República, que ainda avalia se dará continuidade ao acordo de colaboração premiada.

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Tags:
banco Master delação premiada Vorcaro

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