Brasília lidera ranking de qualidade de vida, mas avanço dos feminicídios desafia políticas de segurança
Indicadores de segurança, educação, saúde e mobilidade reforçam posição de destaque do Distrito Federal em rankings nacionais
Brasília consolidou-se pelo segundo ano consecutivo como a capital brasileira com melhor qualidade de vida, segundo o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, além de registrar a menor taxa de mortes violentas entre as capitais do país, com 5,61 ocorrências por 100 mil habitantes. O desempenho reflete investimentos em segurança, saúde, educação e mobilidade urbana. Apesar dos resultados positivos, um dos principais desafios enfrentados pelo Distrito Federal segue sendo o combate ao feminicídio, que registrou crescimento de 27% em 2025, passando de 22 para 28 vítimas.
Para enfrentar esse cenário, o Governo do Distrito Federal tem fortalecido uma rede de atuação integrada entre forças de segurança e órgãos do sistema de justiça. Desde 2017, a Polícia Civil adota protocolo específico para investigação de feminicídios, classificando inicialmente toda morte violenta de mulher como possível feminicídio até a conclusão das apurações. Já a Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios, criada para reunir diferentes instituições na análise dos casos, atua na formulação de estratégias baseadas em evidências e no acompanhamento das investigações e processos judiciais. Dados do Anuário de Segurança Pública do DF mostram que 96,2% dos casos registrados entre 2015 e 2025 foram esclarecidos pela polícia.
Leia também:
As ações de prevenção também incluem programas especializados voltados à proteção de mulheres em situação de risco. Entre eles estão o Viva Flor, o Dispositivo Móvel de Proteção à Pessoa, o Copom Mulher e o Programa de Policiamento de Prevenção Orientado à Violência Doméstica (Provid), que garantem resposta rápida em situações de ameaça iminente. Mesmo assim, o levantamento aponta que quase 70% das vítimas de feminicídio não possuíam registros anteriores de ocorrência contra os autores, enquanto apenas 12,3% tinham medidas protetivas em vigor no momento do crime, o que evidencia a complexidade do fenômeno e a necessidade de ampliar mecanismos de identificação precoce dos riscos.
Os dados revelam ainda que regiões como Ceilândia, Samambaia, Planaltina e Santa Maria concentram maior número de casos na última década, enquanto Fercal e Núcleo Bandeirante apresentaram as maiores taxas proporcionais em 2025. Metade dos feminicídios registrados no ano ocorreu dentro de residências, e a arma branca permaneceu como o principal meio utilizado pelos agressores. Paralelamente às políticas de enfrentamento à violência de gênero, o DF mantém investimentos em segurança pública, educação e saúde, áreas que contribuíram para a liderança nacional em qualidade de vida, mas que seguem exigindo aprimoramento constante para reduzir indicadores de violência e ampliar a proteção da população.