SAÚDE

Tomou a vacina e gripou? Especialista explica se isso é mito ou verdade

Infectologista esclarece por que a vacina da gripe não causa a doença e explica a importância da imunização anual, especialmente diante do aumento dos casos de síndrome respiratória em Goiás

Bia Salespor em
Tomou a vacina e gripou? Especialista explica se isso é mito ou verdade
(Imagem: Vinicius Thormann)

Não é muito difícil ouvir por aqui que “fulano tomou a vacina contra a gripe e ficou gripado”. Mas, será que a vacina da gripe realmente pode causar a gripe? A resposta é não. Apesar da crença popular persistir há anos, especialistas e autoridades de saúde são categóricos ao afirmar que o imunizante não tem capacidade de provocar a doença.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina é produzida com vírus inativados, fragmentados e purificados. Isso significa que o material utilizado não é capaz de se multiplicar no organismo nem de causar infecção.

Para a médica infectologista Juliana Barreto, combater esse tipo de desinformação é fundamental para ampliar a cobertura vacinal e reduzir os casos graves da doença. “A vacina contra a gripe não pode causar gripe. Ela é produzida com vírus morto, o que chamamos de vírus inativado. Portanto, não existe possibilidade de a vacina provocar a doença. A vacina contra a gripe é segura, eficaz e salva vidas. Com a liberação para toda a população, este é o momento ideal para atualizar a proteção e evitar complicações que podem ser graves, especialmente entre os grupos mais vulneráveis”, pontua a médica.

A falsa impressão de que a vacina provoca gripe costuma acontecer porque o período de vacinação coincide com a circulação intensa de diversos vírus respiratórios. Muitas pessoas acabam contraindo outras infecções poucos dias após receberem a dose e associam os sintomas ao imunizante. “Muitas pessoas tomam a vacina e, dias depois, apresentam sintomas respiratórios causados por outros vírus que também circulam nesta época do ano. Isso gera a falsa impressão de que a vacina causou gripe, quando, na verdade, ela está protegendo justamente contra os casos mais graves de influenza”, explica a infectologista.

Além da influenza, vírus como rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), parainfluenza e até o coronavírus podem provocar sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre, coriza, tosse e mal-estar.

O alerta ganha ainda mais importância diante do cenário epidemiológico de Goiás. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), mais de 4 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) já foram registrados em 2026. Ao menos 200 mortes foram confirmadas, sendo cerca de 10% delas associadas a alguma cepa de influenza.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que apresentam maior risco de desenvolver complicações graves da gripe, incluindo internações e óbitos.

Leia mais:

Frutas desidratadas: aliadas ou armadilhas para uma alimentação equilibrada?

O melhor queijo para quem quer emagrecer pode não ser o que você imagina

Vacinação anual é necessária

Outro questionamento frequente envolve a necessidade de tomar a vacina todos os anos. Segundo a especialista, a recomendação existe porque o vírus influenza sofre mutações constantes e as cepas em circulação mudam ao longo do tempo. “As cepas do vírus mudam constantemente. Por isso, a vacina aplicada no Hemisfério Norte não é exatamente a mesma utilizada no Hemisfério Sul. Todos os anos ela é atualizada para acompanhar as variantes que estão circulando e garantir maior proteção”, afirma.

A médica explica ainda que a proteção conferida pelo imunizante dura, em média, cerca de nove meses, tornando necessária a atualização anual da vacina.

Qual a diferença entre as vacinas?

Atualmente, a vacina disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a trivalente, que protege contra dois subtipos do vírus Influenza A e um subtipo do vírus Influenza B.

Já as vacinas tetravalentes oferecem proteção adicional contra uma segunda cepa do Influenza B. Existe ainda a vacina de alta dose, indicada especialmente para idosos, grupo que costuma apresentar resposta imunológica mais limitada. “Os pacientes acima de 60 anos têm maior risco de desenvolver formas graves da doença. Por isso, algumas vacinas possuem concentração maior de antígenos para ampliar a resposta imunológica nesse grupo”, conclui Juliana Barreto.

Com a vacinação liberada para toda a população, especialistas reforçam que a imunização continua sendo a forma mais eficaz de prevenir casos graves, internações e mortes causadas pela gripe.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
gripe Saúde Vacina

Veja também

Domingo de eleição terá ônibus gratuito na Grande Goiânia; confira como funciona

ELEIÇÕES 2026

Domingo de eleição terá ônibus gratuito na Grande Goiânia; confira como funciona

RMTC suspende tarifas e mantém frequência de dias úteis durante o primeiro turno; votação vai d...
Davi Sebba

JUSTIÇA

MP-GO vai recorrer de condenações pela morte de Davi Sebba

Ministério Público quer prisão dos condenados e aumento das penas; terceiro acusado foi absolvido...
Homem de 65 anos morre após carro cair em represa em Morrinhos

Veículo encontrado submerso

Homem de 65 anos morre após carro cair em represa em Morrinhos

Veículo foi encontrado submerso em uma propriedade rural; bombeiros utilizaram maquinário agrícol...
Hugo Brockes

NOTA DE FALECIMENTO

Morre Hugo Brockes, publicitário, escritor e ator goiano

Profissional morreu aos 89 anos, em Goiânia, e construiu uma trajetória ligada à publicidade, à ...
Educação enfrenta dupla jornada e envelhecimento docente

EDUCAÇÃO

Educação enfrenta dupla jornada e envelhecimento docente

Cerca de 20% dos professores brasileiros lecionam em duas ou mais escolas, enquanto número de docen...
tempestades

TEMPO

Defesa Civil alerta para tempestades em Goiânia neste fim de semana

Previsão indica rajadas de vento acima de 70 km/h, raios e possibilidade de granizo até domingo (4...
Eleições alteram trânsito no Centro e Setor Bueno em Goiânia

ELEIÇÕES 2026

Eleições alteram trânsito no Centro e Setor Bueno em Goiânia

Operação modifica circulação no entorno do TRE-GO e do Fórum Eleitoral neste sábado e no domin...
Brasil registra um caso de violência política a cada 44 horas, e metade das vítimas são mulheres

ELEIÇÕES 2026

Brasil registra um caso de violência política a cada 44 horas, e metade das vítimas são mulheres

País soma 354 casos desde outubro de 2024; Tribunal Regional Eleitoral de Goiás reuniu as forças ...