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Ovo vira protagonista no agro e movimenta bilhões com força em Goiás

Relatório do ETENE mostra alta no consumo, melhora da rentabilidade e expansão da produção, com destaque para o Nordeste e influência crescente em Goiás

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 21 de junho de 2026
Ovo vira protagonista no agro e movimenta bilhões com força em Goiás
Globo Rural

O consumo de ovos de galinha no Brasil segue em trajetória de crescimento e deve atingir média de 307 unidades por pessoa em 2026, segundo estudo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), do Banco do Nordeste (BNB). O volume representa alta de 6,6% em relação a 2025 e reforça o alimento como uma das principais fontes de proteína acessível no país.

O avanço é impulsionado pela busca por alternativas de proteína mais baratas em comparação às carnes bovina e suína, além do reconhecimento crescente do valor nutricional do ovo. O movimento ocorre em um cenário de pressão no custo de vida e mudança nos hábitos alimentares da população brasileira, o que tem fortalecido a demanda interna e sustentado o setor avícola.

Ovo
Arnaldo Alves/ AEN-PR

Ovo se consolida como proteína acessível e cresce no consumo das famílias

O ovo passou a ocupar posição estratégica na mesa do brasileiro, especialmente em períodos de inflação dos alimentos. Além do preço competitivo, o produto ganhou espaço por sua versatilidade e alto valor proteico.

O ETENE aponta que essa mudança não é pontual, mas estrutural. A substituição parcial de outras proteínas mais caras por ovos tem garantido estabilidade ao consumo interno e sustentado a produção nacional, mesmo em momentos de oscilação econômica.

O comportamento também é observado em estados como Goiás, onde o consumo de proteínas alternativas vem crescendo junto com a expansão do agronegócio e o fortalecimento da cadeia de produção e distribuição de alimentos.

Brasil mantém posição de destaque global na produção de ovos

O país produziu cerca de 59,44 bilhões de ovos em 2025, o equivalente a 4,95 bilhões de dúzias, com crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior. Desse total, mais de 98% da produção é destinada ao mercado interno, o que evidencia a força do consumo doméstico como principal motor do setor.

Esse desempenho mantém o Brasil entre os maiores produtores mundiais, com sistemas cada vez mais tecnificados e integração crescente entre genética, nutrição animal e automação das granjas.

A cadeia produtiva também vem se expandindo em diferentes regiões, incluindo o Centro-Oeste, onde Goiás se destaca como um dos polos relevantes da avicultura e do agronegócio, especialmente pela estrutura logística e pela força do mercado interno regional.

Foto: Divulgação

Rentabilidade melhora com alta de preços nos ovos e custos mais controlados

O estudo do ETENE indica que o setor avícola vive um momento de melhora nas margens de lucro em 2026. Enquanto os preços dos principais insumos, como milho e soja, apresentaram estabilidade ou queda no início do ano, o valor pago pela caixa de ovos subiu mais de 30%, favorecendo diretamente os produtores.

Esse cenário de equilíbrio entre custos e preços impulsiona investimentos e amplia a capacidade de expansão das granjas, especialmente em regiões produtoras tradicionais e em estados em crescimento, como Goiás, que acompanha a modernização da cadeia avícola nacional.

Com maior previsibilidade e demanda aquecida, produtores têm ampliado estruturas e adotado tecnologias para ganho de produtividade.

Nordeste lidera expansão, mas cadeia se espalha pelo país

A produção de ovos no Nordeste alcançou 10,83 bilhões de unidades em 2025, alta de 6,75% em relação ao ano anterior, consolidando a região como responsável por cerca de 18% da produção nacional.

Estados como Pernambuco, Ceará e Bahia lideram o crescimento regional, com impacto direto na geração de renda, empregos e investimentos no campo. A Bahia, por exemplo, registrou produção de 22,9 milhões de dúzias de ovos em apenas um trimestre de 2025, mantendo posição de destaque.

Apesar da liderança nordestina, o avanço da cadeia produtiva é nacional. O crescimento também se espalha pelo Centro-Oeste, com Goiás integrando o mapa de expansão da avicultura brasileira, impulsionado pela infraestrutura agroindustrial e pela demanda crescente por alimentos de baixo custo.

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