Planos de governo em Goiás: Daniel aposta em continuidade; Luis Cesar propõe ruptura
Daniel Vilela apresenta propostas para saúde, infraestrutura, tecnologia e programas sociais, enquanto Luis Cesar Bueno aposta em tarifa zero, gestão direta de hospitais e câmeras corporais; Marconi e Wilder ainda não divulgaram propostas
Bruno Goulart
Os planos de governo começam a revelar diferenças mais concretas entre os projetos apresentados para comandar Goiás a partir de 2027. Enquanto o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB) estrutura as propostas a partir da continuidade das políticas atuais, com expansão de programas sociais, investimentos em saúde, infraestrutura e tecnologia, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) apresenta mudanças no modelo de gestão e propostas como tarifa zero progressiva, câmeras corporais para policiais e retomada da administração direta dos hospitais estaduais. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL), por outro lado, ainda não divulgaram seus planos.
Daniel Vilela
No plano de Daniel, o objetivo apresentado é fazer de Goiás “um dos Estados mais desenvolvidos do Brasil”, ao combinar competitividade econômica, segurança, sustentabilidade e redução das desigualdades. O documento divide as ações em seis grandes áreas: desenvolvimento humano e bem-estar; conhecimento, tecnologia e inovação; desenvolvimento econômico; infraestrutura e sustentabilidade; segurança pública; e governança. Além disso, trata inteligência artificial e minerais críticos como oportunidades para ampliar a competitividade do Estado.
Na saúde, uma das principais propostas é ampliar o novo Hospital de Urgências de Goiás (Hugo) dos atuais 342 para 460 leitos com uso de inteligência, automação e monitoramento em tempo real. Daniel também prevê a implantação de um Hospital da Mulher destinado ao atendimento integral da prevenção aos procedimentos de maior complexidade. Na área social, o plano propõe ampliar a estrutura itinerante do Goiás Social e fortalecer o Para Ter Onde Morar, com continuidade da entrega de casas a custo zero para famílias vulneráveis.
Outra novidade é a estruturação do programa estadual Pata, voltado ao bem-estar animal, com microchipagem, vacinação, atendimento veterinário, castrações e incentivo à adoção. Na economia, Daniel pretende consolidar Goiás como polo de inteligência artificial com a implantação de um distrito específico para o setor, além de ampliar crédito e assistência técnica ao agronegócio. O plano também prevê duplicação de trechos rodoviários considerados críticos e um programa para reduzir custos logísticos.
O Entorno do Distrito Federal também aparece entre as prioridades. Entre as propostas estão o BRT entre Luziânia e Santa Maria e um novo modal ligando Águas Lindas a Ceilândia. A intenção é integrar o transporte coletivo entre Goiás e o Distrito Federal. Na área energética, o projeto inclui um Plano Estadual de Energia, expansão das redes elétrica e de gás canalizado e incentivo a biogás, biometano, hidrogênio de baixo carbono e biodiesel.
Luis Cesar Bueno
Já o plano de Luis Cesar Bueno parte de uma proposta de desenvolvimento regional dividido em oito zonas econômicas, cada uma com vocações e prioridades próprias. Entre os pontos de maior destaque está a implantação progressiva da tarifa zero no transporte coletivo, inicialmente com atenção à Região Metropolitana de Goiânia e ao Entorno do Distrito Federal. O próprio documento, entretanto, condiciona a gratuidade à existência de financiamento permanente, capacidade operacional e manutenção da qualidade do serviço.
Na educação, o petista propõe chegar de 350 a 370 escolas estaduais de tempo integral até o fim do mandato, com aproximadamente 90 a 110 novas unidades ou conversões. A expansão incluiria ensino profissionalizante, laboratórios, tecnologia e três refeições durante a jornada.
Na segurança pública, uma das diferenças mais claras em relação à atual gestão é a proposta de implantar um projeto-piloto de câmeras corporais em policiais, com expansão condicionada a uma avaliação dos resultados. O programa também estabelece como meta indicativa reduzir em pelo menos 20% a taxa de homicídios durante o mandato, além de reforçar ações contra o crime organizado, crimes digitais e violência contra a mulher.
A ruptura mais significativa, porém, aparece na saúde. Luis Cesar defende substituir de forma gradual a gestão de hospitais públicos por Organizações Sociais (OSs) pela administração direta do Estado, com servidores concursados, carreira estruturada e fortalecimento da Iquego. O plano critica o modelo atual por considerar que a terceirização fragmenta a rede e reduz a transparência.
Marconi e Wilder
Enquanto Daniel e Luis Cesar já permitem uma comparação mais detalhada das prioridades, o eleitor ainda terá de esperar para conhecer integralmente as propostas dos outros dois principais concorrentes. A equipe de Marconi informou ao O HOJE que o plano está nos “ajustes finais” e deverá ser registrado até o próximo sábado (15). Já a assessoria de Wilder informou que o documento deve ser divulgado já nesta quinta-feira (13). (Especial para O HOJE)
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