O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) acompanha a evolução da temperatura das águas do Oceano Pacífico e monitora a possibilidade de formação de um episódio de El Niño no segundo semestre de 2026. Caso o aquecimento do oceano alcance 2°C acima da média histórica, o fenômeno poderá provocar atraso no início do período chuvoso em Goiás e ampliar os períodos de calor intenso no estado.
Atualmente, segundo o órgão, a temperatura do Pacífico está em 0,6°C acima da média e permanece estável. O gerente do Cimehgo, André de Oliveira Amorim, afirma que ainda não há confirmação de um cenário extremo, mas o acompanhamento segue contínuo. “Não está subindo como ocorreu de abril para maio”, explicou.
De acordo com o especialista, o comportamento das águas entre agosto e setembro será determinante para indicar se haverá intensificação do fenômeno. Em um cenário mais severo, o aquecimento poderia modificar a circulação dos ventos e reduzir o transporte de umidade vindo da Amazônia.
Impactos esperados em Goiás
Se o Pacífico atingir 2°C acima da média, a estimativa do Cimehgo é que o início regular das chuvas em Goiás atrase entre 15 e 20 dias. Na prática, outubro poderá apresentar precipitações isoladas e intervalos prolongados de estiagem.
“Chove um dia, depois fica 10 dias sem chover. Para o produtor rural, isso é um problema, porque ele planta e perde”, afirmou Amorim.
Segundo o órgão, mesmo com ocorrência de chuva durante outubro, a irregularidade impediria a consolidação do período chuvoso, que só teria tendência de normalização entre novembro e dezembro. Além dos impactos na agricultura, o fenômeno poderá elevar as temperaturas em Goiânia e em outras regiões do estado.
Normalmente, as chuvas de outubro ajudam a reduzir o calor registrado em setembro. Sem esse efeito, os termômetros poderiam alcançar máximas entre 32°C e 34°C na capital.
“Setembro já é quente aqui, mas em outubro, normalmente, com as chuvas, a temperatura começa a cair. Sem chuva, você vai para 32, 33, 34 graus em Goiânia”, destacou o gerente.
O Cimehgo também avalia que, em caso de confirmação do cenário mais intenso, alguns meses poderão registrar temperaturas entre 3°C e 5°C acima da média climatológica, especialmente entre setembro e outubro.
Outro possível reflexo seria a redução dos níveis de rios e mananciais, embora o órgão ressalte que ainda é cedo para confirmar esse impacto.
Monitoramento e prevenção da Cimehgo
Diante da possibilidade de agravamento do cenário climático, o Cimehgo informou que mantém reuniões semanais com a Defesa Civil para alinhar medidas preventivas voltadas ao enfrentamento de queimadas, estiagem prolongada e possíveis efeitos no abastecimento de água.
“Nós estamos desenvolvendo atividades e nos preparando para essa situação que vem pela frente. O foco é se preparar, avisar e alertar. Goiás tem olhado para isso e está se preparando”, concluiu Amorim.
Segundo o órgão, o monitoramento seguirá nos próximos meses e qualquer confirmação sobre a intensidade do fenômeno dependerá da evolução das temperaturas no Oceano Pacífico.