Acordo entre EUA e Irã espera aprovação final de Trump
O memorando que aguarda aval, amplia o cessar-fogo por 60 dias e abre as negociações sobre programa nuclear iraniano
As negociações entre Estados Unidos (EUA) e Irã avançaram para uma proposta de extensão do cessar-fogo por mais 60 dias, acompanhada da abertura de discussões sobre o programa nuclear iraniano. O entendimento foi relatado nesta quinta-feira (28) pelo site Axios, que citou autoridades norte-americanas envolvidas nas tratativas. Apesar do avanço, a proposta ainda depende da aprovação do presidente Donald Trump.
De acordo com a publicação, representantes dos dois países chegaram a um texto preliminar considerado o movimento diplomático mais importante desde o início do conflito. O memorando, porém, não encerra as divergências entre Washington e Teerã, a principal discussão continua relacionada às exigências do governo norte-americano sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã.
As conversas teriam alcançado um ponto próximo da conclusão ainda na terça-feira (26). Segundo fontes ouvidas pelo Axios, integrantes da delegação iraniana indicaram disposição para assinar o documento, enquanto Trump informou aos mediadores que pretendia analisar melhor a proposta antes de dar uma resposta definitiva.
A tentativa de aproximação ocorreu em meio ao aumento da tensão militar na região. Os dois países voltaram a trocar ataques, expondo a instabilidade do cessar-fogo em vigor desde abril.
O confronto mais recente começou após militares dos EUA derrubarem drones iranianos próximos ao Estreito de Ormuz. Enquanto a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou ter atacado uma base militar norte-americana ligada às operações realizadas contra o território iraniano. O grupo afirmou ainda que qualquer nova ofensiva poderá provocar uma reação “mais decisiva”.
O Kuwait também relatou ter sido alvo de mísseis e drones iranianos nesta quinta-feira. O país abriga uma grande base militar dos Estados Unidos e integra a área estratégica do Golfo Pérsico.
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Tensão entre EUA e Irã sobre o Estreito de Ormuz
A situação aumentou as preocupações sobre o Estreito de Ormuz, rota marítima considerada essencial para o transporte mundial de petróleo. Em meio às tensões, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou ter recebido garantias de Omã de que o país não pretende cobrar pedágio pela navegação na região.
Mais cedo, Bessent havia ameaçado adotar medidas econômicas caso o governo omanita apoiasse qualquer iniciativa relacionada à cobrança no estreito. Na quarta-feira (27), Trump também comentou o tema e afirmou que Omã “vai se comportar como todos os outros, ou teremos que destruí-los”.

Ao ser questionado sobre a declaração do presidente, o secretário afirmou que a intenção da Casa Branca era reforçar a defesa da liberdade de navegação na rota marítima.
Enquanto veículos norte-americanos apontavam avanço nas negociações, a agência iraniana Tasnim negou que exista um texto finalizado sobre um acordo entre os dois países. Segundo uma fonte próxima à equipe de negociação iraniana, nenhuma confirmação oficial foi enviada aos mediadores do Paquistão.
A tensão regional também se refletiu no Líbano. Um ataque israelense à cidade de Tiro deixou 11 mortos nesta quinta-feira, segundo o Ministério da Saúde libanês. Bombardeios também atingiram áreas próximas a Beirute, no primeiro ataque aos arredores da capital em várias semanas.
De acordo com o governo israelense, as ações militares têm como alvo o Hezbollah. Autoridades libanesas afirmam que mais de 3.200 pessoas morreram desde o início da ofensiva israelense. A Organização Mundial da Saúde informou que ao menos 608 mortes foram registradas no país desde o início da trégua.