quarta-feira, 8 de julho de 2026
SAÚDE E DIREITOS

Idosos são agredidos dentro de casa e a maioria nunca denuncia; veja os sinais

Violência pode ser física, psicológica ou financeira e, na maioria dos casos, parte de quem deveria cuidar; especialistas explicam como identificar e o que fazer

Luana Avelarpor Luana Avelar em 15 de junho de 2026
Idosos

A violência contra idosos tem endereço certo: na maioria dos casos, acontece dentro de casa, praticada por quem deveria cuidar. E permanece invisível. Medo, dependência emocional e financeira e receio de perder os vínculos familiares fazem com que a maior parte das vítimas nunca denuncie o que sofre.

Os números confirmam a gravidade do problema. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos mostram que, nos primeiros meses de 2025, os casos de violência contra idosos no Brasil cresceram 38%, com mais de 65 mil denúncias registradas. Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, especialistas alertam para a necessidade de ampliar o debate e fortalecer os mecanismos de proteção.

A violência pode se manifestar de diferentes formas: agressões físicas, abuso psicológico, exploração financeira, abandono e negligência nos cuidados básicos, comprometendo não apenas a saúde, mas a dignidade e a qualidade de vida dessa população.

Os sinais que não devem ser ignorados

Para a médica geriatra Polianna Souza, cofundadora do canal Longidade, a identificação precoce é uma das principais ferramentas para interromper situações de abuso antes que se agravem. “Mudanças de comportamento, isolamento social, medo excessivo de determinados familiares ou cuidadores, lesões frequentes, perda de peso sem explicação, falta de higiene e até movimentações financeiras incomuns podem ser sinais de alerta. Quanto mais cedo essas situações forem percebidas, maiores são as chances de proteger o idoso e oferecer a assistência necessária”, explica.

Leia mais: Junho Verde: 6 milhões de brasileiros têm escoliose e maioria é diagnosticada tarde demais

As marcas invisíveis

Além dos danos físicos e financeiros, a violência deixa sequelas na saúde mental. O psicólogo Francisco Carlos Gomes, também cofundador do canal Longidade, explica que as consequências emocionais costumam ser duradouras. “O abuso pode gerar sentimentos de medo, tristeza, vergonha e impotência. Não é raro que idosos vítimas de violência desenvolvam quadros de ansiedade, depressão, baixa autoestima e isolamento social. Em muitos casos, eles deixam de participar de atividades que antes lhes davam prazer e passam a se afastar do convívio social”, diz.

O especialista reforça que criar ambientes seguros para acolhimento e escuta é fundamental para que as vítimas se sintam confortáveis para relatar situações de abuso. “Muitas vítimas convivem diariamente com o agressor ou dependem dele para atividades básicas. Por isso, é importante que familiares, amigos, vizinhos e profissionais de saúde estejam atentos aos sinais e saibam como oferecer apoio. O acompanhamento psicológico também pode ser essencial para fortalecer a autoestima, a resiliência e o sentimento de segurança”, ressalta.

Uma responsabilidade coletiva

Para os especialistas, combater a violência contra a pessoa idosa não é tarefa apenas das autoridades. Informação, atenção e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários são medidas fundamentais para garantir que o envelhecimento aconteça de forma segura e digna.

“Envelhecer com dignidade é um direito de todos. A conscientização é o primeiro passo para identificar situações de abuso, romper o silêncio e construir uma sociedade mais acolhedora para as pessoas idosas”, conclui Polianna Souza.

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