Caso Ana Lídia ganha leitura ficcional em “Cerrado Seco”
Gravado em Brasília, longa transforma crime sem condenados em suspense psicológico sobre memória, poder e justiça
O caso Ana Lídia Braga, um dos crimes mais lembrados da história de Brasília, será retomado pelo cinema em uma obra de ficção. Dirigido por Bruno Caldas, “Cerrado Seco” foi gravado na capital federal e usa o assassinato da menina de 7 anos como ponto de partida para um suspense sobre memória, poder e justiça.
O longa é protagonizado por Rafa Vitti e João Vitti, que vivem Claudio em fases diferentes da vida. A narrativa acompanha os efeitos de um episódio nunca encerrado e observa como o passado volta à superfície quando uma sociedade tenta esconder suas próprias feridas. A proposta não é reconstituir o caso como documentário, mas criar uma história ficcional atravessada pelo impacto do crime.
Ana Lídia desapareceu em 11 de setembro de 1973, durante a ditadura militar, depois de ser deixada pelos pais em uma escola da Asa Norte. Testemunhas indicaram que a criança saiu do colégio acompanhada por um homem desconhecido. Cerca de 22 horas depois, foi encontrada morta em área de cerrado próxima à Universidade de Brasília.
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Na produção, João Vitti interpreta a fase mais velha de Cláudio, enquanto Rafa Vitti vive o personagem na juventude. O ator conheceu a história a partir do roteiro e se impressionou com a permanência do caso na memória da cidade. Para ele, o filme enfrenta o apagamento em torno do episódio e imagina caminhos de justiça dentro da ficção.
Bruno Caldas optou por não procurar a família de Ana Lídia durante o processo criativo. A decisão buscou preservar os familiares e garantir liberdade artística para desenvolver a narrativa sem se prender aos fatos conhecidos. As filmagens foram finalizadas em 16 de maio, e o longa ainda não tem data oficial de estreia.