Crise no BRB chega à CLDF após reunião com presidente do Banco Central
Parlamentares cobram transparência do GDF e alertam para risco de intervenção no Banco de Brasília em meio às investigações envolvendo o Banco Master
A situação do Banco de Brasília (BRB) voltou ao centro do debate político no Distrito Federal após parlamentares da oposição se reunirem com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir a crise envolvendo operações financeiras entre o BRB e o Banco Master. O encontro repercutiu na sessão ordinária desta quarta-feira (20) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), com críticas ao Governo do Distrito Federal e cobranças por mais transparência sobre a situação financeira da instituição.
Participaram da reunião os deputados distritais Max Maciel, Fábio Felix, ambos do PSOL, além das deputadas federais Erika Kokay (PT) e Fernanda Melchionna (PSOL).
Durante discurso no plenário, Max Maciel afirmou que o presidente do Banco Central demonstrou preocupação com o caso, mas reforçou que qualquer decisão dependerá da análise técnica da situação financeira do banco. O parlamentar destacou que o GDF ainda não apresentou o balancete trimestral do BRB, documento que deveria ter sido entregue desde março.
“O que está parecendo é que o GDF está enrolando para deixar passar o período eleitoral e isso pode prejudicar o banco”, declarou o deputado. Segundo Maciel, a ausência do balanço impede que o Banco Central avalie oficialmente a capacidade financeira do BRB diante das suspeitas envolvendo operações bilionárias realizadas com o Banco Master.
As declarações acontecem em meio ao aprofundamento das investigações sobre a compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. O caso ganhou dimensão nacional após o Banco Central barrar a tentativa de aquisição do Master pelo banco público do DF e, posteriormente, decretar a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Saiba Mais
Escândalo do Banco Master coloca pré-candidatura de Flávio Bolsonaro sob pressão no PL
Flávio no Caso Master põe Michelle no páreo e pode afastar Centrão
Em audiência recente no Senado, Gabriel Galípolo afirmou que o Banco Central identificou problemas graves de liquidez e inconsistências nas operações do Master, especialmente na criação de novas carteiras financeiras em meio à crise da instituição. Na CLDF, Fábio Felix responsabilizou diretamente o ex-governador Ibaneis Rocha pela situação enfrentada pelo BRB e afirmou que o governo estaria evitando tomar medidas antes do calendário eleitoral.
“A população percebe isso. Minha sensação na reunião com o Galípolo é a de que o GDF não está fazendo nada para salvar o banco e está esperando passar as eleições para não ter que responder pelas irregularidades”, afirmou.
O deputado distrital Chico Vigilante também fez alertas sobre o cenário financeiro da instituição. Segundo ele, a não apresentação do balancete já estaria gerando multas diárias ao banco. “Se não tiver liquidez, o BRB pode entrar em regime especial do Banco Central, com afastamento da diretoria e investigação completa sobre a viabilidade da instituição”, declarou.
Repercussão política
O caso do BRB passou a ter forte repercussão política e econômica após denúncias envolvendo a compra de ativos e carteiras de crédito do Banco Master. Investigações apontam suspeitas sobre parte dos ativos negociados entre as instituições, em operações que chegaram à casa dos bilhões de reais.
Apesar da pressão política, o Banco Central tem sustentado que as decisões relacionadas ao BRB e ao Master seguem critérios técnicos e regulatórios. Em audiência no Senado, Galípolo negou que o BC tenha atuado para favorecer operações entre os bancos e afirmou que a autoridade monetária não pode ser arrastada para disputas políticas.