terça-feira, 23 de junho de 2026
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Córregos Botafogo e Cascavel serão os primeiros com obras no Plano de Drenagem em Goiânia

Projetos executivos das duas bacias mais críticas de Goiânia estão em fase final de elaboração

Anna Salgadopor Anna Salgado em 23 de junho de 2026
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Legenda: Plano Diretor de Drenagem prevê ações para os próximos 30 anos e projeta crescimento de 49% da área urbana de Goiânia até 2054 |Foto: Divulgação/Secom Goiânia

Duas semanas após a homologação do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia (PDDU-GYN), a Prefeitura iniciou a estruturação das primeiras medidas previstas no documento, entre elas a implantação da Central Hidrometeorológica de Goiânia e o desenvolvimento dos projetos executivos para as bacias dos córregos Botafogo e Cascavel, consideradas as áreas mais críticas da Capital em relação a alagamentos e inundações. Elaborado em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), o plano estabelece diretrizes para os próximos 30 anos e projeta um crescimento de 49% da área urbana do município até 2054.

A primeira etapa de implementação do plano está concentrada no fortalecimento institucional e tecnológico da gestão das águas pluviais. A principal medida é a criação da Central Hidrometeorológica de Goiânia (Central GYN), estrutura que terá a função de transformar dados hidrológicos em informações estratégicas para subsidiar a tomada de decisões e o monitoramento de eventos extremos.

Para abastecer o sistema, está prevista a instalação de uma rede de monitoramento composta por, no mínimo, 20 pluviômetros automáticos, com transmissão de dados a cada cinco minutos, e pelo menos dez linígrafos em pontos considerados críticos, entre eles os córregos Anicuns, Cascavel e Serrinha, além da Marginal Botafogo.

No âmbito administrativo, o PDDU prevê a criação de um grupo de trabalho permanente para acompanhar a execução das ações, a elaboração e implantação da Lei de Drenagem Urbana de Goiânia e a formação de uma equipe técnica especializada na Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), composta por engenheiros civis e ambientais, além de profissionais de geoprocessamento e sistemas de informação.

Segundo a superintendente da Seinfra, Flávia Ribeiro, o Plano Diretor de Drenagem Urbana funciona como um instrumento de planejamento de longo prazo e foi elaborado a partir de estudos técnicos que identificaram os principais gargalos da cidade. “O PDDU é um plano macro. Ele identificou os maiores gargalos da cidade e, com base em estudos científicos e cálculos, determinou possíveis soluções de curto, médio e longo prazos para serem desenvolvidas nos próximos 30 anos”, afirmou.

As atividades de manutenção e mitigação deverão ser priorizadas antes dos períodos de maior volume de chuvas. Durante a estiagem, a principal medida será o desassoreamento regular dos córregos e demais cursos d’água, com o objetivo de recuperar a capacidade de drenagem natural do sistema, a partir de diagnósticos batimétricos periódicos.

As intervenções estruturais de micro e macrodrenagem estão distribuídas pelas 14 bacias hidrográficas do município. Na bacia do Córrego Botafogo, está prevista a instalação de dissipadores de energia em pontos críticos para reduzir a força das águas. Na bacia do Córrego Cascavel, o plano prevê a substituição e a alteração de estruturas de engenharia consideradas insuficientes.

De acordo com Flávia Ribeiro, os projetos executivos das intervenções previstas para as bacias dos córregos Botafogo e Cascavel são os mais avançados e deverão ser os primeiros a sair do papel. “Esse plano não é um projeto, ele é um plano. Em cima desse plano, estamos desenvolvendo os próprios projetos. Os mais adiantados hoje são o Córrego Botafogo e o Córrego Cascavel. Os projetos estão quase prontos e são os primeiros aos quais devemos dar andamento”, disse.

A superintendente informou que outras bacias também estão sendo estudadas, mas destacou que as intervenções no Botafogo e no Cascavel foram priorizadas por apresentarem maior grau de criticidade.

“São os dois que apresentam mais criticidade. Durante o período chuvoso, afetam o maior número de pessoas ao mesmo tempo. O Córrego Botafogo, principalmente, impacta muito a cidade em termos de trânsito”, afirmou.

Segundo a gestora, a Marginal Botafogo é uma das principais vias de escoamento do tráfego de Goiânia e, quando há necessidade de interdição, o impacto se estende para diferentes regiões da Capital.

A previsão da Seinfra é de que os projetos das duas bacias sejam concluídos nos próximos meses, permitindo o lançamento das obras para licitação nos trechos contemplados.

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Além das intervenções estruturais, o município também desenvolve iniciativas de infraestrutura verde, como o Jardim de Chuva implantado pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), projeto que integra as diretrizes do Plano Diretor de Drenagem Urbana.

O PDDU também estima os investimentos necessários para a implementação das medidas propostas. Somente para a implantação de parques lineares, considerados áreas de amortecimento natural, o custo previsto é de R$ 500 milhões para o Parque Linear Anicuns e de R$ 1 bilhão para o Parque Linear Meia Ponte.

As ações do PDDU estão organizadas em três horizontes de execução. As medidas de curto prazo deverão ser implementadas em até cinco anos e incluem a estruturação tecnológica e obras emergenciais. O médio prazo compreende ações previstas para até 15 anos, enquanto o longo prazo estabelece um horizonte de até 30 anos.

Em situações de eventos extremos que demandem reconstrução, o Plano de Emergência e Contingência determina a apresentação de um plano de trabalho específico em até 90 dias após a decretação de emergência.

O diagnóstico elaborado pelo PDDU classificou as bacias hidrográficas conforme índices de vulnerabilidade relacionados à impermeabilização do solo, ao histórico de alagamentos e aos processos erosivos. As áreas consideradas prioritárias para intervenção são as bacias do Ribeirão Capivara, do Baixo Meia Ponte, do Córrego Lajeado e do Córrego Cascavel.

A bacia do Baixo Anicuns, onde está localizado o Córrego Botafogo, também apresenta elevada criticidade, concentrando 15 pontos de alagamento mapeados, o maior número entre todas as bacias hidrográficas do município.

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