Celina promete “resolver” déficit e crise do BRB durante sabatina
Candidata à reeleição afirmou que herdou problemas da gestão Ibaneis, defendeu medidas de ajuste fiscal e apresentou propostas para saúde, educação, mobilidade e segurança
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A governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) afirmou que pretende enfrentar o déficit nas contas públicas e a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) com medidas de ajuste, diálogo institucional e redução de despesas. As declarações foram feitas durante a sabatina promovida pelo Correio Braziliense nesta terça-feira (11), que reuniu os candidatos ao Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026.
Ao longo de uma hora de entrevista, Celina apresentou propostas para diferentes áreas da administração pública e procurou estabelecer uma distinção entre sua gestão e a do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice. A candidata reconheceu avanços do governo anterior, mas atribuiu à gestão passada parte dos problemas fiscais e a situação envolvendo o BRB.
“O governo anterior falhou, deixou o descontrole acontecer. Os dois grandes erros que herdei foram a questão da compra do Banco Master pelo BRB e o déficit no orçamento. Eu herdei e estou resolvendo”, afirmou.
A governadora disse ter adotado medidas para reduzir despesas e reorganizar a máquina pública. Segundo ela, quatro decretos determinaram cortes de 25% nos contratos do Executivo. Celina também anunciou a transferência do gabinete do Palácio do Buriti para o Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), como parte da estratégia de redução de custo “A responsabilidade caiu no meu colo e eu vou resolver, com muita responsabilidade e com muita humildade”, declarou.
A sabatina fez parte de uma programação que ouviu os candidatos que tiveram seus nomes aprovados nas convenções partidárias. O evento começou pela manhã e terminou no fim da tarde, com entrevistas individuais conduzidas por jornalistas do Correio Braziliense. A cobertura do jornal também destacou que outros candidatos apresentaram propostas distintas para temas como BRB, saúde, educação, mobilidade e gestão pública.
Crise do BRB
Sobre o BRB, Celina defendeu a preservação da instituição e afirmou que uma eventual liquidação poderia provocar impactos sobre servidores, funcionários e correntistas.
“Temos 6 mil trabalhadores lá dentro, 10 milhões de correntistas e cinco tribunais de Justiça”, disse.
A candidata afirmou que as discussões para solucionar a situação financeira do banco envolvem o governo federal, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), outras instituições financeiras e a Caixa Econômica Federal.
Celina também voltou a afirmar que não teve participação nas decisões relacionadas à aquisição do Banco Master pelo BRB. Segundo ela, as decisões sobre a operação eram de responsabilidade do então governador.
“Eu não tive participação nenhuma na situação do Banco Master. Meu nome não está lá. Não está no telefone do Vorcaro e não houve nenhuma citação do meu nome”, afirmou.
A governadora ainda relatou que tinha divergências com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e afirmou que já pretendia substituí-lo caso assumisse o comando do Executivo.
Saúde como prioridade
Na área da saúde, Celina colocou a atenção básica no centro de sua estratégia. Ela afirmou que uma de suas primeiras medidas foi priorizar a contratação de médicos para completar as equipes das unidades básicas de saúde.
“Cancelei o aniversário de Brasília para contratar 114 médicos para a atenção básica, porque, na minha opinião, preciso começar a cuidar da saúde lá na atenção básica”, explicou.
Segundo a candidata, o fortalecimento da atenção primária pode reduzir a pressão sobre os hospitais. Ela também apontou a falta de profissionais e a defasagem salarial como problemas estruturais da rede pública.
Celina afirmou que pretende discutir reajustes para os servidores da saúde após o período de restrições eleitorais e também anunciou a implantação de um sistema integrado de gestão, com prontuário único para os pacientes da rede pública.
Educação e mobilidade
Na educação, a governadora comentou o desempenho do Distrito Federal no Ideb e afirmou que pretende melhorar os indicadores de aprendizagem. Ela citou a contratação de Thiago Peixoto, ex-secretário de Educação de Florianópolis, para comandar a pasta.
Entre as propostas apresentadas estão a valorização dos professores, a substituição gradual de contratos temporários e a manutenção das escolas cívico-militares.
Na mobilidade, Celina afirmou que duas expansões do metrô — para o Setor O e Samambaia — já estão em processo de licitação. Ela também citou estudos para uma futura extensão até Santa Maria e para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na região da Hélio Prates.
“Precisamos diminuir o tempo de viagem e carregar mais gente”, resumiu.
Segurança e população em situação de rua
Outro tema abordado foi a segurança pública. Celina destacou o programa DF 360 graus, que utiliza ferramentas de monitoramento e cercamento digital para auxiliar as forças de segurança na identificação de suspeitos e no cumprimento de mandados.
A governadora também defendeu a política de atendimento a pessoas em situação de rua e mencionou a regulamentação recente da lei que prevê internação involuntária humanizada em situações específicas de risco.
Segundo Celina, o governo monitora mais de 500 pontos onde há concentração de pessoas em situação de rua e vem realizando ações de desmobilização e encaminhamento para serviços de acolhimento.
Embate com Arruda
Durante a sabatina, Celina também respondeu às críticas feitas por adversários, entre eles o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que questionou aspectos de sua gestão e de sua atuação como vice-governadora.
Ao ser confrontada com uma comparação feita por Arruda sobre as situações jurídicas dos dois, Celina reagiu e afirmou que não possui condenações que impeçam sua candidatura.
“Ele foi preso. Ele não pode se comparar com uma pessoa que é ficha limpa, como eu. Eu nunca tive uma condenação”, afirmou.
A declaração adicionou um componente político à sabatina, em meio à disputa pelo Palácio do Buriti e à tentativa dos candidatos de estabelecer diferenças entre seus projetos para o Distrito Federal.
Ao final da entrevista, Celina reforçou a narrativa de que assumiu o governo diante de problemas fiscais e administrativos e apresentou sua candidatura como uma continuidade com mudanças em relação à gestão anterior. A governadora aposta, principalmente, na reorganização das contas, na manutenção de investimentos e na ampliação de serviços públicos como pilares para a campanha de reeleição.
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