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PT se divide entre palanque para Lula e bancada federal goiana

Indefinição de quem será o candidato ao Governo do Estado passa pelas diferentes leituras do cenário político dentro do partido

Thiago Borgespor em
PT se divide entre palanque para Lula e bancada federal goiana
Petistas têm como objetivo reeleger o presidente Lula e ampliar a bancada na Câmara dos Deputados | Foto: Divulgação

A indefinição que paira sobre o PT a respeito de quem será o nome escolhido pelo partido para disputar o Governo do Estado é em razão, sobretudo, do dilema que o partido vive em âmbito nacional. Isso porque os petistas têm como principal objetivo reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ampliar a bancada na Câmara dos Deputados, para que, num eventual quarto governo lulista, o chefe do Executivo encontre menos resistência no Congresso Nacional.

Com a missão do PT nacional estabelecida, a direção da legenda em Goiás se divide em duas frentes: montar uma chapa majoritária competitiva na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, para que Lula tenha um palanque eleitoral robusto no Estado, e ampliar a representação do campo progressista na bancada federal goiana. Na última segunda-feira (25), o partido criou a “Frente Democrática”, que reúne, além do próprio PT, a Federação PSOL-Rede, o PDT, o PSB, o PCdoB e o PV, que defenderá a reeleição de Lula em solo goiano.

Internamente, uma ala do partido defende que os principais ativos políticos da sigla se mantenham na disputa pela Casa Baixa. Os defensores da tese entendem que o PT tem condição de reeleger os dois deputados federais goianos, a presidente estadual Adriana Accorsi e Rubens Otoni, e ainda conquistar uma terceira cadeira. Os principais cotados para conseguir os votos suficientes para ocupar esse espaço na próxima legislatura da Câmara são o vereador Edward Madureira e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.

A avaliação é compartilhada pelo doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB) e professor da PUC-GO, Pedro Pietrafesa. Segundo o especialista, do ponto de vista estratégico, o partido ganha mais mantendo seus principais nomes na disputa proporcional. “Os nomes mais fortes do PT, como a presidente Adriana Accorsi e o Rubens Otoni, é melhor estrategicamente para o PT manter eles como candidatos a deputado federal, com uma grande chance de serem reeleitos”, avalia.

Outra tese

A outra tese defendida internamente é de que a reeleição de Lula está acima de projetos pessoais e, por isso, o PT deve lançar ao Governo do Estado o nome com maior peso político e melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Neste caso, o entendimento recai sobre Accorsi, que costuma aparecer entre 8% e 10% nos principais levantamentos eleitorais.

Na visão de Pietrafesa, Edward era a alternativa viável justamente por não estar diante de uma disputa de reeleição neste ciclo eleitoral. “Talvez seria o nome interessante para que o partido pudesse lançar a candidatura para o Governo do Estado e deixar os candidatos fortes para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa”, pontua.

O entendimento do núcleo petista passa pela leitura de que, com pouco mais de cinco meses para o primeiro turno das eleições, o partido terá de correr contra o tempo para construir uma candidatura forte, que percorra os municípios em defesa dos programas e investimentos do governo federal em Goiás.

Leia mais: Valdemar diz que rejeitar fim da escala 6×1 pode favorecer Lula em 2026

Dificuldades para a esquerda

Apesar do entendimento, Pietrafesa pondera que a esquerda enfrenta dificuldades históricas para competir em igualdade de condições com os grupos conservadores no Estado. “Mesmo quando o Caiado foi eleito a primeira vez, que estava disputando contra o candidato da situação, no final da hegemonia do PSDB, o candidato à esquerda teve dificuldades de se manter forte”, destaca.

“Já faz muito tempo que uma candidatura de esquerda tem dificuldade de concorrer de igual para igual com as candidaturas da direita aqui no Estado de Goiás”, afirma Pietrafesa.

O cientista político lembra ainda que, em 2022, Lula concentrou agendas em Estados considerados mais competitivos eleitoralmente para o PT e reduziu a presença onde há forte rejeição ao petismo, caso de Goiás. A estratégia, segundo Pietrafesa, pode voltar a ser repetida neste ano e reforçaria a tese de que o partido precisa focar nas eleições proporcionais, sobretudo se o partido não conseguir estruturar um palanque estadual competitivo em tempo hábil.

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