GDF recebe R$ 1 bilhão do BTG para reforçar recuperação do BRB
Governo prevê cumprir 70% das exigências do Banco Central até sexta-feira (29) enquanto especialistas apontam cautela do mercado diante da operação
Governo do Distrito Federal recebeu a primeira parcela da operação de securitização da dívida ativa do DF, estruturada pelo BTG Pactual, em uma tentativa de acelerar a recuperação financeira do Banco de Brasília (BRB). O valor inicial, de R$ 1 bilhão, já entrou nos cofres do Executivo local e deve ser destinado ao reforço de capital da instituição bancária.
A medida ocorre após os prejuízos enfrentados pelo BRB em operações envolvendo carteiras de crédito do Banco Master. O governo distrital prevê cumprir até esta sexta-feira (29) cerca de 70% do plano de recuperação apresentado ao Banco Central.
O BRB estabeleceu prazo até o fim desta semana para ampliar o capital do banco em até R$ 8,8 bilhões. Como acionista majoritário da instituição, o GDF é responsável pelo aporte financeiro necessário para garantir estabilidade operacional e atender às exigências regulatórias.
Na prática, a operação envolve a venda ao mercado do direito de recebimento de créditos da dívida ativa do DF — valores devidos por empresas e contribuintes ao Tesouro distrital. Embora a carteira esteja estimada em aproximadamente R$ 52 bilhões, a expectativa do governo é arrecadar cerca de R$ 22 bilhões ao longo do tempo com a negociação dos ativos. A previsão imediata é levantar até R$ 4 bilhões por meio da chamada cota sênior.
Medida pode recompor liquidez do banco, dizem economistas
Especialistas ouvidos pelo O Hoje avaliam que a medida pode ajudar a recompor a liquidez do banco, mas alertam para os riscos fiscais e para a necessidade de soluções estruturais. O economista Marlon Bento afirma que operações desse tipo costumam ser utilizadas para reforçar caixa e restaurar a confiança do mercado em instituições financeiras.
“Normalmente, esse tipo de captação é utilizado para reforçar liquidez, recompor caixa e estabilizar a operação da instituição financeira. Acredito que o Governo do Distrito Federal deve direcionar esses R$ 1 bilhão captados junto ao BTG Pactual justamente para fortalecer os indicadores financeiros do BRB e recuperar a confiança do mercado”, explicou.
Segundo ele, apesar da rapidez nas ações emergenciais, investidores ainda acompanham o cenário com prudência.“Acredito que o mercado veja essa previsão com certa cautela. Embora seja possível avançar rapidamente em medidas operacionais e emergenciais, a recuperação completa da imagem e da estabilidade financeira de um banco normalmente demanda mais tempo.”
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Marlon Bento também alertou para os impactos fiscais da operação e para a possibilidade de novos aportes futuramente.
“Operações desse porte geram pressão sobre indicadores fiscais e aumentam a exposição financeira do governo. O impacto para as contas públicas vai depender das condições da operação e da necessidade, ou não, de novos aportes”, disse.
O especialista destacou ainda que setores como comércio, construção civil, agronegócio, pequenas empresas e mercado imobiliário podem sentir reflexos diretos da recuperação do BRB, já que dependem fortemente de crédito e financiamento.
Já Roberto Pereira, especialista em finanças e investimentos com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC/SP, afirma que o mercado encara a operação como uma solução emergencial.
“É claramente uma solução emergencial de curto prazo para atender à exigência do Banco Central. A operação de cobrança dos créditos será feita por um fundo de investimento para a gestão e monetização dos ativos. A recuperação estrutural dependerá da efetiva recuperação dos créditos do Master. Sem isso, tudo fica mais difícil. Por isso, todas as medidas apresentadas até aqui são vistas, aos olhos do mercado, com cautela e ceticismo.”
Na avaliação dos especialistas, a entrada do BTG Pactual na operação ajuda a transmitir maior segurança ao mercado financeiro e aos clientes do BRB, embora ainda existam dúvidas sobre a sustentabilidade do plano no longo prazo.
Reações políticas
O caso também provocou reação política na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O deputado distrital Max Maciel (PSOL-DF) defendeu a preservação do banco público, mas cobrou responsabilização dos envolvidos na crise.
“O BRB pertence à população do DF. O banco é importante para o funcionamento do serviço público e possui ativos sociais importantes, como habitação e programas sociais. Entendemos que é necessário salvar o BRB, pois a instituição não pode ser penalizada pelos erros de seus gestores”, declarou.
O parlamentar também voltou a defender a instalação de uma CPI para investigar as operações entre BRB e Banco Master.
“É importante que se instaure a CPI do BRB/Master para que os responsáveis sejam punidos por prejudicar o banco e a população.”