Córregos Botafogo e Cascavel serão os primeiros com obras no Plano de Drenagem em Goiânia
Projetos executivos das duas bacias mais críticas de Goiânia estão em fase final de elaboração
Duas semanas após a homologação do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia (PDDU-GYN), a Prefeitura iniciou a estruturação das primeiras medidas previstas no documento, entre elas a implantação da Central Hidrometeorológica de Goiânia e o desenvolvimento dos projetos executivos para as bacias dos córregos Botafogo e Cascavel, consideradas as áreas mais críticas da Capital em relação a alagamentos e inundações. Elaborado em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), o plano estabelece diretrizes para os próximos 30 anos e projeta um crescimento de 49% da área urbana do município até 2054.
A primeira etapa de implementação do plano está concentrada no fortalecimento institucional e tecnológico da gestão das águas pluviais. A principal medida é a criação da Central Hidrometeorológica de Goiânia (Central GYN), estrutura que terá a função de transformar dados hidrológicos em informações estratégicas para subsidiar a tomada de decisões e o monitoramento de eventos extremos.
Para abastecer o sistema, está prevista a instalação de uma rede de monitoramento composta por, no mínimo, 20 pluviômetros automáticos, com transmissão de dados a cada cinco minutos, e pelo menos dez linígrafos em pontos considerados críticos, entre eles os córregos Anicuns, Cascavel e Serrinha, além da Marginal Botafogo.
No âmbito administrativo, o PDDU prevê a criação de um grupo de trabalho permanente para acompanhar a execução das ações, a elaboração e implantação da Lei de Drenagem Urbana de Goiânia e a formação de uma equipe técnica especializada na Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), composta por engenheiros civis e ambientais, além de profissionais de geoprocessamento e sistemas de informação.
Segundo a superintendente da Seinfra, Flávia Ribeiro, o Plano Diretor de Drenagem Urbana funciona como um instrumento de planejamento de longo prazo e foi elaborado a partir de estudos técnicos que identificaram os principais gargalos da cidade. “O PDDU é um plano macro. Ele identificou os maiores gargalos da cidade e, com base em estudos científicos e cálculos, determinou possíveis soluções de curto, médio e longo prazos para serem desenvolvidas nos próximos 30 anos”, afirmou.
As atividades de manutenção e mitigação deverão ser priorizadas antes dos períodos de maior volume de chuvas. Durante a estiagem, a principal medida será o desassoreamento regular dos córregos e demais cursos d’água, com o objetivo de recuperar a capacidade de drenagem natural do sistema, a partir de diagnósticos batimétricos periódicos.
As intervenções estruturais de micro e macrodrenagem estão distribuídas pelas 14 bacias hidrográficas do município. Na bacia do Córrego Botafogo, está prevista a instalação de dissipadores de energia em pontos críticos para reduzir a força das águas. Na bacia do Córrego Cascavel, o plano prevê a substituição e a alteração de estruturas de engenharia consideradas insuficientes.
De acordo com Flávia Ribeiro, os projetos executivos das intervenções previstas para as bacias dos córregos Botafogo e Cascavel são os mais avançados e deverão ser os primeiros a sair do papel. “Esse plano não é um projeto, ele é um plano. Em cima desse plano, estamos desenvolvendo os próprios projetos. Os mais adiantados hoje são o Córrego Botafogo e o Córrego Cascavel. Os projetos estão quase prontos e são os primeiros aos quais devemos dar andamento”, disse.
A superintendente informou que outras bacias também estão sendo estudadas, mas destacou que as intervenções no Botafogo e no Cascavel foram priorizadas por apresentarem maior grau de criticidade.
“São os dois que apresentam mais criticidade. Durante o período chuvoso, afetam o maior número de pessoas ao mesmo tempo. O Córrego Botafogo, principalmente, impacta muito a cidade em termos de trânsito”, afirmou.
Segundo a gestora, a Marginal Botafogo é uma das principais vias de escoamento do tráfego de Goiânia e, quando há necessidade de interdição, o impacto se estende para diferentes regiões da Capital.
A previsão da Seinfra é de que os projetos das duas bacias sejam concluídos nos próximos meses, permitindo o lançamento das obras para licitação nos trechos contemplados.
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Além das intervenções estruturais, o município também desenvolve iniciativas de infraestrutura verde, como o Jardim de Chuva implantado pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), projeto que integra as diretrizes do Plano Diretor de Drenagem Urbana.
O PDDU também estima os investimentos necessários para a implementação das medidas propostas. Somente para a implantação de parques lineares, considerados áreas de amortecimento natural, o custo previsto é de R$ 500 milhões para o Parque Linear Anicuns e de R$ 1 bilhão para o Parque Linear Meia Ponte.
As ações do PDDU estão organizadas em três horizontes de execução. As medidas de curto prazo deverão ser implementadas em até cinco anos e incluem a estruturação tecnológica e obras emergenciais. O médio prazo compreende ações previstas para até 15 anos, enquanto o longo prazo estabelece um horizonte de até 30 anos.
Em situações de eventos extremos que demandem reconstrução, o Plano de Emergência e Contingência determina a apresentação de um plano de trabalho específico em até 90 dias após a decretação de emergência.
O diagnóstico elaborado pelo PDDU classificou as bacias hidrográficas conforme índices de vulnerabilidade relacionados à impermeabilização do solo, ao histórico de alagamentos e aos processos erosivos. As áreas consideradas prioritárias para intervenção são as bacias do Ribeirão Capivara, do Baixo Meia Ponte, do Córrego Lajeado e do Córrego Cascavel.
A bacia do Baixo Anicuns, onde está localizado o Córrego Botafogo, também apresenta elevada criticidade, concentrando 15 pontos de alagamento mapeados, o maior número entre todas as bacias hidrográficas do município.