Governo amplia atuação do Ligue 180 para registrar crimes digitais contra mulheres
Central de atendimento passa a incluir casos como estupro virtual, sextorsão e uso de inteligência artificial para violência psicológica
O governo federal atualizou os protocolos do Ligue 180 para ampliar o atendimento a vítimas de violência digital contra mulheres. A partir de agora, a central passará a registrar formalmente ocorrências como estupro virtual, sextorsão, divulgação não autorizada de imagens íntimas, vazamento de dados pessoais e crimes praticados com o uso de conteúdos manipulados por inteligência artificial, incluindo deepfakes.
A medida foi adotada após um crescimento expressivo dos relatos de violência ocorridos no ambiente virtual. Dados do Ministério das Mulheres apontam que, entre janeiro e maio de 2026, houve aumento de 188,6% nos registros desse tipo de ocorrência em comparação com o mesmo período do ano passado. O número de casos passou de 5.795 para 16.725, enquanto 2.281 denúncias tiveram a internet como cenário principal das agressões.
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Além da atualização dos formulários de registro, as atendentes do Ligue 180 receberam treinamento específico para identificar crimes digitais e orientar vítimas sobre a preservação de provas, como capturas de tela, registros de mensagens e outros elementos que possam auxiliar investigações. As equipes também passaram a fornecer informações sobre os procedimentos para solicitar a remoção de conteúdos ofensivos ou criminosos das plataformas digitais.
A iniciativa integra a campanha “O Digital é Nosso Lugar” e busca fortalecer o enfrentamento à violência de gênero nas redes sociais e demais ambientes virtuais. Atualmente, o Ligue 180 recebe cerca de 3 mil ligações por dia em todo o país. O serviço é gratuito e pode ser acessado por telefone ou pelo WhatsApp. Em situações de risco imediato, a orientação continua sendo acionar a Polícia Militar por meio do telefone 190.