terça-feira, 26 de maio de 2026
OPINIÃO

IA virou tema de eleição porque políticos são da IM, Idade Média

Partido de Joaquim Barbosa o colocou em dificuldade, mas pré-candidatos, de presidente da República a deputado estadual, são alheios a tecnologia, tanto que a polarização não é sobre quem vai investir mais ou menos em inovação, mas quem vai investir nada ou coisa nenhuma

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 26 de maio de 2026
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O episódio, que começou junto com a semana, sinaliza para algo que os seguidos presidentes do Tribunal Superior Eleitoral têm prometido combater e não conseguem por ser impossível, o mau uso da tecnologia pelos políticos não porque eles não saibam usá-la bem, mas porque não sabem usá-la de jeito nenhum - Foto: Reprodução

Joaquim Barbosa estava às vésperas de completar quatro décadas no Ministério Público Federal quando o PT o levou para o Supremo Tribunal Federal. Bom, 39 anos no MPF, ficou no STF até se aposentar em 2014, já se vão outros 12, e queriam que ele detectasse o uso de inteligência artificial em seus produtos de pré-campanha? Aí o partido Democracia Cristã brincou com a inteligência natural de quem tem. O episódio, que começou junto com a semana, sinaliza para algo que os seguidos presidentes do Tribunal Superior Eleitoral têm prometido combater e não conseguem por ser impossível, o mau uso da tecnologia pelos políticos não porque eles não saibam usá-la bem, mas porque não sabem usá-la de jeito nenhum. Se o Brasil está no século passado em termos de avanço tecnológico, os pré-candidatos parecem do tempo das cavernas e, os melhorzinhos, da Idade Média.

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O governo federal anunciou investimentos de R$ 2 bilhões em 2025 e R$ 1 trilhão para a Previdência Social. Sim, 500 vezes mais. É de tal monta o atraso que dentro de Goiânia e Brasília há muitos lugares sem sinal de celular. E viajando da capital goiana à capital federal só se fala ao telefone com antena da Starlink. Na maioria dos lugares, olhe para seu aparelho: está pegando só 3G. Feira de ciências nas escolas públicas ainda está em plantar semente no algodão embebido em álcool, o que quer que isso signifique. Se o novo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, quiser conter os escritórios do ódio, nem deve perder seu tempo com IA, que qualquer design de agência fuleira descobre: seu foco precisa ser em ações do tempo das cavernas à Idade Média: compra de votos, caixa 2 etc..

2026 promete repetir a temporada de asneiras bisada a cada dois anos

As campanhas costumam ser tão previsíveis, e este 2026 promete repetir a temporada de asneiras bisada a cada dois anos, que o máximo de ousadia em burlar o sistema é a postagem via laranjas. Todo bicho de orelha ouve nos cafés as inconfidências dos políticos. Na Assembleia Legislativa, fica-se inteirado do que as chapas vão fazer. Na média, acham que internet é mais para ler fofoca, ver cena de sexo e jogar no tigrinho. São de tal maneira cafuçus que consideram as redes sociais apenas para fustigar os adversários, não para vender seu peixe, inclusive por não terem o que propor.

Novamente, a campanha está polarizada com o PT contra alguém, como foi em 1989 (contra o PRN de Fernando Collor), de 1994 a 2014 (contra o PSDB de FHC, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves), em 2018 e 2022 (contra o PSL e PL de Jair Bolsonaro). Não se discute qual candidato, ganhando para presidente, vai destinar mais recursos que Lula para ciência, tecnologia e inovação. Não é esse o debate. O que se discute é o filho de um estar enrascado com o escândalo da roubalheira de aposentados do INSS e o doutor metido com Daniel Vorcaro do Banco Master. Não é a inteligência artificial contra a burrice geral, até porque a 2ª já foi eleita e deve continuar no cargo por mais muitos mandatos, não importa quem se sobressaia nas urnas.

Não é uma competição acerca do futuro, é um torneio de passado

Detalhe aterrador: do ponto de vista da sobrevivência, os políticos, do PT ao PL, estão corretos em relegar C&T a último plano. O eleitor está pagando e andando para essa bobagem, daí o foco dos políticos ser… os políticos. Não é uma competição acerca do futuro, é um torneio de passado. Joaquim Barbosa tem 71 anos, mais novo que os pré-candidatos do PT, Lula (80), e do PSD, Ronaldo Caiado (76); mais velho que o do Novo, Romeu Zema (61), e muito mais velho que o do PL, Flávio Bolsonaro (45), e mais ainda que o do Missão, Renan Santos (42). O que idade significa neste momento? Nada, pois nenhum disse que vai aplicar mais verbas em inovação que nas Forças Armadas, nos programas sociais, em pagar juros da dívida pública ou em atolá-las na Previdência.

A única forma de mudar o quadro é a longo prazo, para quando Renan Santos estiver com a idade de Lula (com a idade, não com a pauta) o ciclo entre um pleito e outro ser marcado como o iPhone, de 1 a 17, e se aprimorando a cada ano. Se no Natal seguinte não aparecer novidade tecnológica em relação ao réveillon passado, o partido que estiver no poder vai perder em massa para os concorrentes. Porém, como os gestores públicos estão mais para o orelhão de ficha que para os aparelhos da Apple, as agências de publicidade vão continuar lhes dando trabalho, como os marqueteiros do DC acabam de gerar manchetes negativas para Joaquim Barbosa, tão insignificante nas pesquisas quanto o pré-candidato que substituiu, o ex-ministro Aldo Rebelo. A diferença é que Aldo mudou da água para o vinho, do Partido Comunista para um liberalismo quase Tatcher/Reagan, enquanto Barbosa não tinha nem o que mudar. (Especial para O HOJE)

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