Tomou a vacina e gripou? Especialista explica se isso é mito ou verdade
Infectologista esclarece por que a vacina da gripe não causa a doença e explica a importância da imunização anual, especialmente diante do aumento dos casos de síndrome respiratória em Goiás
Não é muito difícil ouvir por aqui que “fulano tomou a vacina contra a gripe e ficou gripado”. Mas, será que a vacina da gripe realmente pode causar a gripe? A resposta é não. Apesar da crença popular persistir há anos, especialistas e autoridades de saúde são categóricos ao afirmar que o imunizante não tem capacidade de provocar a doença.
Segundo o Ministério da Saúde, a vacina é produzida com vírus inativados, fragmentados e purificados. Isso significa que o material utilizado não é capaz de se multiplicar no organismo nem de causar infecção.
Para a médica infectologista Juliana Barreto, combater esse tipo de desinformação é fundamental para ampliar a cobertura vacinal e reduzir os casos graves da doença. “A vacina contra a gripe não pode causar gripe. Ela é produzida com vírus morto, o que chamamos de vírus inativado. Portanto, não existe possibilidade de a vacina provocar a doença. A vacina contra a gripe é segura, eficaz e salva vidas. Com a liberação para toda a população, este é o momento ideal para atualizar a proteção e evitar complicações que podem ser graves, especialmente entre os grupos mais vulneráveis”, pontua a médica.
A falsa impressão de que a vacina provoca gripe costuma acontecer porque o período de vacinação coincide com a circulação intensa de diversos vírus respiratórios. Muitas pessoas acabam contraindo outras infecções poucos dias após receberem a dose e associam os sintomas ao imunizante. “Muitas pessoas tomam a vacina e, dias depois, apresentam sintomas respiratórios causados por outros vírus que também circulam nesta época do ano. Isso gera a falsa impressão de que a vacina causou gripe, quando, na verdade, ela está protegendo justamente contra os casos mais graves de influenza”, explica a infectologista.
Além da influenza, vírus como rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), parainfluenza e até o coronavírus podem provocar sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre, coriza, tosse e mal-estar.
O alerta ganha ainda mais importância diante do cenário epidemiológico de Goiás. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), mais de 4 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) já foram registrados em 2026. Ao menos 200 mortes foram confirmadas, sendo cerca de 10% delas associadas a alguma cepa de influenza.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que apresentam maior risco de desenvolver complicações graves da gripe, incluindo internações e óbitos.
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Vacinação anual é necessária
Outro questionamento frequente envolve a necessidade de tomar a vacina todos os anos. Segundo a especialista, a recomendação existe porque o vírus influenza sofre mutações constantes e as cepas em circulação mudam ao longo do tempo. “As cepas do vírus mudam constantemente. Por isso, a vacina aplicada no Hemisfério Norte não é exatamente a mesma utilizada no Hemisfério Sul. Todos os anos ela é atualizada para acompanhar as variantes que estão circulando e garantir maior proteção”, afirma.
A médica explica ainda que a proteção conferida pelo imunizante dura, em média, cerca de nove meses, tornando necessária a atualização anual da vacina.
Qual a diferença entre as vacinas?
Atualmente, a vacina disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a trivalente, que protege contra dois subtipos do vírus Influenza A e um subtipo do vírus Influenza B.
Já as vacinas tetravalentes oferecem proteção adicional contra uma segunda cepa do Influenza B. Existe ainda a vacina de alta dose, indicada especialmente para idosos, grupo que costuma apresentar resposta imunológica mais limitada. “Os pacientes acima de 60 anos têm maior risco de desenvolver formas graves da doença. Por isso, algumas vacinas possuem concentração maior de antígenos para ampliar a resposta imunológica nesse grupo”, conclui Juliana Barreto.
Com a vacinação liberada para toda a população, especialistas reforçam que a imunização continua sendo a forma mais eficaz de prevenir casos graves, internações e mortes causadas pela gripe.