Em Goiás, Lula culpa família Bolsonaro por pressão dos EUA sobre Pix e tarifas contra o Brasil
Presidente afirma que Flávio Bolsonaro pediu intervenção de Donald Trump e diz que medida prejudica empresários, agronegócio e trabalhadores brasileiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu à família Bolsonaro parte da pressão exercida pelos Estados Unidos contra o Brasil após o governo norte-americano incluir o Pix em uma investigação comercial e propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. As declarações foram feitas nesta terça-feira (2), durante agenda no Hospital Universitário de Rio Verde, no sudoeste goiano.
Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula afirmou que um integrante da família do ex-presidente Jair Bolsonaro teria recorrido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interferir em questões internas do Brasil.
“Foi aos Estados Unidos pedir para o Trump intervir no Pix brasileiro. Você acha que a gente vai deixar? Não vai deixar”, declarou o presidente.
A fala ocorre poucos dias após Flávio Bolsonaro se reunir com Trump na Casa Branca, em Washington, acompanhado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos.
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Críticas a Flávio Bolsonaro
Mais cedo, durante evento em Catalão, também em Goiás, Lula voltou a associar a família Bolsonaro às recentes medidas anunciadas pelos Estados Unidos e criticou declarações do senador negando qualquer pedido de interferência norte-americana.
“Esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo: ‘eu não falei nada’. Todo covarde é assim”, afirmou.
O presidente argumentou que eventuais sanções comerciais dos Estados Unidos não atingiriam apenas o governo federal, mas setores produtivos da economia brasileira.
“Ele não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários brasileiros e o agronegócio”, disse.
Pix no centro da disputa
O Pix tornou-se um dos principais focos da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão norte-americano alega que o modelo regulatório brasileiro favorece o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e dificulta a atuação de empresas estrangeiras do setor.
Para Lula, porém, o sucesso do Pix explica o incômodo demonstrado pelos Estados Unidos. O presidente argumenta que o sistema brasileiro se tornou uma alternativa eficiente e de baixo custo em comparação a plataformas privadas utilizadas internacionalmente.
A posição foi reforçada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que saiu em defesa do modelo. Em nota, a entidade afirmou que o Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos que amplia a concorrência, reduz custos e promove inclusão financeira, sem impor barreiras à entrada de novos participantes.
Tarifas preocupam exportadores
Além das críticas ao Pix, o governo norte-americano avalia a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo estimativas divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderão ser afetadas caso a medida seja implementada.
Flávio Bolsonaro rebateu as acusações do presidente e afirmou, por meio das redes sociais, que pediu justamente o contrário durante o encontro com Trump. Segundo o senador, ele solicitou que os produtos brasileiros não fossem alvo de novas tarifas e encaminhou uma carta ao presidente norte-americano reforçando esse posicionamento.
A proposta dos Estados Unidos ainda será submetida a consulta pública e poderá ter uma decisão final em julho. Enquanto isso, o episódio amplia o embate político entre o governo Lula e a família Bolsonaro em torno das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Com informações da Agência Brasil