segunda-feira, 25 de maio de 2026
Tragédia

Morte de trabalhador após picada de cobra gera denúncia de negligência em Piracanjuba

Família suspeita que vítima tenha sido atacada por uma cascavel e questiona atendimento médico após agravamento do quadro clínico

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 25 de maio de 2026
Cobra
José Carlos Bernardes de Campos, de 56 anos, morreu após picada de cobra na zona rural de Piracanjuba - Reprodução

A morte do trabalhador rural José Carlos Bernardes de Campos, de 56 anos, após uma picada de cobra em Piracanjuba, no sul de Goiás, gerou questionamentos sobre o atendimento prestado à vítima e será investigada pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). Familiares suspeitam que o homem tenha sido atacado por uma cascavel enquanto trabalhava na zona rural do município.

Segundo relatos da família, José Carlos procurou atendimento médico no Hospital Municipal Thuany Garcia Ribeiro logo após o acidente. Ele permaneceu em observação por cerca de quatro horas e, em seguida, recebeu alta médica. Horas depois, porém, o quadro clínico se agravou enquanto ele estava na casa de parentes.

De acordo com familiares, o trabalhador começou a apresentar dificuldade para respirar e sensação de aperto no pescoço e na garganta, sintomas compatíveis com acidentes envolvendo serpentes peçonhentas. Diante da piora, ele retornou ao hospital, mas sofreu uma parada respiratória e morreu pouco depois.

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O caso provocou revolta entre parentes da vítima, que questionam a ausência da aplicação do soro antiofídico durante o atendimento. Nas redes sociais, a sobrinha de José Carlos, Geovanna Mendes, afirmou que a família considera que houve negligência médica.

“Os médicos do hospital simplesmente não aplicaram o soro antiofídico, que poderia ter feito toda a diferença. Não agiram com a urgência que a situação exigia”, escreveu.

Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Piracanjuba publicou uma nota oficial de esclarecimento. No comunicado, a Secretaria Municipal de Saúde manifestou solidariedade à família e informou que acompanha o caso administrativamente.

A pasta destacou que as decisões relacionadas à conduta clínica são de responsabilidade exclusiva dos profissionais médicos responsáveis pelo atendimento. Segundo a prefeitura, cabe à gestão municipal garantir estrutura, medicamentos e condições adequadas de funcionamento da unidade de saúde, enquanto diagnósticos, prescrições e procedimentos são atribuições técnicas dos médicos.

O Hospital Municipal Thuany Garcia Ribeiro também informou, em nota, que o paciente recebeu atendimento conforme os protocolos previstos para acidentes com animais peçonhentos. A unidade afirmou ainda que manteve contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) durante o acompanhamento do caso.

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informou que o óbito será investigado e ressaltou que, em acidentes com serpentes, o atendimento deve ser imediato. Segundo a pasta, a aplicação do soro antiofídico depende da avaliação clínica e dos sintomas apresentados pelo paciente. A SES-GO informou que ainda é necessário aguardar os laudos para confirmar oficialmente a causa da morte e o tipo de serpente envolvida no acidente.

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