quarta-feira, 27 de maio de 2026
Pressão popular

Apoio dos trabalhadores torna avanço da PEC da escala 6×1 quase inevitável

Pressão popular e acordo político fortalecem proposta que reduz jornada semanal e amplia período de descanso sem corte de salários

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 27 de maio de 2026
Fim da escala 6x1
“O texto deve passar. Não tem jeito”, declarou deputado goiano ao O HOJE. Foto: Valter Campanato/ABr

Bruno Goulart

O avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 já é tratado como praticamente inevitável no Congresso Nacional. A forte pressão popular e o apoio de trabalhadores de diferentes categorias aumentaram o peso político da matéria, que deve ser votada nos próximos dias na Câmara dos Deputados. O texto estabelece uma redução gradual da jornada semanal de trabalho, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso por semana.

O relatório apresentado pelo deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA) prevê que a carga horária semanal cairá das atuais 44 horas para 42 horas ainda em 2026, em até 60 dias após a promulgação da PEC. Em 2027, a jornada máxima deverá ser reduzida para 40 horas semanais. A proposta também determina que um dos dias de descanso seja, preferencialmente, aos domingos.

A medida ainda permite que convenções coletivas e acordos trabalhistas estabeleçam regras específicas para determinadas categorias, desde que o limite semanal seja respeitado. Durante o período de transição, as 42 horas poderão ser distribuídas em cinco dias úteis, possibilitando jornadas de até dez horas por dia sem pagamento de horas extras, desde que o total semanal não seja ultrapassado.

Pressão popular

Nos bastidores da Câmara, parlamentares avaliam que o apoio da população tornou o debate difícil de ser ignorado. O deputado federal Zacharias Calil (MDB) afirma ao O HOJE que o texto construído entre lideranças deve avançar sem dificuldades. “Ali na Câmara funciona da seguinte maneira: tudo é acordo. O texto deve passar. Não tem jeito”, declara.

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Segundo o parlamentar, a proposta conseguiu criar um ponto de equilíbrio entre os interesses dos trabalhadores e a necessidade de adaptação do setor produtivo. “É uma transição que deve ter ficado boa para todos. Para empresários e trabalhadores”, pondera. Inicialmente, alguns deputados defendiam um prazo de até dez anos para implantação completa da medida, mas a ideia perdeu força após negociações políticas.

“Retirei meu apoio à emenda de transição de dez anos. Era um prazo extenso”, explica Calil. Para o deputado da bancada goiana, o período de um ano previsto no relatório é suficiente para que empresas consigam reorganizar escalas e contratos de trabalho sem muitos prejuízos à atividade econômica.

O deputado também destacou o desgaste enfrentado por trabalhadores que acumulam jornadas extensas, principalmente na área da saúde, na qual trabalha. “Vejo o sofrimento da enfermagem. Trabalham em vários turnos”, comenta. Na avaliação de Zacharias Calil, a redução da jornada acompanha uma tendência já adotada em países desenvolvidos. “Países de primeiro mundo já reduzem jornada”, acrescenta.

Preocupação com impactos

Apesar do apoio crescente à PEC, parte dos parlamentares demonstra preocupação com possíveis impactos econômicos da mudança. O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD) afirmou à reportagem que pretende votar favoravelmente à proposta, mas diz acreditar que a medida pode provocar aumento nos preços de produtos e serviços.

“No geral, acredito que possa gerar inflação”, avalia. Segundo Alexandrino, o impacto pode chegar a até 6%, o que afetaria principalmente o poder de compra da classe média. Mesmo assim, o pessedista afirma que o desejo da população deve prevalecer no debate político. “Mas a população quer. Como represento o povo, vou apoiar”, observa.

Além da redução da jornada, empresários também discutem medidas compensatórias para minimizar os impactos financeiros da mudança. Entre as alternativas debatidas estão a desoneração da folha de pagamento e a ampliação de contratos por hora trabalhada. (Especial para O HOJE)

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