quarta-feira, 27 de maio de 2026
SEM DESCONTOS

INSS: PF e CGU investigam descontos não autorizados de pensionistas

Nova fase da Operação Sem Desconto cumpre mandados em quatro unidades da federação e aprofunda investigação sobre cobranças indevidas em benefícios de aposentados e pensionistas

Luma Silveirapor Luma Silveira em 27 de maio de 2026
INSS
Em março, a PF e a CGU já haviam deflagrado a Operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto - Foto: Marcelo Casal / Agência Brasil

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira (27) mais uma fase da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As ações ocorrem em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal. Ao todo, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram determinadas medidas de bloqueio patrimonial e outras restrições contra investigados.

Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da operação busca aprofundar as investigações sobre crimes praticados contra a administração pública, incluindo organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação de patrimônio.

Esquema teria movimentado R$ 6,3 bilhões

As investigações apontam que entidades associativas realizaram descontos indevidos diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização dos segurados. A estimativa é de que cerca de R$ 6,3 bilhões tenham sido descontados entre 2019 e 2024.

A fraude foi revelada a partir de apurações da Operação Sem Desconto, deflagrada originalmente em abril de 2025. Na ocasião, a PF e a CGU identificaram irregularidades envolvendo mensalidades associativas cobradas diretamente na folha de pagamento de beneficiários do INSS.

Leia também: Ex-secretário de Cultura de Goiânia, Zander Fábio é preso suspeito de desviar R$ 1,5 milhão

A primeira ofensiva mobilizou cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU em diversos estados e no Distrito Federal. Foram cumpridos mais de 200 mandados judiciais, além de ordens de sequestro de bens superiores a R$ 1 bilhão e seis mandados de prisão temporária.

Pelo menos seis servidores públicos foram afastados das funções durante aquela fase da investigação.

Em março deste ano, a Polícia Federal já havia realizado outro desdobramento do caso por meio da Operação Indébito. Naquele momento, agentes cumpriram 19 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão no Ceará e no Distrito Federal.

As investigações continuam para identificar o alcance do esquema, possíveis ramificações em outros estados e a participação de novas entidades e servidores públicos no caso.

Como funcionava a fraude

De acordo com as investigações, entidades associativas incluíam cobranças mensais diretamente nos benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem consentimento formal dos segurados.

Os descontos apareciam nos extratos do INSS como mensalidades de associações ou sindicatos. Em muitos casos, os beneficiários afirmavam desconhecer completamente a filiação às entidades responsáveis pelas cobranças.

A suspeita é de que o esquema tenha atuado nacionalmente durante anos, atingindo milhares de aposentados e pensionistas em diferentes estados do país.

Com informações da Agência Brasil

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também