terça-feira, 23 de junho de 2026
OPINIÃO

Flávio Bolsonaro conseguiu consolidar-se, mas ainda precisa ampliar alcance

Pré-campanha do senador do PL do Rio de Janeiro vive um momento de forte mobilização, mas também enfrenta desafios importantes

Redaçãopor Redação em 23 de junho de 2026
bolsonaro

Por Luciana Perez 

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu consolidar-se como o principal nome do bolsonarismo para 2026, mas ainda precisa ampliar seu alcance além da base ideológica para se tornar competitivo contra o presidente Lula da Silva (PT) no plano nacional. A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro vive um momento de forte mobilização, mas também enfrenta desafios importantes.

Nos últimos meses, Flávio assumiu oficialmente o espaço político deixado por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e tem tentado consolidar o eleitorado conservador. A campanha tem apostado em temas como segurança pública, valores familiares, combate ao crime organizado e aproximação com o eleitorado evangélico. O slogan “Vem com Fé” passou a ser uma das marcas da comunicação inicial da pré-candidatura.

Entre os movimentos recentes, Flávio lançou um plano nacional de segurança pública com propostas duras contra facções criminosas, redução da maioridade penal para determinados crimes e ampliação do sistema prisional. A estratégia busca atrair eleitores preocupados com a violência urbana.

Por outro lado, pesquisas recentes mostram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente de Flávio em cenários de segundo turno. Levantamento CNT/MDA divulgado nesta semana apontou Lula com 49,3% das intenções de voto contra 36,8% de Flávio.

Desgastes

A pré-campanha também enfrentou desgaste por controvérsias que envolvem o financiamento de um documentário sobre Jair Bolsonaro e por mudanças na equipe de comunicação e coordenação política. A escolha de São Paulo tem mais lógica eleitoral do que emocional.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o PL avalia que São Paulo oferece o palanque estadual mais forte da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e de outras lideranças da direita paulista.

Além disso, a campanha considera que: São Paulo é o maior colégio eleitoral do País; o empresariado paulista tem grande influência política e econômica; parte da equipe de comunicação da pré-campanha já está baseada em São Paulo; o Estado é visto como estratégico para ampliar o eleitorado além da base tradicional bolsonarista do Rio de Janeiro; há também uma avaliação política de que lançar a candidatura no Rio poderia reforçar a imagem de uma campanha regional.

Dialogar com o centro econômico do País

Em São Paulo, a mensagem é de uma candidatura nacional, que busca dialogar com o centro econômico do País. O Rio é a origem política de Flávio, mas São Paulo é onde a pré-campanha diz acreditar que pode ganhar a eleição.

A decisão do Partido Liberal (PL) de lançar oficialmente a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro em São Paulo, e não no Rio de Janeiro, representa uma estratégia política cuidadosamente calculada para ampliar o alcance nacional da campanha.

Historicamente ligado ao Rio de Janeiro, onde construiu sua trajetória política e foi eleito senador, Flávio poderia naturalmente escolher o Estado fluminense para o lançamento de sua pré-candidatura. No entanto, a direção nacional do PL entendeu que São Paulo oferece condições eleitorais e políticas mais favoráveis para impulsionar uma campanha presidencial.

Nos bastidores, dirigentes do partido avaliam que realizar o lançamento em São Paulo transmite uma mensagem de candidatura nacional, o que evita que a campanha seja associada exclusivamente ao Rio de Janeiro, tradicional reduto eleitoral da família Bolsonaro.

Escolha rompe com tradição recente do núcleo bolsonarista

Desta vez, a mudança de cenário busca simbolizar uma nova etapa do projeto político bolsonarista.

A escolha também rompe uma tradição recente. As candidaturas presidenciais de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022 foram oficializadas no Rio de Janeiro. Desta vez, a mudança de cenário busca simbolizar uma nova etapa do projeto político bolsonarista, com foco na ampliação de alianças e na conquista de eleitores fora da base tradicional do movimento.

Para analistas políticos, a decisão demonstra que a campanha entende que a disputa presidencial será definida pela capacidade de ampliar apoios além do núcleo ideológico já consolidado. Nesse contexto, São Paulo surge como a principal vitrine para apresentar Flávio Bolsonaro como um candidato capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade brasileira.

Embora o Rio de Janeiro seja a origem política de Flávio Bolsonaro, São Paulo foi escolhido por representar o maior palco eleitoral do País e por oferecer à pré-campanha uma demonstração de força política, econômica e eleitoral logo no início da corrida presidencial.

Ampliar o alcance nacional

De acordo com o cientista político Professor Gustavo, a decisão de lançar a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em São Paulo, e não no Rio de Janeiro, é uma estratégia que busca ampliar o alcance nacional. Primeiro, quanto à questão objetiva: Flávio Bolsonaro tem tempo para se candidatar por São Paulo, desde que cumpra os requisitos legais de domicílio eleitoral e filiação partidária dentro dos prazos estabelecidos pela legislação eleitoral. Em termos práticos, trata-se mais de uma decisão política do que de um obstáculo jurídico.

A possível candidatura de Flávio Bolsonaro por São Paulo representa um movimento estratégico importante do campo bolsonarista. Sobretudo à luz das últimas pesquisas eleitorais para a presidência e as consequências das possíveis delações no caso Master. Embora sua trajetória política esteja profundamente vinculada ao Rio de Janeiro, São Paulo é o maior colégio eleitoral do País e concentra um eleitorado conservador expressivo, o que amplia o potencial de projeção nacional de sua candidatura.

Fortalecer a presença do bolsonarismo

Do ponto de vista da oposição ao governo e ao PT, esse movimento pode ser interpretado como uma tentativa de fortalecer a presença do bolsonarismo em um Estado decisivo para as disputas nacionais. Não se trata apenas de uma mudança geográfica, mas de uma estratégia de reorganização política da direita, que busca ampliar sua influência institucional e consolidar lideranças em diferentes regiões do País.

Para a esquerda e os partidos alinhados ao governo, a candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo pode representar um desafio adicional, pois tende a nacionalizar ainda mais a disputa política e a mobilizar o eleitorado identificado com o legado político de Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, abre espaço para críticas relacionadas à falta de vínculo histórico do pré-candidato com o Estado, tema que certamente será explorado pelos adversários.

Em síntese, vejo esse movimento menos como uma questão regional e mais como parte de uma estratégia nacional do bolsonarismo para manter protagonismo político, ampliar sua representação parlamentar e consolidar sua posição como principal força de oposição ao PT e aos partidos de esquerda.

Movimentação estratégica

Além disso, devemos lembrar que existe uma movimentação internacional da extrema direita, sobretudo, no último tempo, na América Latina. Ante a impossibilidade de ganhar as eleições presidenciais, a conquista de São Paulo pode representar uma movimentação estratégica para manter um foco de poder importante na região.

Entre o peso do sobrenome e o desafio da própria identidade política, Flávio Bolsonaro entra na disputa mais importante de sua carreira. Agora é só aguardar o desfecho dessa campanha em 4 de outubro. (Especial para O HOJE)

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