segunda-feira, 21 de setembro de 2026
OPINIÃO

Goiás ganha mais quando partidos fortalecem seus presidenciáveis

A eleição anterior mostra por que o Estado não tem grandes obras: o atual presidente perdeu e agora tem razão ao exigir do PT candidato competitivo; Tebet, do partido de Daniel, teve votação menor que deputado; Tronicke, da então sigla de Caiado, seria suplente na Assembleia

Nilson Gomespor em
Goiás
Desempenho dos presidenciáveis apoiados por lideranças goianas em 2022 reacende debate sobre o peso político de Goiás em Brasília e sua capacidade de atrair investimentos federais - Foto: Paulo José - Prefeitura de Goiânia

Goiás vive há décadas sem grandes obras federais. Não recebeu universidades de ponta, metrô ou projetos estruturantes de grande porte. A última grande duplicação rodoviária federal ocorreu na BR-060, entre Goiânia e Jataí, ainda durante o governo Dilma Rousseff. Em Itumbiara, um dos principais polos exportadores do Estado, a ligação com Minas Gerais continua dependente de uma ponte com apenas uma pista em cada sentido, gerando filas constantes de caminhões.

O isolamento político e econômico do Estado pode estar relacionado à sua baixa influência eleitoral e à pouca capacidade de articulação junto ao governo federal. Nesse contexto, os partidos poderiam contribuir mais ao fortalecer suas lideranças nacionais e atuar de forma coordenada para atrair recursos e investimentos estruturantes.

O recado de Lula ao PT goiano

Durante visita a Catalão e Rio Verde nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou um recado importante nos bastidores: o PT precisa apresentar um candidato competitivo ao governo de Goiás em 2026.

A avaliação tem fundamento. Em 2022, o candidato petista ao governo, Wolmir Amado, obteve apenas 243.561 votos, menos do que a deputada federal Silvye Alves conquistou na disputa para a Câmara dos Deputados. Já Lula recebeu mais de 1,4 milhão de votos no primeiro turno e ultrapassou 1,5 milhão no segundo, demonstrando que existe um eleitorado petista significativamente maior do que o desempenho da legenda no cenário estadual.

Quem pode representar o PT

Hoje, o PT goiano possui alguns nomes com potencial para disputar o governo estadual, entre eles os deputados federais Adriana Accorsi e Rubens Otoni, o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira e o ex-dirigente partidário Delúbio Soares.

Nos bastidores, Adriana Accorsi aparece como a principal alternativa. Uma candidatura sua poderia fortalecer a chapa proporcional do partido, ampliar a votação presidencial de Lula em Goiás e consolidar o espaço petista no Estado.

A falta de alinhamento dos demais partidos

A disciplina partidária demonstrada pelo PT contrasta com o comportamento de outras legendas. Em 2022, Ronaldo Caiado foi reeleito governador com ampla vantagem, enquanto a candidata presidencial de seu partido à época, Soraya Thronicke, recebeu votação inexpressiva em Goiás.

Situação semelhante ocorreu com Simone Tebet, candidata do MDB à Presidência. Apesar de o partido comandar importantes espaços políticos no Estado, a então presidenciável obteve desempenho modesto entre os eleitores goianos. O mesmo aconteceu com Ciro Gomes, apoiado pelo PDT local.

A consequência é que lideranças nacionais acabam sem grandes incentivos políticos para priorizar Goiás em suas agendas administrativas e de investimentos.

O peso político do voto

A lógica é simples: quanto mais expressiva a votação de um presidenciável em determinado Estado, maior tende a ser sua atenção política àquela região após a eleição. Por isso, a mobilização dos diretórios estaduais em favor de seus candidatos nacionais pode fortalecer a influência de Goiás em Brasília.

Se os partidos exigissem de suas lideranças estaduais o mesmo comprometimento que o PT cobra de seus filiados, o cenário político goiano poderia ser diferente. O fortalecimento das candidaturas nacionais ajudaria a ampliar o peso do Estado nas negociações federais e aumentaria as chances de atração de investimentos estratégicos.(Especial para O HOJE)

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