Goiás se torna solo fértil para pequenos negócios com tecnologia e inovação
Estado amplia investimentos em inovação e qualificação tecnológica, enquanto empreendedores do interior já usam IA para aumentar vendas e produtividade
A inteligência artificial deixou de ser apenas tendência e passou a ocupar espaço estratégico dentro da economia goiana. Em Goiás, indústria, comércio e pequenos empreendedores começam a incorporar ferramentas digitais para ampliar produtividade, reduzir custos e ganhar competitividade. O movimento é liderado por iniciativas da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), do Senai, do Sebrae e do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG), que colocaram a tecnologia no centro do novo planejamento econômico do estado.
O avanço integra o Mapa Estratégico da Indústria de Goiás 2025-2032, documento elaborado pela Fieg em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A proposta mira digitalização, inovação e automação industrial como pilares para modernizar a produção goiana nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial começa a mudar a rotina de pequenos negócios do interior. Em Itaberaí, a cerca de 100 quilômetros de Goiânia, a comerciante Conceição Alves, de 53 anos, viu a tecnologia se transformar em aliada dentro da própria loja de roupas. “Antes eu fazia tudo manualmente. Hoje uso inteligência artificial para organizar preços, calcular porcentagens, montar campanhas e até criar textos para as redes sociais. Também comecei a estruturar um site para vender online”, relata.
Segundo ela, a tecnologia ajudou a economizar tempo e melhorar a organização financeira do negócio. “A IA me ajuda a analisar o preço das peças e entender margem de lucro. Isso melhorou minhas vendas e meu controle”, afirma.

Indústria goiana acelera digitalização
O uso da inteligência artificial ganhou protagonismo dentro da indústria goiana. Segundo a Fieg, empresas já aplicam ferramentas tecnológicas em áreas administrativas, análise de dados, logística e linhas de produção.
O presidente da entidade, André Rocha, afirma que Goiás vive um momento de transformação industrial. “Inovação e inteligência artificial deixaram de ser tendência e passaram a ser estratégia de competitividade. O objetivo é preparar as empresas para um ambiente mais digital, conectado e produtivo”, declarou.
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Pequenos negócios começam a aderir à IA
Embora o avanço tecnológico seja mais visível em grandes empresas, os pequenos negócios também começam a incorporar ferramentas digitais no dia a dia. Levantamento do Sebrae, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Google, aponta que 96% das micro e pequenas empresas brasileiras já conhecem ferramentas de inteligência artificial.
Além disso, cerca de 46% já utilizam a tecnologia dentro das operações. Entre os microempreendedores individuais, o índice chega a 42%. As áreas mais impactadas são marketing, atendimento ao cliente e gestão operacional. Nas micro e pequenas empresas, 59% utilizam IA para divulgação e campanhas comerciais.
Para Lucas Basgal, gestor ligado ao Sebrae, a popularização das plataformas generativas acelerou o uso da tecnologia entre empreendedores. “Muitos empresários começaram usando IA para redes sociais, mas hoje já utilizam para organização de tarefas, análise de indicadores e automação de processos”, afirma.
Em Goiás, o crescimento dessa cultura tecnológica também passa pelo fortalecimento do ecossistema de startups. O estado ganhou destaque nacional dentro do programa Scale IA, realizado pelo Sebrae Startups em parceria com o CEIA/UFG, AWS, NVIDIA e Endeavor.
Ao todo, 445 startups de 25 estados se inscreveram na iniciativa, que busca acelerar soluções de inteligência artificial voltadas para pequenos negócios.

Goiás quer virar referência nacional em inovação
O avanço da inteligência artificial em Goiás também ganhou reforço legislativo. Em abril deste ano, foi sancionada a Lei Estadual nº 24.222/2026, que cria a Política Estadual de Incentivo à Capacitação em Tecnologia para Pequenos Empreendedores.
A medida prevê parcerias entre governo, universidades e instituições privadas para ampliar capacitação digital e acesso à tecnologia.
O diretor do CEIA/UFG, Arlindo Galvão, avalia que o Brasil vive uma oportunidade importante de transformar produtividade em desenvolvimento econômico. “A inteligência artificial precisa chegar às micro e pequenas empresas. Esse é o maior segmento empresarial do país e também um dos que mais podem ganhar competitividade com tecnologia”, afirma.
Para empresários como Conceição, em Itaberaí, a transformação já começou. O que antes parecia distante da realidade do interior agora faz parte da rotina da loja. “Eu achava que inteligência artificial era coisa de empresa grande. Hoje percebo que ela pode ajudar qualquer negócio pequeno a crescer”, diz.
Conectividade e qualificação ainda são desafios
Apesar do avanço, especialistas apontam que Goiás ainda enfrenta obstáculos importantes para consolidar a transformação digital. Entre eles estão a ampliação da conectividade, expansão do 5G e qualificação profissional.
Além disso, muitas pequenas empresas ainda desconhecem linhas de financiamento e programas de incentivo à inovação. A expectativa das entidades ligadas à indústria é que, até 2032, Goiás consiga ampliar sua presença em cadeias produtivas tecnológicas, fortalecer startups e transformar a inovação em vetor permanente de crescimento econômico.