segunda-feira, 22 de junho de 2026
Presidenciável

Caiado aposta em experiência para sair dos 3% e ganhar viabilidade

Pré-candidato do PSD participou de debate com empresários em Brasília e busca se apresentar como alternativa de gestão em meio à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 22 de junho de 2026
Caiado
Caiado chega à pré-campanha tentando se firmar como alternativa de direita fora do campo bolsonarista. Foto: Ascom

Bruno Goulart

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) participou, nesta segunda-feira (22), em Brasília, de um debate com empresários da indústria em um momento decisivo para sua pré-candidatura à Presidência da República. Mais do que falar ao setor produtivo, Caiado tenta transformar sua experiência administrativa e política em viabilidade eleitoral.

O encontro, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reuniu também o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador Romeu Zema (Novo), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A pauta girou em torno de crescimento econômico, geração de empregos, investimentos, competitividade e ambiente de negócios. Os pré-candidatos também receberam o documento Construindo o Brasil 2050, com propostas da indústria para políticas públicas de longo prazo.

No caso de Caiado, porém, o debate teve um peso político particular. Ele chega à pré-campanha tentando se firmar como alternativa de direita fora do campo bolsonarista, mas ainda enfrenta dificuldades para romper a polarização nacional. Na pesquisa Datafolha divulgada no sábado (20), o pré-candidato aparece com 3% das intenções de voto na estimulada, atrás de Lula (PT), que tem 41%, e de Flávio Bolsonaro, com 31%.

Nome em construção

Para o mestre em História e especialista em políticas públicas Tiago Zancopé, Caiado ainda não pode ser tratado como um nome plenamente viável, mas como alguém que busca construir essa condição. “Eu não arriscaria dizer que ele já é um nome viável, mas sim um nome que está tentando justamente construir essa viabilidade”, afirma.

Segundo Zancopé, os 3% não são um bom número para quem pretende disputar o segundo turno. Por outro lado, o resultado mostra que Caiado conseguiu sair da faixa de 1%, o que pode ser visto como um primeiro passo. “Agora, o que Caiado precisa tentar fazer é se aproximar dos 10%”, avalia.

Além disso, o especialista lembra que a eleição presidencial ainda não entrou de fato no cotidiano da população. Neste momento, a atenção do país está muito voltada para a Copa do Mundo. Por isso, ele acredita que a disputa só deve ganhar mais força a partir de julho e agosto, mais perto do período oficial de campanha.

Nesse cenário, a principal aposta de Caiado deve ser o discurso de gestão. O ex-governador já foi deputado federal, senador e comandou Goiás por dois mandatos. A estratégia tende a explorar sua experiência em áreas como segurança pública, educação, contas públicas e assistência social, especialmente por meio de programas como o Goiás Social.

A ideia é apresentar Caiado como um político experiente, com trajetória administrativa e capacidade de entregar resultados. Para Zancopé, esse pode ser o caminho para o pré-candidato se diferenciar tanto de Flávio Bolsonaro quanto de Zema. “Ele precisa se descolar de Flávio, Lula, Zema e qualquer outro candidato, mostrando que tem capacidade de gestão”, diz.

Polarização

No entanto, o maior obstáculo continua sendo a polarização. Para o cientista político Lehninger Mota, Caiado enfrenta um problema parecido com o que atingiu candidaturas alternativas em 2022. Naquele ano, Ciro Gomes, mesmo conhecido nacionalmente e com experiência política, acabou pressionado pelo voto útil e teve desempenho abaixo do esperado.

“Caiado padece de um mal que nós já vimos acontecer em 2022: a calcificação da polarização”, afirma Mota. Segundo ele, o ex-governador tem um discurso que conversa com parte das preocupações do eleitor, especialmente quando trata de segurança pública. O problema é que o eleitor ainda não enxerga nele força suficiente para chegar ao segundo turno.

Para Mota, Lula e Flávio Bolsonaro se retroalimentam politicamente. Quem rejeita o bolsonarismo tende a permanecer com Lula. Já quem rejeita Lula tende a se aproximar de Flávio. Com isso, sobra pouco espaço para uma terceira via se apresentar de forma competitiva.

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