PT caminha para candidato que dialogue com o centro em Goiás
Partido ainda não decidiu quem será o nome na disputa pelo governo estadual, porém dá indícios de que quer candidato para dialogar com setores resistentes à legenda
Apesar de ainda não ter batido o martelo de quem será o candidato ao governo do Estado, a direção do PT em Goiás caminha para escolher um nome que mantenha diálogo com o eleitorado goiano mais ao centro.
Prova disso é a recente entrada do produtor rural de Rio Verde, Flávio Faedo, na lista de cotados a representar a sigla na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Ligado ao agronegócio e militante na luta classista, Faedo foi apresentado como uma possível alternativa pela presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi, na reunião do partido no último sábado (16).
O nome do produtor rural aparecer como possibilidade confirma a tendência da legenda em Goiás. Antes de Faedo, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno já aparecia como um dos principais cotados e, antes disso, o vereador por Goiânia, Edward Madureira, que já lançou sua pré-candidatura a deputado federal. Faedo, Cesar Bueno e Edward são vistos como menos combativos e com capacidade de dialogar com setores que o partido enfrenta dificuldades históricas, como é o caso do agronegócio.
Militância rural
Como já mostrado pelo O HOJE, o empresário do agro já sinalizou que seu principal interesse é continuar na militância rural e colaborar com o governo federal nas demandas dos produtores rurais para o próximo Plano Safra. Apesar disso, o empresário esteve ao lado de Accorsi em Brasília, na última quarta-feira (20), para uma reunião com o presidente nacional do partido, Edinho Silva.
Para o Mestre em História e especialista em Políticas Públicas, Tiago Zancopé, a eventual escolha de Faedo representa uma tentativa do PT de construir uma alternativa ao agro alinhado ao bolsonarismo e ao ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás. Segundo o especialista, o partido tenta ocupar um espaço político altamente disputado no Estado.
“Se for o escolhido, ele terá que primeiro, em pouco tempo, tornar-se conhecido e, segundo, fazer uma campanha que mostre que existe uma alternativa para o agro que não seja o agro bolsonarista e nem o agro caiadista”, afirmou.
Na avaliação de Zancopé, o desafio é ainda maior porque o segmento já possui identificação com os outros pré-candidatos ao governo estadual: o governador Daniel Vilela (MDB), o senador Wilder Morais (PL) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). “Se você parar para pensar, o Daniel e o Zé Mário [Schreiner, presidente licenciado da Faeg] têm ligação com o agro, Wilder e Ana Paula Rezende têm ligação com o agro e o Marconi tem ligação com o agro”, destacou. “O eleitorado do agro é o mais concorrido que existe hoje em Goiás.”
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Suavizar a imagem do partido
Para o historiador, a estratégia petista também revela uma tentativa de suavizar a imagem do partido perante setores moderados do eleitorado goiano. Ainda assim, avalia que a legenda pode enfrentar dificuldades para consolidar um nome ainda pouco conhecido no meio político.
Zancopé também questiona se a aposta em um perfil ligado ao interior seria o melhor caminho para o PT, sobretudo diante da necessidade de fortalecer a legenda na Região Metropolitana de Goiânia. “Será que não teria sido mais interessante fortalecer o PT na Capital já pensando que daqui a dois anos tem disputa da prefeitura e o Mabel já tem um desgaste acumulado? Eu preferiria ter um candidato mais urbano para falar mais com o eleitorado de cidades como Goiânia, Aparecida, Anápolis, Senador Canedo, Trindade, Luziânia, Águas Lindas”, observou Zancopé.
Já o cientista político Jones Matos avalia que uma eventual candidatura de Faedo teria caráter mais simbólico do que propriamente competitivo. Para o cientista, o produtor rural ainda é desconhecido da maioria da população e o PT teria opções mais viáveis para a disputa. “É uma candidatura para marcar posição apenas”, afirmou.