quinta-feira, 29 de outubro de 2026
FALTOU INFORMAÇÃO

Caiado atribui ao governo federal falta de alerta sobre investigados ligados ao crime organizado

Ao comentar o caso, Ronaldo Caiado afirmou que eventuais informações sobre investigados deveriam ter sido compartilhadas previamente por órgãos federais, permitindo a adoção de medidas preventivas pelos estados

Luma Silveirapor em
Caiado
Ronaldo Caiado cobra comunicação prévia de órgãos federais e diz que informações sobre suspeitos poderiam ter evitado situações de exposição ao governo estadual - Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que o governo federal deveria ter compartilhado previamente informações sobre pessoas que estariam sob investigação por supostos vínculos com o crime organizado. A declaração foi dada em resposta à reportagem publicada pelo portal Metrópoles, que abordou a participação do político em um evento ao lado de um empresário citado em investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo.

Segundo o Metrópoles, Caiado argumentou que órgãos federais responsáveis pelo monitoramento de movimentações financeiras suspeitas dispõem de informações que poderiam subsidiar ações preventivas por parte dos estados.

“Se essas pessoas têm vínculo com o narcotráfico, isso deveria ter sido preventivamente informado ao governo do Estado, já que apenas o Coaf do governo federal tem acesso a dados do sistema financeiro que permitiriam a identificação e a ação preventiva”, declarou o ex-governador ao portal.

A reportagem também destaca que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tem como atribuição encaminhar comunicações de operações suspeitas a órgãos de investigação, como polícias e Ministérios Públicos. O órgão, porém, não atua diretamente no repasse dessas informações aos governos estaduais, e nem toda comunicação de movimentação atípica representa, necessariamente, a confirmação de um crime.

Ainda de acordo com o Metrópoles, Caiado afirmou não possuir relação pessoal com a advogada e empresária Maria Caroline Lazarini Dias, que presidiu o Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed). A organização contratou empresas ligadas a Thiago Telles, investigado pela Polícia Civil de São Paulo.

Ao portal, o ex-governador declarou que conheceu a empresária exclusivamente em razão de sua atuação profissional junto ao governo estadual.

“Conheci a citada empresária na qualidade de prestadora de serviços ao governo e com ela não mantive ou mantenho relação pessoal de nenhuma natureza”, afirmou.

Em nota enviada ao jornal O HOJE, o ex-governador Ronaldo Caiado afirmou que nenhum contratante, seja do setor público ou privado, tem como identificar previamente eventual envolvimento de representantes de empresas com organizações criminosas antes da existência de investigações policiais ou decisões judiciais. Caiado também criticou a falta de compartilhamento de informações por órgãos federais de inteligência e controle.

Nota na íntegra

“Nenhum contratante, seja do setor público ou do privado, consegue ter conhecimento prévio sobre envolvimento de representantes de empresas contratadas com organizações criminosas antes de investigações policiais e decisões judiciais. Menos ainda em contratos ‘quarteirizados’, ou seja, nas prestadoras de serviços subcontratadas, como é o caso.

As empresas contratadas tinham todas as certidões negativas exigidas por lei, no Poder Judiciário, Receita Federal e demais órgãos de controle.

A questão principal é outra: porque informações que estão na mão do governo federal, e que poderiam ajudar os Estados a identificar os maus empresários antes das contratações, não são compartilhadas com órgãos de controle estaduais? O Coaf, a Receita Federal e a Polícia Federal poderiam alertar as administrações com antecedência. Mas se negam a compartilhar informações.

Sem acesso às bases de inteligência, Estados e municípios não têm instrumentos para identificar previamente vínculos ocultos de pessoas ou empresas com organizações criminosas.

O governo federal do Lula e do PT não compartilham informações. São coniventes com o crime organizado, são irmãos siameses dessas facções terroristas. O governo federal terceiriza para os Estados, sem oferecer nenhuma ferramenta, a sua responsabilidade de combater esses crimes federais. E persegue seus adversários políticos para fazer prevalecer interesses eleitorais espúrios. Eles têm medo da mão pesada de Ronaldo Caiado no combate aos criminosos e faccionados.”

Ronaldo Caiado
Ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República.

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