Bruno Caveira comemora 20 anos de carreira e revisita a história da cena alternativa de Goiânia
DJ que estreou em 2006 num Chill Out de trance reúne neste sábado artistas de diferentes gerações no Subverso para celebrar duas décadas de pesquisa musical na capital
Quando Bruno Caveira estreou como DJ, em 2006, num espaço chamado Caverna, próximo à BR-153, ele assumiu o “Chill Out” enquanto a pista principal pulsava trance. A seleção contemplativa, misturando trip-hop, dub e sonoridades britânicas, chamou a atenção de produtores presentes e abriu as primeiras portas de uma carreira que, duas décadas depois, se tornou referência na cena musical goianiense.
Neste sábado (6), ele celebra essa trajetória com a festa 20 ANOS DE SOM, no Subverso Coffee Culture, no Setor Bueno, a partir das 21h. A programação reúne artistas de diferentes gerações e pesquisas musicais, com sets que percorrem música brasileira, soul, jazz, afrobeat, cumbia, house e disco. Entre os convidados estão DJ Bill, de Belo Horizonte, com Vinil Set, Mark b2b Pacheco, DJ Ju Gonzaga, Cadelacéu e Manga.
“É uma celebração da cultura do DJ, um encontro entre gerações, estilos musicais e memórias coletivas construídas ao longo de duas décadas de pesquisa e circulação cultural. Quero trazer pessoas queridas para perto de mim e mostrar todos os estilos que uma noite pode abraçar”, conta Caveira.
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A cidade que mudou junto
Bruno acompanhou de perto as transformações da noite goianiense. Se no início dos anos 2000 a cena alternativa estava concentrada em espaços ligados ao rock, a década seguinte trouxe novas influências e ampliou o repertório cultural da cidade.
Um dos marcos dessa mudança foi o projeto Quinta Ativa, no Centro Cultural Martim Cererê, a partir de 2010. Foi ali que o DJ aprofundou sua pesquisa em música brasileira e construiu uma identidade artística baseada na mistura entre ritmos nacionais e linguagens eletrônicas. “Foi uma época muito importante. O Martim estava extremamente efervescente e havia uma abertura enorme para novas pesquisas musicais”, lembra.
Para Bruno, essa transformação contribuiu para ampliar o interesse do público por sonoridades que escapavam dos circuitos mais tradicionais. “Goiânia sempre teve potencial para ser uma cidade plural. Hoje a gente vê um público interessado em descobrir música nova, em conhecer outras culturas e em ocupar esses espaços”, ressalta.
DJ como mediador cultural
Ao longo da carreira, Bruno deixou de enxergar a discotecagem como entretenimento e passou a compreendê-la como curadoria cultural. Seu trabalho envolve pesquisa constante e disposição para ir contra preconceitos musicais. Acumulou experiências em Belém, Rio de Janeiro e São Paulo, com contato direto com carimbó, guitarrada e diversas vertentes da música eletrônica brasileira. Dividiu eventos com Marina Lima, Tom Zé, Dona Onete, Elza Soares e Hermeto Pascoal.
“O DJ é um contador de histórias. A música passa por mim, chega na pista e volta em forma de resposta do público. Quando essa troca acontece, é ali que surge o momento artístico”, destaca.
Mesmo com convites em outras cidades, escolheu manter Goiânia como base, por razões afetivas e por um compromisso com a construção cultural local. “Eu acredito que Goiânia pode ser muito mais plural. A cidade tem público, tem artistas, tem espaços e tem potencial para acolher diferentes manifestações”, afirma.
Serviço
O quê: 20 ANOS DE SOM — Bruno Caveira
Quando: 6 de junho, a partir das 21h
Onde: Subverso Coffee Culture, Av. Mutirão, 1932, Bloco B, Sala 02, Setor Bueno, Goiânia
Ingressos: Sympla