segunda-feira, 25 de maio de 2026
Proposta avançou

Acordo entre Lula e Motta sobre o fim da escala 6×1 ainda incomoda empresariado

“A redução da jornada de trabalho trará um impacto grande aos setores que empregam”, afirma presidente da CNI

Marina Moreirapor Marina Moreira em 25 de maio de 2026
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Em clima de apaziguamento com o Planalto, o republicano buscou corresponder aos pedidos do chefe do Executivo federal no que tange à proposta sobre fim da escala 6x1 - Créditos: Marcelo Camargo/ABr

A mais recente atualização da proposta que trata sobre o fim da escala 6×1 no Congresso é um dos pontos mais discutidos nos últimos dias em torno da pauta. Trata-se da transição de um ano para a implementação da proposta de redução da jornada de trabalho, fruto do acordo feito na manhã da última segunda-feira (25) entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Em clima de apaziguamento com o Planalto, o republicano buscou corresponder aos pedidos do chefe do Executivo federal ao afirmar que a PEC garantirá a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, dois dias de folga e manutenção dos salários.

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Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos) – (Créditos: Ricardo Stuckert/PR)

O avanço da proposta que tem como relator o deputado Léo Prates (Republicanos-BA) vai na contramão do que defendem deputados goianos de oposição como Gustavo Gayer (PL), Magda Mofatto (PL), Dr. Ismael Alexandrino (PSD), Marussa Boldrin (Republicanos), Adriano do Baldy (PP), Glaustin da Fokus (Podemos) e Célio Silveira (MDB) que são à favor de outro tipo de proposta, a PEC 221/2019 tida como impopular, uma vez que prevê uma transição de dez anos para a mudança na jornada de trabalho e também abre espaço para ampliação da carga horária semanal para até 52 horas.

Deu o que falar

O sociólogo Jones Matos avalia a repercussão do posicionamento dos parlamentares goianos que ainda seguem apoiando a proposta que pode adiar para 2036 o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil.

“Goiás tem uma das piores bancadas de parlamentares do Congresso Nacional de um modo geral, tanto de deputados federais, quanto de senadores. O Estado está muito mal representado, pois os parlamentares apresentam pouco desempenho”.

O sociólogo condiciona a ausência de apoio dos congressistas goianos à proposta de Lula ao fatos desses parlamentares terem forte ligação com o empresariado e pertencerem à extrema-direita. “A maioria desses parlamentares são de extrema-direita, empresários, ligados a grupos econômicos e com postura reacionária. Nossa bancada não é uma bancada progressista em sua grande maioria. Há poucos deputados progressistas, que se posicionam em defesa dos trabalhadores, de minorias, na tentativa de construir pautas progressista”, salienta Matos em entrevista ao O HOJE.

De acordo com o presidente da Casa baixa do Congresso, a redução da jornada de trabalho ocorrerá em duas etapas. O acordo feito entre Hugo Motta e Lula define que a primeira etapa valerá por 60 dias após a promulgação da PEC, com corte imediato de duas horas semanais.

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Créditos: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Após o período de 12 meses, haverá uma nova redução de duas horas, o que dará como concluída a transição para a jornada de 40 horas semanais. O republicano afirmou que o modelo busca equilibrar as demandas da classe trabalhadora com a necessidade de adaptação do setor produtivo. A proposta era alvo de divergências justamente em torno do prazo de execução das mudanças.

Setor industrial é contra

Um dos críticos à proposta é o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Paulo Afonso Ferreira, que afirmou em entrevista ao O HOJE que “a redução da jornada de trabalho para 40 horas trará um impacto grande aos setores que empregam os trabalhadores”.

Acesse também: Bancada goiana é a favor do fim da escala 6×1, mas com outro foco

Ferreira destaca que “a CNI vê como necessário buscar melhorias nas condições de trabalho e na melhoria de vida dos trabalhadores e está muito imbuída nesse propósito”. Paulo ressalta que a confederação não concorda com a “redução da jornada sem a redução de salário, pois isso gera problemas econômicos. É um equívoco enorme a tramitação desse tipo de proposta em período pré-eleitoral, porque essas discussões precisam ser feitas naturalmente”.

O presidente da CNI pontua que já há espaços de negociação entre empresariado e funcionários. “Nós achamos que é necessário rediscutir muita coisa, há uma legislação que permite que haja negociações para beneficiar os trabalhadores durante convenções coletivas. Existe muitas empresas que negociam com os trabalhadores e com os sindicatos nesses espaços”, enfatiza o presidente da CNI.

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