quarta-feira, 23 de setembro de 2026
TEMPORADA DE QUEIMADAS

Incêndios destroem 8 mil hectares na região de Terra Ronca, em Goiás

Cerca de 40 bombeiros e brigadistas atuam no combate às chamas; operação será lançada para investigar a origem dos focos e responsabilizar possíveis autores

Bia Salespor em
Após oito dias, incêndio em Terra Ronca chega ao fim com 14,1 mil hectares atingidos
(Imagem: Reprodução)

Os incêndios florestais que atingem a região da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra Geral de Goiás e o entorno do Parque Estadual de Terra Ronca já consumiram aproximadamente 8 mil hectares de vegetação. Os focos estão concentrados nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, no Nordeste do estado.

As primeiras ocorrências foram detectadas no domingo (10). Nesta quarta-feira (12), cerca de 40 profissionais especializados, entre bombeiros militares e brigadistas florestais, estavam mobilizados diretamente no combate ao fogo.

A força-tarefa reúne a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

As equipes realizam o combate direto e indireto às chamas, o monitoramento dos focos, o reconhecimento das áreas atingidas e a elaboração de estratégias para conter o avanço do fogo. O trabalho também busca proteger pontos considerados ambientalmente sensíveis.

O Governo de Goiás informou que disponibilizará os recursos logísticos, operacionais e materiais necessários para a atuação das equipes, incluindo equipamentos, viaturas, alimentação, sistemas de comunicação e apoio aos profissionais mobilizados.

Parque protege cavernas e biodiversidade

O Parque Estadual de Terra Ronca possui aproximadamente 57 mil hectares e protege um dos mais importantes patrimônios espeleológicos do Brasil. A unidade também abriga áreas relevantes para a conservação da fauna, da flora, dos recursos hídricos e de outros ecossistemas do Cerrado.

Levantamentos preliminares apontam que alguns focos de incêndio começaram na Bahia e avançaram em direção ao território goiano. As possíveis origens das chamas serão investigadas.

Operação Abafa começa nesta quinta-feira

Paralelamente ao combate, o Governo de Goiás e o Ibama realizarão, na quinta (13) e na sexta-feira (14), a Operação Abafa Terra Ronca. A ação abrangerá a APA da Serra Geral de Goiás, o Parque Estadual de Terra Ronca e as áreas próximas às duas unidades.

O objetivo é identificar as possíveis origens dos incêndios, combater práticas ilegais relacionadas ao uso do fogo e responsabilizar eventuais autores de crimes ambientais.

As equipes farão patrulhamento e fiscalização terrestre, com apoio de imagens de satélite. Os trabalhos serão direcionados principalmente para regiões com focos ativos, histórico de incêndios recorrentes ou sinais de uso irregular do fogo.

Inicialmente prevista para durar dois dias, a operação poderá ser prorrogada ou novamente mobilizada, conforme a evolução dos incêndios e a necessidade de reforço na fiscalização.

Goiás já teve quase 5 mil ocorrências

O Corpo de Bombeiros já atendeu quase 5 mil ocorrências de incêndios florestais em Goiás em 2026. Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) indicam que mais de 100 mil hectares foram atingidos pelo fogo no estado somente neste ano.

Segundo a Semad, a influência de um “super El Niño”, associada ao período de estiagem, intensifica as condições favoráveis ao surgimento e à rápida propagação das chamas.

Temperaturas elevadas, umidade relativa do ar baixa, redução das chuvas e acúmulo de vegetação seca tornam o combate mais complexo. Nesse cenário, pequenos focos podem se espalhar rapidamente e ameaçar unidades de conservação, propriedades rurais, comunidades, mananciais e animais silvestres.

Uso do fogo está proibido

Goiás está em situação de emergência ambiental desde a publicação do Decreto Estadual nº 10.962, em 24 de julho. A medida foi adotada em razão da estiagem e do risco elevado de incêndios florestais, além de proibir o uso do fogo para a limpeza do solo.

Provocar incêndio em mata ou floresta é crime ambiental. O artigo 41 da Lei Federal nº 9.605/1998 estabelece pena de dois a quatro anos de reclusão e multa. Também podem ser aplicadas sanções administrativas, responsabilização civil e obrigação de reparar integralmente os danos.

Quando o incêndio é provocado de maneira culposa, sem intenção, a pena prevista é de seis meses a um ano de detenção, além de multa.

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