terça-feira, 26 de maio de 2026
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Cimehgo monitora possível formação de “super El Niño” e alerta para impacto no período chuvoso em Goiás

Fenômeno pode atrasar início das chuvas em até 20 dias e intensificar ondas de calor entre agosto e novembro

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 26 de maio de 2026
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Cimehgo monitora possível formação de “super El Niño” e alerta para impacto no período chuvoso em Goiás. Reprodução

O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) acompanha a evolução da temperatura das águas do Oceano Pacífico e monitora a possibilidade de formação de um episódio de El Niño no segundo semestre de 2026. Caso o aquecimento do oceano alcance 2°C acima da média histórica, o fenômeno poderá provocar atraso no início do período chuvoso em Goiás e ampliar os períodos de calor intenso no estado.

Atualmente, segundo o órgão, a temperatura do Pacífico está em 0,6°C acima da média e permanece estável. O gerente do Cimehgo, André de Oliveira Amorim, afirma que ainda não há confirmação de um cenário extremo, mas o acompanhamento segue contínuo. “Não está subindo como ocorreu de abril para maio”, explicou.

De acordo com o especialista, o comportamento das águas entre agosto e setembro será determinante para indicar se haverá intensificação do fenômeno. Em um cenário mais severo, o aquecimento poderia modificar a circulação dos ventos e reduzir o transporte de umidade vindo da Amazônia.

Impactos esperados em Goiás

Se o Pacífico atingir 2°C acima da média, a estimativa do Cimehgo é que o início regular das chuvas em Goiás atrase entre 15 e 20 dias. Na prática, outubro poderá apresentar precipitações isoladas e intervalos prolongados de estiagem.

“Chove um dia, depois fica 10 dias sem chover. Para o produtor rural, isso é um problema, porque ele planta e perde”, afirmou Amorim.

Segundo o órgão, mesmo com ocorrência de chuva durante outubro, a irregularidade impediria a consolidação do período chuvoso, que só teria tendência de normalização entre novembro e dezembro. Além dos impactos na agricultura, o fenômeno poderá elevar as temperaturas em Goiânia e em outras regiões do estado.

Normalmente, as chuvas de outubro ajudam a reduzir o calor registrado em setembro. Sem esse efeito, os termômetros poderiam alcançar máximas entre 32°C e 34°C na capital.

“Setembro já é quente aqui, mas em outubro, normalmente, com as chuvas, a temperatura começa a cair. Sem chuva, você vai para 32, 33, 34 graus em Goiânia”, destacou o gerente.

O Cimehgo também avalia que, em caso de confirmação do cenário mais intenso, alguns meses poderão registrar temperaturas entre 3°C e 5°C acima da média climatológica, especialmente entre setembro e outubro.

Outro possível reflexo seria a redução dos níveis de rios e mananciais, embora o órgão ressalte que ainda é cedo para confirmar esse impacto.

Monitoramento e prevenção da Cimehgo

Diante da possibilidade de agravamento do cenário climático, o Cimehgo informou que mantém reuniões semanais com a Defesa Civil para alinhar medidas preventivas voltadas ao enfrentamento de queimadas, estiagem prolongada e possíveis efeitos no abastecimento de água.

“Nós estamos desenvolvendo atividades e nos preparando para essa situação que vem pela frente. O foco é se preparar, avisar e alertar. Goiás tem olhado para isso e está se preparando”, concluiu Amorim.

Segundo o órgão, o monitoramento seguirá nos próximos meses e qualquer confirmação sobre a intensidade do fenômeno dependerá da evolução das temperaturas no Oceano Pacífico.

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