Presidente do BRB promete responsabilização por irregularidades e defende operação bilionária com apoio do FGC
Nelson Antônio de Souza prestou esclarecimentos ao Senado sobre os impactos da crise envolvendo o Banco Master e afirmou que instituição atuará para apurar eventuais fraudes e preservar a solidez do banco
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (09), durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que a instituição vai colaborar com as investigações e com a responsabilização de eventuais envolvidos em irregularidades relacionadas às operações do Banco Master.
Convocado para prestar esclarecimentos aos senadores sobre os desdobramentos da crise envolvendo a instituição financeira, Nelson ressaltou que a atual gestão trabalha para reforçar a governança, corrigir falhas identificadas e preservar a credibilidade do banco público do Distrito Federal.
“Reconhecemos os desafios enfrentados pelo banco e não minimizamos a importância dos fatos apurados. Nosso dever é preservar o BRB, corrigir falhas, colaborar com a responsabilização de todos aqueles que cometeram irregularidades e garantir que o banco continue servindo à população com solidez, segurança e transparência”, declarou.
A audiência foi solicitada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que defendeu a necessidade de esclarecimentos sobre a condução das operações envolvendo o Banco Master, os mecanismos de controle adotados pela instituição e os impactos financeiros para o BRB e para o Distrito Federal.
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Nos últimos meses, o caso ganhou repercussão nacional após auditorias, investigações e discussões envolvendo ativos e operações vinculadas ao Master, levando o Governo do Distrito Federal, o Banco Central, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a União a construírem uma solução para reforçar a segurança financeira do BRB.
Durante a sessão, Nelson também defendeu o acordo que prevê uma operação de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos. Segundo ele, trata-se de uma estrutura inédita no sistema financeiro nacional.
“É uma engenharia financeira jamais vista neste país”, afirmou.
O presidente destacou ainda que a operação não envolve aporte direto de recursos da União nem concessão de garantias federais, sendo estruturada dentro dos limites legais e regulatórios vigentes.
A proposta faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e depende agora da aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O projeto de lei foi encaminhado recentemente pela governadora Celina Leão (PP) e autoriza o GDF a oferecer garantias necessárias para viabilizar a operação financeira.
Nos bastidores, o governo local sustenta que a medida é fundamental para assegurar a estabilidade do BRB e proteger o sistema financeiro regional. Já parlamentares da oposição defendem maior transparência sobre os termos do acordo e os impactos futuros da operação para os cofres públicos.
Ao longo da audiência, senadores também questionaram os mecanismos de governança adotados pelo banco, a gestão de riscos das operações realizadas nos últimos anos e as medidas que serão implementadas para evitar situações semelhantes no futuro.
A expectativa é que os esclarecimentos apresentados pelo presidente do BRB contribuam para o debate que será travado na Câmara Legislativa nas próximas semanas, quando os deputados distritais deverão analisar o projeto que autoriza a operação bilionária considerada estratégica para o futuro da instituição financeira.